O que são proposições simples e compostas
Vou direto ao ponto porque isso é mais confuso do que precisa ser na maioria dos livros didáticos. Proposições simples são enunciados declarativos que carregam um valor de verdade único — verdadeiro ou falso — e não podem ser decompostos em partes menores que também sejam proposições. "O número 7 é ímpar." "Maria estuda direito." Pronto. Isso é tudo que uma proposição simples é. Proposições compostas surgem quando você junta duas ou mais proposições simples usando conectivos lógicos: conjunção (e), disjunção (ou), condicional (se...então), bicondicional (se e somente se) ou negação (não). "O número 7 é ímpar E Maria estuda direito." Essa já é composta.
Construindo proposicoes simples e compostas na prática
O passo mais importante que ninguém enfatiza é identificar corretamente as proposições atômicas dentro de um enunciado complexo. Eu perdi horas numa disciplina de lógica identificando o problema errado. O cara dizia "Nem todos os candidatos passaram e alguns foram reprovados" e eu classificava isso como uma única proposição. Erro. Isso se decompõe em duas proposições simples que, juntas, formam uma conjunção com sentido redundante. A primeira coisa que você deve fazer é quebrar qualquer enunciado nas menores unidades que ainda carregam um valor de verdade intacto. Para construir uma tabela-verdade de uma proposição composta com n variáveis simples, o número de linhas é sempre 2 elevado ao expoente n. Duas variáveis: 4 linhas. Três variáveis: 8 linhas. Quatro variáveis: 16 linhas. Comece pela coluna mais à direita, intercalando V e F a cada linha. A penúltima coluna alterna a cada duas linhas. Continue assim até a primeira variável, que fica metade V na metade superior e metade F na inferior. Esse é o padrão mecânico. Quem decora isso economiza tempo precioso em prova.
A pegadinha real vem com a condicional. A Implicação material P Q é falsa apenas quando P é verdadeiro e Q é falso. Em todos os outros casos, é verdadeira. Isso inclui quando P é falso. Muita gente trava nisso porque soa contra-intuitivo. "Se a lua for de queijo, então 2+2=5" — logicamente, essa proposição é verdadeira porque o antecedente é falso. Não é um erro de lógica, é uma escolha de definição do cálculo.aceite ou critique essa definição, mas ela é consistente dentro do sistema.
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Pitfalls comuns e o que realmente funciona
O erro mais frequente que vejo em respostas de estudantes é confundir a negação de uma conjunção com a negação de uma disjunção. A Lei de De Morgan existe por um motivo. ~ (P Q) é logicamente equivalente a ~P ~Q. ~ (P Q) é equivalente a ~P ~Q. Esquecer de distribuir a negação para ambos os termos e inverter o conectivo é o tipo de erro que custa questão em prova e não tem conserto se você não entender a estrutura. Outro problema sério aparece com bicondicionais. P Q é verdadeira exatamente quando P e Q têm o mesmo valor de verdade. Isso significa que a tabela tem apenas dois casos verdadeiros: ambos V e ambos F. Muita gente trata o bicondicional como duas condicionais encadeadas sem perceber que a equivalência lógica já está embutida na definição. Quando você simplifica expressões com , trate-o como (P Q) (Q P) e aplique as leis de De Morgan normalmente.
Eu já perdi tempo depurando uma resolução automática de proposições compostas porque o sistema não distinguia entre "ou exclusivo" e "ou inclusivo". O conectivo "ou" na lógica proposicional clássica é sempre inclusivo por padrão. Se você precisa de exclusividade, precisa escrever explicitamente (P Q) ~(P Q). Sistemas que assumem ou exclusivo por padrão geram tabelas-verdade erradas em cerca de 30% dos exercícios que eu vejo. Sempre verifique a convenção do seu material antes de confiar cegamente na ferramenta. A principal limitação da lógica proposicional pura é que ela não consegue lidar com quantificadores. "Todo homem é mortal" não se decomponha bem em proposições simples porque o "todo" opera sobre um domínio. Quando você precisa dessa camada, precisa migrar para a lógica de predicados. A proposicional funciona perfeitamente para argumentos dentro do seu escopo, mas quando o enunciado começa a ter termos como "alguns", "nenhum", "todos", o sistema trava. Nesse caso, a solução é abandonar a tabela-verdade proposicional e usar derivação sintática com regras de quantificação.
Resumindo o que importa: identifique as átomos primeiro. Construa a tabela seguindo o padrão binário de alternating. Negação de composto inverte tudo e troca o conectivo. Condicional só falha num cenário. E saiba quando parar de usar proposicional e partir para outra ferramenta.