A diferença entre por do sol e pôr do sol que ninguém explica direito
A maioria das pessoas escreve "por do sol" quando o correto, na grande maioria dos contextos, é "pôr do sol". A confusão é antiga e viene de um erro de conjugação que todo mundo faz sem perceber. O problema é que a norma culta trata isso como verbo, e o substantivo se escreve diferente.
Por do sol ou por do sol
Quando você fala do fenômeno astronômico, do momento em que o sol desaparece no horizonte, o termo é um substantivo masculino e se escreve pôr do sol, com circunflexo no "o". Isso segue a mesma lógica do substantivo "pôr", que vem do infinitivo do verbo "por". O acento diferencial existe justamente para separar o substantivo do verbo "por" na terceira pessoa do presente do indicativo (ele por). No caso do fenômeno, o correto é sempre com acento: pôr do sol, pôr-do-sol quando escrito em uma única palavra como substantivo composto. O verbo "por" no presente do indicativo é ele por, tu pões, nós ponhamos. Aqui, sim, seria "por do sol" se estivesse construindo uma frase como "ele por o olhar no sol" — algo que ninguém fala no dia a dia, mas que mostra a diferença. Na prática, 99% das vezes você vai precisar do substantivo com acento.
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Já vi corretores automáticos e ferramentas de revisão marcarem "pôr do sol" como erro e sugerirem "por do sol". Isso acontece porque alguns sistemas de detecção de erros não distinguem contexto e confundem as duas formas. A correção manual é a única saída confiável nesses casos. Não adianta confiar cegamente no Grammarly ou no revisor do Word para essa exceção específica. Outra armadilha comum é o hífen. Antes do Acordo Ortográfico de 1990, a regra era diferente. Hoje, substantivos compostos formados por palavras repetidas ou que expressam ideia de conjunção não levam hífen. "Pôr do sol" não tem repetição de vogais como em "para-quedas", então a forma sem hífen é a correta na grafia moderna. Mas se você usar o termo como substantivo único, tipo "um belo pôr-do-sol", aí sim leva hífen, seguindo a regra geral de composição de substantivos.
O que muita gente não sabe é que em textos mais formais, como trabalhos acadêmicos ou publicações jornalísticas de prestígio, usar "por do sol" sem acento pode passar a impressão de descuido com a norma padrão. Em legenda de foto de Instagram ninguém liga, mas num artigo científico ou numa matéria de revista, o revisor vai marcar. Eu já perdi meia hora tentando justificar para um revisor que meu texto estava certo porque eu tinha usado a forma substantival corretamente. No final, o problema era que o texto tinha sido passado por um corretor automático que padronizou tudo para a forma verbal. Para decorar de forma definitiva, pense assim: se você pode substituir por "nascer do sol" mantendo a mesma estrutura, é substantivo e leva acento. "Amanhecer é lindo" funciona da mesma forma que "pôr do sol é lindo". O verbo "por" não tem esse uso. Essa dica prática resolve a dúvida na maioria das vezes sem precisar consultar gramática.
O outro lado é que mesmo falando nativamente português, muita gente simplesmente não pronuncia a diferença. O "ô" fechado do substantivo e o "o" aberto do verbo soam extremamente similares na maior parte dos dialetos brasileiros. Isso torna o erro ainda mais persistente, porque a escrita acaba copiando a fala, e a fala já perdeu o contraste vocálico há décadas em grande parte do país. A norma escrita tenta segurar a distinção, mas o uso popular segue outro caminho.