O passado de querer não é complicado, mas merece atenção
O verbo querer no pretérito perfeito é irregular. A raiz muda de quer- para quis-, e isso causa confusão porque a maioria dos alunos espera que seja regular. Eu já vi muita gente errar isso em revisões de texto técnico, então é útil saber de cara como ele se comporta.
O que você precisa saber sobre o passado do verbo querer
No pretérito perfeito do indicativo, o conjugado é: eu quis, tu quiseste, ele/ela quis, nós quisemos, vós quisestes, eles/elas quiseram. Note que a terceira pessoa do plural retorna ao verbo cheio (quiseram), enquanto as formas do singular e do plural da primeira pessoa ficam truncadas. Isso não segue nenhum padrão intuitivo, então a melhor estratégia é decorar as três formas do singular separadamente e tratar o resto como normal com a raiz quis- Aqui vai um exemplo prático. Eu estava revisando uma tradução de um manual técnico e o texto original dizia algo como "they wanted to install". O tradutor automático entregou "eles queriam instalar". Em contexto narrativo passado, o certo seria "eles quiseram instalar" porque houve uma decisão pontual, não um hábito. A diferença entre o perfeito e o imperfeito em querer é sutil mas relevante. Pretérito perfeito indica um ato específico, concreto. Pretérito imperfeito (eu queria, tu querias, ele queria, nós queríamos, vós queríeis, eles queriam) indica desejo contínuo, repetido ou não concluído.
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Um erro que eu sempre vejo em exercícios é a forma "quisei". Isso não existe. A primeira pessoa do singular é apenas "quis", sem terminação extra. Já a forma "quisemos" às vezes é grafada erroneamente como "quistemos" por interferência do infinitivo. Fique atento a isso. Outra coisa que não todo mundo considera: quando quiser usar o pretérito mais-que-perfeito (eu quisera, tu quiseras, ele quisera, nós quiséramos, vós quiséreis, eles quiseram), essa forma está praticamente extinta no português falado contemporâneo. Sobrevive em textos jurídicos, literários e em registros muito formais. Se você está aprendendo para comunicação cotidiana, pode ignorar essa conjugação. Ela não aparece em e-mails, reuniões ou conversas normais.
Para fixar, eu costumo recomendar a técnica de criar frases contrastivas. Escreva duas versões de uma mesma situação: uma no imperfeito e outra no perfeito. Compare o sentido. Isso leva cerca de dez minutos e fixa a diferença melhor do que qualquer tabela solta.