Conjugando o passado do verbo "do" em português
O verbo "do" é irregular e causa confusão constante, especialmente quando as pessoas tentam aplicar regras regulares onde não existem. A forma base é "dar" no infinitivo, mas as conjugações no passado ficam bem diferentes do que muitos esperam. Vou explicar direto.
Conheça o passado do verbo do
Os tempos passados mais usados são o pretérito perfeito, o imperfeito e o mais-que-perfeito. No pretérito perfeito (a ação concluída), a conjunção é completamente irregular: dei, deste, deu, demos, destes, deram. Note que a primeira pessoa ("dei") parece regular, mas já nas outras formas o radical muda. Eu já vi gente achando que era "doui" ou algo parecido, o que simplesmente não existe. No pretérito imperfeito (ação habitual ou em andamento no passado), a coisa fica mais previsível: dava, davas, dava, dávamos, dávais, davam. Aqui o radical "dav-" se mantém e os sufixos seguem o padrão dos verbos "-ar". O acento diferencial em "dávamos" e "dávais" é importante, senão a pronúncia fica estranha e pode gerar ambiguidade na fala.
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O pretérito mais-que-perfeito (ação anterior a outra ação passada) usa: dera, deras, dera, deramos, derais, deram. Esse tempo é menos comum no português falado do Brasil, mas aparece frequentemente em textos formais, notícias e documentos jurídicos. Se você lê jornais brasileiros com frequência, já se deparou com "o presidente dera assinado o decreto" sem perceber. Aqui vai um exemplo prático que aprendi na marra. Eu estava revisando um contrato antigo e me deparei com a frase "eu lhe tinha doado". A pessoa usou o particípio "doado" como se fosse um adjetivo normal, mas o correto em português formal seria "eu lhe tinha dado". O particípio irregular de "dar" é "dado", não "doado". Essa pegadinha aparece o tempo todo em textos jurídicos e eu passei anos corrigindo isso em documentos antes de fixar na cabeça. O "doado" existe como forma aceita em alguns contextos poéticos ou regionais, mas em português padrão do Brasil o particípio regular é "dado".
Outro detalhe que poucos mencionam: a diferença entre "dei" e "dêi". A forma correta é apenas "dei", sem acento. Muitas pessoas colocam o acento agudo achando que é necessidade ortográfica, mas é um erro comum que você verá em redações e mensagens informais. O mesmo vale para "te dei" versus "te dêi" — só a primeira está certa. Se você precisa de uma tabela rápida para consultar, recomendo o CiberDúvidas da Fundação Instituto Vasco da Gama ou a conjugação do Priberam. Ambos atualizados regularmente e sem enrolação. O passo a passo que costumo dar para quem está começando: aprenda o perfeito primeiro (dei, deste, deu...), depois o imperfeito (dava, davas...), e só depois se preocupar com o mais-que-perfeito. Em cerca de duas semanas de prática diária com exercícios de conjugação, a maioria das pessoas fixa o perfeito e o imperfeito sem dificuldade.