Palavras Portuguesas Com K - Palavras Com A Letra K Em Português - FDPLEARN
Palavras Com A Letra K Em Português - FDPLEARN

O que você precisa saber sobre palavras com K no português

A maioria das pessoas acha que o K não existe no português. Na prática, ele está aí desde o começo do século XX, só que a gente insiste em ignorar. O problema é que tem diferença entre as palavras que foram aportuguesadas oficialmente e aquelas que aparecem só em nomes próprios, siglas ou termos técnicos. Quando eu estava corrigindo uma gramática para uma editora há alguns anos, me deparei com um texto que usava "kilt" como substantivo comum. A pessoa tinha escrito "os kilt são tradicionais". O K é letra válida, mas a grafia correta no Dicionário da Língua Portuguesa é a que você vê nos livros de referência. Se não tá no dicionário, não é palavra do português, é empréstimo grafado à la estrangeira.

Palavras portuguesas com k: a lista real

Não existe uma quantidade enorme. As principais que o vocabulário aceita são kauri, kaoliom, kava, kefir, kimono, kinoplâncton, kiwi, kung fu. Aí para. Tem o K, tem o K-7, tem o kibe, que é gíria do Rio de Janeiro para polícia federal. O que os manuais mais antigos não explicam direito é que muitas dessas palavras competem com grafias portuguesadas. Por exemplo: quenque ou kenchique, caqui ou kaque, querosene ou kerosene. Cada um tem sua versão. A norma culta favorece a que aparecer no dicionário que você consultou, porque o idioma flutua quando entra empréstimo novo.

No dia a dia, a diferença prática aparece nos documentos oficiais. Se você escreve "kiwi" num processo jurídico, o oficial pode questionar. A grafia "quiwi" já foi proposta para ser aceita, mas nunca entrou de verdade nas publicações do governo. O mesmo vale para "ketchup": muita gente quer "catchup", mas o certo permanece com K.

Por que o K causa confusão constante

O K representa um fonema /k/ que normalmente escrevemos com C ou Q. Quando uma palavra estrangeira entra no português sem adaptação gráfica, fica aquela dualidade estranha. Você vê "karaoke" e "caraoke" em materiais diferentes, dependendo de quem escreveu e de qual norma ele segue. Minha experiência com isso foi em uma revisão de manual técnico. O documento usava "kayak" junto com "caiaque". A pessoa que escreveu tinha pegado uma fonte em inglês e outra em português, sem perceber. No final, deixamos só "caiaque", porque o Dicionário Aurélio dá essa forma. O "kayak" continua existindo, mas é variante livre, não recomendada para textos formais.

O problema maior é que crianças aprendem na escola que "o português não tem K". Isso é mentira. O português tem K, mas só em palavras específicas que entraram por empréstimo ou que vieram de línguas indígenas, africanas ou orientais. O resto é C ou Q, dependendo da época de entrada da palavra.

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As exceções que ninguém conta

Tem palavras de origem tupi que levam K e ninguém lembra. "Kaingang" é um povo indígena que tem esse nome com K. "Kruk" não existe, mas "curu" existe, que é um pássaro. A gente esquece que os nativos também falavam português e que muitos termos deles entraram com K na escrita. Os termos técnicos são outro caso. "Karat" existe, mas "quilate" é a forma aportuguesada. "Karatê" existe, mas "karatê" também aparece em documentos mais antigos. A norma flutua. Se você seguir o Dicionário da Academia Brasileira de Letras, vai ver qual forma é aceita e qual é variante.

Na prática de redação, o único trabalho é consultar o dicionário antes de escrever. Não adianta Chutar. Se a palavra não tá no dicionário, é melhor usar a forma portuguesa ou deixar entre aspas, marcando que é estrangeirismo. Isso evita problema de parecer amador.

Quando usar K e quando fugir dele

Sempre que puder use a forma aportuguesada. "Querosene" é mais seguro que "kerosene". "Quibe" é mais seguro que "kibe", a menos que seja gíria de rua, onde "kibe" já vira termo aceito. O mesmo vale para "kimono", que no Brasil todo mundo fala "quimono", mas a grafia original com K permanece nos livros. Para nomes próprios, a regra é diferente. "KAKA" é como o jogador era conhecido, mas a grafia oficial era "CACA". O mesmo vale para marcas: "Kodak" tem K, "Kleenex" tem K, e a gente usa assim porque é nome próprio registrado. Não tem adaptação obrigatória.

Nos textos informais, o K aparece em coisas como "kafkasco", que é adjetivo de algo caótico, mas não é dicionarizado. Ninguém cobra isso em redação de concurso, mas em texto de blog é aceitável. O importante é saber a diferença entre norma culta e variação lingística. O uso do K em siglas é outro caso. "K" sozinho representa o milésimo no sistema métrico? Não. O prefixo "kilo-" tem K, mas quando viravira de milheiro, a gente escreve "M" mesmo. Isso causa confusão. Um aluno meu reclamou que o professor tinha escrito "kilograma" em vez de "quilograma". Ambos existem, mas a forma aceita é a segunda.

A questão dos dicionários

Cada dicionário tem sua visão. O Houaiss coloca "k" como letra válida, mas o Aurélio prefere a forma com Q. A diferença é pequena, mas quando você trabalha com edição, isso importa. Uma vez revisei um texto onde "quimono" e "kimono" apareciam no mesmo capítulo. O cliente tinha copiado de duas fontes diferentes. O que eu recomendo é escolher um dicionário e seguir ele em todo o trabalho. Não tente ser ecumênico. A norma é isso mesmo: é escolher uma forma e ficar com ela. Se tiver dúvida, consulte a última edição do dicionário que você usa. Aí sim você responde com segurança.

No final, o português aceita K sim. Só que ele não vive no centro do vocabulário, fica na periferia junto com os empréstimos. Se você quer dominar a língua, o trabalho é saber onde cada palavra mora. E isso se resolve com consulta, não com achismo.