Orações coordenadas - exercícios com gabarito
Orações coordenadas são aquelas que não têm função sintática uma em relação à outra. Cada uma funciona como um sintagma independente dentro da oração. Isso é básico, mas o que as pessoas costumam confundir é a diferença entre coordenadas aditivas e adversativas, por exemplo. Um aluno pergunta: "por que esse aí tem virgula antes do 'mas'?" A resposta é simples: porque é uma oração coordenada adversativa, e a vírgula marca a separação entre elas.
Tipos de orações coordenadas
Existem cinco tipos principais. São elas:
- Coordenada aditiva: indica soma, acrescimento. Usa conjunções como "e", "nem", "não só... mas também".
- Coordenada adversativa: indica oposição, contraste. Conjunções típicas: "mas", "contudo", "todavia", "no entanto".
- Coordenada alternativa: indica alternância, exclusão. Conjunções: "ou... ou", "quer... quer", "já... já".
- Coordenada conclusiva: indica conclusão, consequência lógica. Conjunções: "logo", "portanto", "por isso", "então".
- Coordenada explicativa: indica justificativa, explicação. Conjunções: "que", "porque", "pois" (antes do verbo).
Exercícios resolvidos
Vamos fazer alguns exercícios práticos. Seguem eles com o gabarito depois. 1. Identifique o tipo de oração coordenada em cada frase:
a) Ela estudou muito, mas não passou na prova. b) Quer chova, quer faça sol, vamos ao parque.
c) Ele não veio, portanto ficamos sozinhos. d) Falou baixo para que todos pudessem ouvir.
e) Não só canta, mas também dança bem. Gabarito exercício 1:
a) Coordenada adversativa. b) Coordenada alternativa.
c) Coordenada conclusiva. d) Coordenada explicativa.
e) Coordenada aditiva (na verdade, é uma construção copulativa com "não só... mas também", que funciona como aditiva adversativa, mas em muitos manuais é classificada como aditiva). Cuidado aqui: há divergência entre gramáticos. Alguns classificam como adversativa, outros como aditiva. O importante é entender a lógica da frase. 2. Separe as orações coordenadas e indique o tipo de relação:
"O vento soprava forte, as árvores balançavam, os pássaros buscavam abrigo." Gabarito exercício 2:
São três orações coordenadas assindéticas (sem conjunção). A relação entre elas é de justaposição, com valor aditivo. Não há oposição, alternância, conclusão ou explicação. É apenas uma enumeração de fatos concomitantes. 3. Reescreva a frase substituindo a conjunção por outra de mesmo valor:
"Estudou bastante, porém não conseguiu aprovacao." Gabarito exercício 3:
"Estudou bastante, todavia não conseguiu aprovacao." Ou: "Estudou bastante, mas não conseguiu aprovacao." A conjunção "porém" tem valor adversativo, assim como "mas", "contudo", "todavia", "no entanto". 4. Assinale a alternativa em que a oração destacada é coordenada adversativa:
a) Ele chegou tarde, pois o trânsito estava caótico. b) Ela é inteligente, mas não estuda.
c) Ou você estuda, ou vai reprovar. d) Falou pouco, logo todos entenderam.
e) Quero que venha, porque preciso de você. Gabarito exercício 4:
Alternativa b. A oração "mas não estuda" é coordenada adversativa. Na alternativa a, "pois" introduz oração subordinada causal. Na alternativa c, temos orações coordenadas alternativas. Na alternativa d, "logo" introduz coordenada conclusiva. Na alternativa e, "porque" introduz oração subordinada causal. 5. Justifique por que a frase a seguir está incorreta quanto ao uso da vírgula:
"Ele não veio, e disse que estava doente." Gabarito exercício 5:
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A vírgula antes do "e" só é usada em casos específicos: quando o "e" tiver valor adversativo, quando houver inversão dos termos coordenados, quando houver elipse do verbo, ou quando as orações tiverem sujeitos diferentes. Nesse caso, a frase original não apresenta nenhum desses casos. O correto seria: "Ele não veio e disse que estava doente." Sem vírgula, porque sujeito é o mesmo e o "e" tem valor puramente aditivo.
Minha experiencia prática
Quando eu corrigia provas de alunos do ensino medio, um erro muito comum era confundir oração subordinada adverbial causal com oração coordenada explicativa. Por exemplo: "Estudou muito, por isso passou." Muitos alunos achavam que "por isso passou" era oração subordinada, porque continha "porque". Mas "por isso" é uma conjunção conclusiva, e a oração é coordenada conclusiva. O mesmo vale para "logo", "portanto", "então". Eles introduzem coordenadas conclusivas, não subordinadas causais. Outro ponto que sempre gera confusão é o uso da vírgula com orações coordenadas. A regra geral é: não se usa vírgula entre orações coordenadas ligadas por "e", salvo nos casos excepcionais que citei. Mas muitos alunos colocam vírgula antes do "e" por achar que "tem que ter". Não tem. Só quando o "e" tiver valor adversativo, por exemplo: "Teve muitos problemas, e superou todos eles." Nesse caso, o "e" tem valor de "mas", por isso a vírgula.
Dica pratica
Na hora de resolver exercícios, identifique primeiro a conjunção e depois classifique o tipo de relação. Se a conjunção for "e" e o sentido for de adição, é coordenada aditiva. Se for "mas", "contudo", "todavia", é adversativa. Se for "ou... ou", é alternativa. Se for "logo", "portanto", é conclusiva. Se for "porque", "que", é explicativa. Mas atenção: "porque" também pode introduzir oração subordinada causal, quando vier depois da principal. Nesses casos, não é coordenada. É subordinada.
Orações coordenadas - exercícios com gabarito
Para praticar mais, aqui estão mais alguns exercícios. Tente resolver antes de olhar o gabarito. 6. Classifique as orações coordenadas destacadas:
a) Ela não veio mas enviou um recado. b) Quer chova, quer faça sol.
c) Ele estudou pouco, portanto foi reprovado. d) Falou porque queria se justificar.
e) Não corra, para não cair. Gabarito exercício 6:
a) Coordenada adversativa. b) Coordenada alternativa.
c) Coordenada conclusiva. d) Subordinada adverbial causal (atenção: "porque" aqui introduz subordinada, não coordenada).
e) Subordinada adverbial final (atenção: "para que" introduz subordinada final). 7. Qual a diferença entre oração coordenada sindética e assindética?
Gabarito exercício 7: Orações coordenadas sindéticas são ligadas por conjuncoes coordenativas (e, mas, ou, logo, pois, etc.). Orações coordenadas assindéticas não possuem conjuncao; a ligacao se faz por meio de pontuacao (vírgula, ponto e virgula) ou justaposicao. Exemplo sindético: "Estudei e passei." Exemplo assindético: "Estudei, passei."
8. Transforme a oração subordinada adverbial causal em coordenada assindética: "Como estava chovendo, ficamos em casa."
Gabarito exercício 8: "Estava chovendo, ficamos em casa." A relação de causalidade se mantem pela justaposicao, mas agora sem conjuncao. Isso mostra que oracoes coordenadas assindéticas podem transmitir varias relacoes semanticas, nao apenas adicao.
9. Explique por que a frase "Ele correu, e caiu" esta incorreta: Gabarito exercício 9:
A vírgula antes do "e" só é aceitavel quando o "e" tiver valor adversativo, quando houver inversao dos termos coordenados, quando houver elipse do verbo, ou quando os sujeitos forem diferentes. Nesse caso, sujeito é o mesmo ("ele") e o "e" tem valor aditivo. A vírgula é desnecessaria e indevida. 10. Reescreva a frase usando uma oração coordenada adversativa:
"Ele é rico, porem avarento." Gabarito exercício 10:
"Ele é rico, mas é avarento." A conjuncao "porem" foi substituida por "mas", que é a conjuncao adversativa mais comum. A estrutura mantem o sentido de oposicao.
Conclusão prática
O principal é treinar a identificação das conjunções e do valor semantico que elas exprimem. Quando dominar isso, os exercícios ficam mais faceis. O gabarito serve para conferência, mas o processo de aprendizagem passa pela analise critica de cada caso, especialmente nas fronteiras entre coordenação e subordinacao. Se quiser mais exercicios, procure apostilas de gramatica normativa ou sites de vestibulares. A repetição com variacao é o que fixa o conteúdo.