A versão em inglês do Pai Nosso que funciona na prática
Quem já precisou ler a oração do Pai Nosso em inglês em um culto ou serviço bilingue sabe que nem todo material que aparece no Google é confiável. Tem versão com arcaísmos ("thou hast"), tem tradução literária que soa estranha, e tem a que a maioria das igrejas realmente usa no dia a dia. A diferença entre elas é maior do que parece.
Oração pai nosso em ingles – a versão padrão
A forma mais comum, a que você vai ouvir na maior parte das igrejas protestantes e católicas nos EUA e no Reino Unido, é esta: Our Father, who art in heaven,
hallowed be thy name.
Thy kingdom come,
thy will be done,
on earth as it is in heaven.
Give us this day our daily bread,
and forgive us our trespasses,
as we forgive those who trespass against us.
And lead us not into temptation,
but deliver us from evil.
For thine is the kingdom, the power, and the glory,
forever and ever.
Amen.
Essa é a versão do Book of Common Prayer, adotada por anglicanos, metodistas e várias outras denominações. O vocabulário usa "thou/thy/thee" por tradição litúrgica, não porque o inglês contemporâneo ainda fale assim. Se você está montando um folder ou projetando nos slides, essa é a que menos gera confusão. Existe também a versão católica romana em inglês, aprovada pela Conferência Episcopal dos EUA. A principal diferença fica em dois trechos: "trespasses" vira "sins", e "deliver us from evil" ganha um acréscimo sobre a tentação. Fica assim:
Our Father, who art in heaven,
hallowed be thy name.
Thy kingdom come,
thy will be done
on earth as in heaven.
Give us this day our daily bread.
And forgive us our sins,
as we forgive those who sin against us.
And lead us not into temptation,
but deliver us from evil.
Amen. Nota importante: a versão católica não inclui o final "For thine is the kingdom..." na maioria das traduções litúrgicas atuais. Muita gente cola esse encerramento por engano porque vê nos filmes ou nas versões protestantes. Se o seu público é católico, deixa fora.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Eu tenho um caso específico que vale a pena mencionar. Certa vez fui chamado para revisar os slides de uma igreja que misturava membros batistas e católicos. O líder da equipe colocou a versão protestante com "trespasses" e o encerramento glórico, mas a comunidade tinha muitos católicos latinos. No primeiro culto, uma senhora levantou e perguntou por que a oração estava "errada". O problema não era a teologia — era simplesmente que ela estava acostumada com a tradução litúrgica católica que aprendera na infância. A solução foi simples: publicar as duas versões no mesmo material, etiquetando claramente cada uma. Em vez de debate, todo mundo saiu satisfeito. O custo foi quase zero, meia hora de edição nos slides.
Por que as traduções variam tanto
O texto original grego do Evangelho de Mateus (6:9-13) já possui duas formas textuais: a mais longa, presente no Textus Receptus, inclui o encerramento "For thine is the kingdom, the power, and the glory...". A forma mais curta, encontrada em manuscritos mais antigos como o Codex Sinaiticus, não tem essa closing doxology. Tradutores contemporâneos priorizam os manuscritos mais antigos, então as versões litúrgicas modernas muitas vezes cortam esse final. Tradutores mais conservadores ou litúrgicos mantêm a forma longa porque ela está consolidada no uso histórico. Não há erro em nenhuma das opções, apenas escolhas diferentes de prioridade textual. Outro ponto que causa confusão é a palavra "trespasses" versus "sins". Em inglês, "trespass" carrega uma ideia de violação de espaço ou direitos, mais próxima do original grego "opheilēmata" (dívidas/ofensas). "Sins" é mais direto e coloquial. A escolha afeta o tom da oração, não o sentido. Em contextos informais, "sins" é mais compreensível. Em contextos formais, "trespasses" preserva o registro litúrgico.
Dicas práticas para quem vai usar o texto
Se o objetivo é leitura pública ou impressão, a versão do Book of Common Prayer funciona como padrão-ouro. É a mais reconhecida, a mais citada em livros de culto e a que menos gera objeções. O tempo médio de adaptação para um novo congregante é de dois ou três cultos. Depois disso, a memorização se estabelece naturalmente. Se o seu material for para um público diverso, inclua ambas as versões. Leva cerca de dois minutos a mais de edição e elimina a maioria das reclamações. Eu costumo sugerir isso porque já vi bastante gente perder tempo justificando qual versão está "correta" quando a resposta certa é que ambas estão corretas em contextos diferentes.
Um erro comum é usar a versão King James completa com "thou art" e "thy" sem considerar que falantes não nativos podem ter dificuldade com a pronúncia. "Hallowed" pode ser lido como "hol-LOWED" ou "HAL-owed". A pronúncia litúrgica padrão nos EUA é "HAL-owed", mas em regiões como o sul dos EUA alguns lêem como "hol-LOWED". Se a sua congregação é multisseriada, considere adicionar uma transcrição fonética discreta no material impresso. Isso reduz significativamente as hesitações durante a leitura conjunta.
Downloads e referências
Não preciso colocar links para baixar a oração. Ela está em qualquer livro de orações, na Bíblia, na internet. O que vale a pena consultar são as fontes originais: o Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer), a tradução da Bíblia Católica Revista e Atualizada em inglês (RSV-CE), e a King James Version para quem quer estudar a linha histórica do texto. Se você precisa de um arquivo pronto para imprimir ou projetar, uma busca por "Lord's Prayer text Book of Common Prayer" ou "Our Father who art in heaven standard text" devolve exatamente o que você precisa em segundos. A coisa mais importante não é ter a versão perfeita. É saber qual versão o seu público reconhece e usar essa. O resto é detalhe.