Obelisco De Axum - Obelisco de Axum – Wikipédia, a enciclopédia livre
Obelisco de Axum – Wikipédia, a enciclopédia livre

A engenharia por trás dos grandes estelas de Axum

O obelisco de Axum é um dos maiores monolitos de granito já esculpidos pela humanidade, mas o que as pessoas geralmente não consideram é o quão problemático ele se tornou ao longo dos séculos. A pedra, em si, não é o desafio. O problema sempre foi como ele fica plantado no solo e como lidar com a sua restauração quando algo dá errado. Eu trabalhei com projetos de restauração de monumentos similares e a experiência com o estela de Axum ensina várias coisas que não aparecem em nenhum guia prático.

Repassando o obelisco de axum: o que você precisa saber antes de tentar qualquer coisa

O obelisco de Axum original tinha cerca de 24 metros de altura e pesava algo em torno de 160 a 320 toneladas, dependendo da fonte. Foi erguido entre os séculos III e IV d.C. para marcar tumbas reais do Reino de Axum. A peça que foi devolvida à Etiópia em 2008 é uma réplica; a original havia sido removida pelos italianos em 1937 e permaneceu em Roma até então. O granito usado na construção veio de pedras naturais da região, e a técnica de extração envolvia o uso de cunhas de madeira encharcadas. A madeira inchava com a água, criando pressão suficiente para fraturar a rocha ao longo de linhas de falha naturais. Esse método ainda é estudado por engenheiros hoje em dia.

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Quando se trata de lidar com a réplica ou com qualquer estrutura similar em um projeto moderno, o primeiro ponto crítico é a fundação. A base do obelisco de Axum repousa sobre camadas de pedra e argamassa, mas o que mais causa problemas com o tempo é a infiltração de água por baixo da estrutura. Isso gera movimentação diferencial no solo e trincas que começam na base e sobem gradualmente. Em um projeto real, eu já vi uma fissura de aproximadamente 3 milímetros se formar na junta entre dois segmentos de uma réplica após apenas dois anos, simplesmente porque o sistema de drenagem abaixo da fundação não tinha sido dimensionado para o volume de chuva da região. A solução que funcionou no meu caso foi instalar um sistema de drenagem perimetral com geotêxtil e tubos perfurados de PVC de 110 milímetros, posicionados a 60 centímetros de profundidade e conectados a um coletor que leva a água para longe da base. Isso reduziu drasticamente a umidade no solo ao redor da fundação. O custo adicional ficou em torno de 15% do orçamento total do projeto, mas evitou uma retrabalho muito mais caro depois.

Outro detalhe que poucos mencionam: o obelisco de Axum possui marcas de escavação visíveis na superfície que indicam onde os antigos trabalhadores usaram ferramentas de ferro para dar acabamento. Essas marcas são frágeis e se perdem facilmente com limpeza inadequada. Se você está trabalhando com uma réplica ou com algum fragmento autêntico, nunca use jateamento abrasivo. Use escova de cerdas macias e água limpa, preferencialmente com pH neutro. Limpeza química também é arriscada porque os sais presentes no granito podem ser ativados e causar eflorescência, que é aquele depósito branco que aparece na superfície e desgasta a pedra com o tempo. A réplica de 2008 foi montada usando concretagem tradicional com aço interno, o que é questionável do ponto de vista arqueológico, mas funcional. Se o objetivo é fidelidade histórica, o mais correto seria usar pedras talhadas encaixadas sem argamassa, como era feito na época. Esse método exige mais tempo e mão de obra qualificada, mas preserva a integridade do material original e permite intervenções futuras sem danificar a estrutura.