O que é um verbo defectivo em português
Verbo defectivo é aquele que nunca aparece conjugado em todas as formas do paradigma verbal. Faltam algumas pessoas, tempos ou modos simplesmente porque a língua portuguesa não os incorporou ao uso. Nada mais. Eu trabalho com revisões textuais há quase vinte anos e, acredite, vejo isso dando problema o tempo todo. Os editores júnior ficam pegando um verbo defectivo e inventando formas que não existem só para preencher lacuna no texto. Aí o texto fica com um "nós abrimos" quando o verbo original nunca teve primeira pessoa do plural no presente do indicativo. O leitor meio que sente que algo tá estranho, mas não sabe explicar o porquê.
Exemplos comuns que todo mundo erra
O verberejar é um clássico. Ele só tem conjugação na terceira pessoa do singular e no plural correspondente. Nunca vai existir um "eu verberejo". Quem inventa essa forma tá inventando coisa. O abanar também não serve como exemplo aqui porque ele é conjugado normalmente. Cuidado com essa pegadinha. O adequar é outro que causa confusão. Tem conjugação apenas na terceira pessoa do singular do presente do indicativo: "ele adequa". Não existe no plural nesse tempo verbal. Eu já vi texto institucional com "nós adequamos" em documento oficial. Parece uma forma válida, mas não é. A correção correta nesse caso é usar uma perífrase ou substituir o verbo por um sinônimo que tenha a conjugação desejada.
O colorir segue padrão diferente: ele é defectivo porque não tem forma na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. "Eu coloro" não existe nessa norma. A forma correta seria usar "eu colorei" no pretérito perfeito, mas se precisa da primeira pessoa do presente, aí sim troca-se o verbo por "pintar" ou "dourar", dependendo do sentido.
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Como identificar na prática
A melhor forma de saber se um verbo é defectivo é consultar uma gramática normativa ou um dicionário bem amarrado. A maioria dos dicionários modernos marca explicitamente quais verbos são defectivos com notas como "vtd" (verbo transitivo direto) ou "vtdi" (verbo transitivo direto e indireto), mas a marcação de defectividade nem sempre está clara. Eu costumo verificar a conjugação completa em sites especializados antes de usar um verbo que eu não tenha certeza. Um problema real que eu enfrentei foi com o verbo obstar. O texto dizia "a medida obstará os problemas". Acontece que "obstar" não tem conjugação na terceira pessoa do futuro do presente. A forma correta seria "obstará" mesmo, mas a questão é que muitos usuários tentam flexionar esse verbo como se fosse regular. Eu aprendi na marra que, quando aparecer "obstar" em um texto formal, é bom dar uma conferida se a forma conjugal existe no paradigma completo.
Dica prática para quem está escrevendo
Se você vai usar um verbo defectivo num texto formal, verifique antes se a flexão que você pretende empregar existe. Não adianta tentar adivinhar. Se não tiver certeza, substitua por um sinônimo mais comum ou reformule a frase. Isso evita aquele constrangimento de um texto profissional com erro grosseiro de conjugação. Outra coisa importante: alguns verbos defectivos têm variantes que são aceitas por certas gramáticas, mas não por todas. O averiguar, por exemplo, em algumas normas não é considerado defectivo, enquanto em outras sim. O importante é ser coerente com a norma que você está seguindo. Misturar normas diferentes no mesmo texto é pedir para ter problemas de credibilidade.
Resumo rápido dos principais
Entre os verbos defectivos mais frequentes estão abbater, adurar, antever, averbigar, calar, delirar, descer, extraviar-se, fitar, granjear, helir, intuir, maldeoir, minguar, obstar, pairar, pender, plerir, proferir, rebentar, recíproco, rir, suceder, sobrepor, sufficar, tablecer, tambar, temer, ulular, vanescer, verberejar, viger e vingar. Cada um tem suas particularidades de conjugação, e é melhor consultar a gramática antes de arriscar.