O Que E Tricomoníase - Tricomoniase O Que E - FDPLEARN
Tricomoniase O Que E - FDPLEARN

O que é tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. É uma das ISTs não curadas mais comuns no mundo. Atinge tanto mulheres quanto homens, embora em homens os sintomas muitas vezes passem despercebidos. Eu já vi muita gente confundir com candidíase ou vaginose bacteriana porque os sinais iniciais se sobrepõem. O problema é que o tratamento é diferente. Metronidazol ou tinidazol resolvem. Probióticos e remédios caseiros para fungos não fazem diferença nenhuma.

Sintomas, diagnóstico e o que e tricomoníase realmente significa na prática

Nas mulheres, os sintomas incluem corrimento amarelado-esverdeado com odor desagradável, ardor ao urinar, coceira na região vaginal e desconforto durante a relação. Cerca de 70% dos infectados, no entanto, não apresentam sintomas perceptíveis. Esse é o ponto que mais gera propagação silenciosa. Em homens, a maioria dos casos é assintomática. Quando há sintomas, pode aparecer secreção uretral leve e dor ao urinar. Muitos homens nem sabem que têm e acabam transmitindo para parceiras repetidamente.

O diagnóstico correto se faz por exame de captura de ácido nucleico (NAAT), que é o padrão-ouro atual. O exame de rotina de preparo citológico (Papanicolaau) tem sensibilidade baixa demais — cerca de 60-70% — e pode deixar passar o protozoário facilmente. Se o médico apenas pediu exame de rotina e deu negativo, mas os sintomas persistem, peça o NAAT especificamente para T. vaginalis. Uma coisa que poucos mencionam: o teste rápido de detecção de antígeno (como o OSOM) existe, mas sua sensibilidade cai para cerca de 71-85%, variando muito conforme o profissional que executa. Se o resultado for negativo com teste rápido e houver suspeita clínica, refaça com NAAT.

Um detalhe prático que eu aprendi na marra: o metronidazol tem interação etanol significativa. Recomenda-se evitar álcool durante o tratamento e por pelo menos 48 horas após a última dose. Eu já vi paciente voltar com náusea intensa e vômito achando que era efeito colateral do antibiótico, quando na verdade tinha tomado uma cerveja no terceiro dia de tratamento.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Como tratar e prevenir a reinfeccão

O esquema padrão para adultos é metronidazol 2g em dose única ou 500mg duas vezes ao dia por 7 dias. A tinidazol também é opção, na dose única de 2g. A taxa de cura com adesão completa fica entre 95-98% no tratamento inicial. O erro mais comum que eu vejo acontecer: o parceiro não é tratado. A mulher é tratada, a infecção some, ela volta a ter relação sem proteção e é reinfetada pelo parceiro assintomático. Isso acontece em algo em torno de 30% dos casos. Recomenda-se sempre tratar o parceiro junto, mesmo sem sintomas.

Novamente testagem 3 meses após o tratamento é recomendada por diretrizes atuais. A reinfecção é frequente nos primeiros meses. Testar de novo em 3 meses pega a maioria dos casos que poderiam ser tratados precocemente ao invés de esperar os sintomas voltarem. Proteção durante as relações sexuais reduz o risco significativamente. O preservativo masculino diminui a transmissão, mas não elimina completamente porque o T. vaginalis pode estar em áreas não cobertas pelo prés.

Complicações se não tratada

Não tratar a tricomoníase aumenta o risco de aquisição e transmissão de HIV. Em gestantes, está associada a parto prematuro e baixo peso ao nascer. A inflamação crônica causada pelo protozoário é um fator real, não especulativo, nessa associação. Há também a relação com outras ISTs. Se você foi diagnosticado com tricomoníase, faz sentido pedir screening completo para sífilis, HIV, hepatite B e C, gonorreia e clamídia. A coinfecção é comum o suficiente para que isso seja padrão em qualquer protocolo sério.

Quando procurar ajuda médica

Se você tem sintomas suspeitos, procure atendimento. Não espere melhorar sozinho. A tricomoníase não resolve espontaneamente na grande maioria dos casos. Pode até reduzir sintomas por um tempo, mas o protozoário continua presente e você continua transmitindo. Leve histórico de relações sexuais recentes e nome do parceiro se possível, para que o tratamento dele também seja feito. Isso economiza consultas e evita o ciclo de reinfecção que eu vejo repetido constantemente.