O Que E Sujeito Inexistente - O Que é Um Sujeito Inexistente - FDPLEARN
O Que é Um Sujeito Inexistente - FDPLEARN

Como identificar e lidar com sujeito inexistente na prática

A maioria das pessoas confunde sujeito inexistente com oração sem sujeito, mas na verdade são coisas que se sobrepõem de um jeito específico. Sujeito inexistente ocorre quando o verbo não admite sujeito, ou seja, não existe nenhum núcleo sintático ao qual ele se vincule. Isso acontece com verbos impessoais puros, construções como haver no sentido de existir, e fenômenos meteorológicos.

o que e sujeito inexistente: a definição real

Sujeito inexistente, no concreto, é quando você tenta achar o sujeito de uma oração e simplesmente não encontra. Não é que o sujeito está oculto ou elíptico. É que ele não existe. O verbo rege sozinho, sem necessidade de um termo que pratique a ação ou receba o processo verbal. Os casos clássicos são o verbo haver no sentido de existir, os verbos que indicam fenômenos da natureza, e os verbos bastar, precisar, ficar, no sentido impessoal. Quando alguém diz "há muitos problemas para resolver", não existe sujeito. O verbo haver está sendo usado como sinônimo de existir, e nessa acepção ele é impessoal por definição.

Outro exemplo direto: "chove bastante aqui no verão". Não tem como transformá-lo em "o tempo chove" sem deformar completamente o sentido. O verbo chover é meteorológico por natureza e não aceita sujeito qualquer que seja.

O erro mais comum que todo mundo comete

O problema que vejo todo dia em revisões textuais e em provas é a concordância errada com verbos que não têm sujeito. A pessoa tenta flexionar o verbo no plural achando que o complemento é o sujeito. Com "há muitos problemas", por exemplo, alguns escrevem "havem muitos problemas". Isso não existe. O certo é "há" mesmo, porque o verbo está sendo usado no sentido impessoal de existir. Um caso bem mais fino é o verbo fazer quando indica tempo decorrido. "Faz dois anos que não vejo isso." Muita gente coloca "fazem" no plural, mas o certo é singular. Aqui o dois anos funciona como complemento de tempo, não como sujeito. Eu já perdi conta das vezes que vi isso errado em textos corporativos e até em material impresso de alguma empresa séria.

Como testar na prática se há sujeito ou não

Existe uma ferramenta mecânica que funciona na maior parte dos casos. Se você consegue transformar a oração na voz passiva analítica, tem sujeito. Se não consegue, provavelmente está diante de um sujeito inexistente. Tome "os alunos estudaram para a prova." Voz passiva: "para a prova, os alunos foram estudados por..." — não funciona bem, mas o sujeito é claro. Agora "houve muitos acidentes." Voz passiva: seria "muitos acidentes foram havidos"? Não. O verbo haver nesse sentido não tem voz passiva. Sujeito inexistente confirmado.

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Outra técnica é tentar introduzir um pronome pessoal como sujeito. "Ele chove" soa absurdo. "Ela há muitos problemas" também. Quando a inserção soa claramente incorreta, é sinal de que não há sujeito para sustentar o verbo.

Um caso difícil que encontrei recentemente

Estava revisando um contrato em que o redator escreveu "devem existir constâncias na legislação tributária" num contexto claramente impessoal. O problema era que o verbo existir estava sendo conjugado como se tivesse sujeito, o que gerava uma ambiguidade sobre o que exatamente existia. A solução foi trocar para "há constâncias" ou reescrever completamente a frase com um sujeito definido, dependendo do que o autor realmente queria transmitir. Esse tipo de situação exige atenção ao sentido original antes de aplicar a regra mecânica.

O que acontece quando o sujeito inexistente se mistura com outros tipos de oração

Às vezes uma oração começa sem sujeito e depois migra para uma construção pessoal, e aí a coisa fica confusa. Imagine "foi difícil entender o problema." No início parece sujeito inexistente, mas o "foi" aqui concorda com o adjetivo difícil, e a oração inteira funciona como sujeito. Não é o mesmo padrão do "havia muitos problemas" citado antes. Também tem o caso do verbo ser em orações que indicam hora, distância ou existência. "São duas horas." "Há dez metros até a esquina." "Foi ontem a reunião." O verbo ser nessas construções não tem sujeito no sentido tradicional, embora alguns gramáticos discutam isso.

Limitações dessa análise

O grande problema é que nem sempre dá para saber se o sujeito inexistente é impessoal ou se o verbo está sendo usado de forma pessoal. Depende muito do contexto e do sentido que a oração carrega. O verbo parecer, por exemplo, pode ser pessoal ou impessoal dependendo da construção. "Ele parece cansado" tem sujeito. "Parece que vai chover" é uma oração subordinada substantiva, e não faz sentido procurar sujeito em "parece". A análise prescritiva tradicional às vezes ignora o uso real da língua. Na fala cotidiana, constructions como "vão existir novas regras" são muito comuns, mesmo que a gramática normativa considere inadequado o uso plural de existir com valor impessoal. Se o texto é formal ou para prova, siga a norma. Se é para uso interno ou comunicação informal, o importante é a clareza, não a fidelidade estrita à regra.

Resumo do que importa

Sujeito inexistente é aquilo que acontece quando o verbo não tem com quem concordar em termos de sujeito. A diferença prática mais importante é que você não deve flexionar o verbo para concordar com um complemento que na verdade é apenas objeto ouadjunto. Se o verbo é impessoal, ele fica na terceira pessoa do singular. Se você consegue transformar a oração em passiva, provavelmente tem sujeito. Se não consegue, é quase certo que o sujeito não existe.