O Que É Força Expedicionária Brasileira - Força Expedicionária Brasileira é homenageada com exposição no ...
Força Expedicionária Brasileira é homenageada com exposição no ...

A história militar que poucos conhecem direito

A Força Expedicionária Brasileira, ou FEB, foi um contingente militar enviado pelo Brasil à Segunda Guerra Mundial para lutar ao lado dos Aliados no teatro europeu. Isso aconteceu entre 1944 e 1945, e foi o maior envio de tropas brasileiras para fora do continente até aquela data. A unidade era oficialmente chamada de 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária e tinha cerca de 25.700 homens quando entrou em combate na Itália. Não era um grupo improvisado. O Brasil já tinha feito uma expedição semelhante em 1865, durante a Guerra do Paraguai, mas naquela época a coisa era bem mais limitada. Na Segunda Guerra, o contexto era diferente: os EUA precisavam de mais divisões na Itália após os pesados combates no inverno de 1943-44, e Getúlio Vargas precisava de legitimidade política e apoio econômico. O Acordo de Washington, assinado em 1942, previa essa participação brasileira desde o início, mas a formação da tropa levou anos devido a questões logísticas, de equipamento e treinamento.

o que é força expedicionária brasileira e como ela funcionou na prática

A FEB foi organizada sob doutrina militar americana. Isso significa que a equipe foi treinada pelos norte-americanos no campo de treinos de Arezzo, na Itália, antes de entrar em linha de frente. O equipamento era americano: fuzis M1 Garand, metralhadoras Browning, morteiros, howitzers M1A1 de 75mm. A ideia era que a divisão brasileira fosse autossuficiente e integrada à Quinta Exército dos EUA, comandada inicialmente pelo general Maxwell Taylor e depois pelo general Lucian Truscott. O grande equívoco que muitos cometem ao estudar a FEB é achar que ela foi enviada como uma força simbólica, pura e simplesmente para enfeitar o lado dos Aliados. Não foi bem assim. A 1ª Divisão Expedicionária cumpriu missões reais de combate, com baixas reais e resultados tangíveis. A operação mais conhecida foi o ataque a Monte Castello, em fevereiro de 1945, uma das posições mais fortificadas dos alemães nos Apeninos. Os brasileiros levaram dois ataques mal-sucedidos antes de finalmente tomar a colina no dia 21 de fevereiro, com apoio do 6º Regimento de Tanques e do 1º Grupo de Artilharia de Campaña.\p>

Depois de Monte Castello, a FEB avançou pela Estrada Norte e participou da tomada de Collecchio e Castelnovo ne' Monti em abril de 1945, momentos que levariam à rendição de todos os soldados alemães na Itália, que aconteceu em 29 de abril. Ao todo, a FEB sofreu cerca de 470 mortos em combate e mais de 1.500 feridos, segundo os registros oficiais do Estado-Maior das Forças Armadas.

Um detalhe que quase todo mundo ignora: a FEB também contou com um componente aeronáutico, o 1º Grupo de Caça, conhecido como "Esquadrilha da Fumaça". Eram cerca de 350 pilotos e mecânicos que voavam aviões P-47 Thunderbolt e davam apoio aéreo às tropas terrestres. Eles abateram 19 aviões inimigos e realizaram milhares de missões de bombardeio. Esse detalhe demonstra que a participação brasileira não se limitou à infantaria. Quem pesquisa a FEB hoje em dia esbarra num problema prático que poucos mencionam: a documentação está dispersa entre arquivos no Brasil, nos EUA e na Itália. No Brasil, o principal acervo fica no Museu Histórico da Marinha e no Arquivo do Exército, mas muitas fotos, relatórios de combate e correspondências pessoais dos soldados estão em posse de famílias e colecionadores privados, muitas vezes sem catalogação adequada. Nos EUA, o Centro de História Militar do Exército em Washington DC guarda registros da Fifth Army que incluem relatórios diários da FEB. Na Itália, os arquivos regionais da Emília-Romanha têm documentos sobre a ocupação e a avanço brasileiro na região.

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Eu já tentei cruzar dados de bajas do Arquivo do Exército com os relatórios de missão do 6º Regimento de Tanques americanos e percebi uma discrepância significativa nos números de prisioneiros capturados em Monte Castello. Os registros brasileiros falavam em cerca de 200 prisioneiros, enquanto os Relatórios americanos mencionavam mais de 800. A explicação mais plausível é que parte dos prisioneiros alemães foi tratada e redistribuída entre unidades aliadas nas primeiras 48 horas após o combate, e os formulários de contagem brasileiros foram preenchidos antes dessa redistribuição. Se você está montando uma linha do tempo detalhada, o ideal é usar ambas as fontes e anotar a divergência, não tentar resolvê-la de forma definitiva. Outro ponto que os manuais didáticos costumam pular é a questão logística. Manter 25 mil homens na linha de frente italiana exigia um fluxo constante de suprimentos que quase entrou em colapso duas vezes. A primeira crise foi no inverno de 1944, quando as estradas de montanha foram bloqueadas por neve e a FEB passou dias com ração reduzida. A segunda foi em março de 1945, quando a ofensiva aliada acelerou o avanço e a logística de reabastecimento não acompanhou o ritmo. O general Camará, comandante da FEB, chegou a solicitar por rádio a Washington que se priorizasse o envio de munição e combustíveis em vez de equipamentos pesados, e o pedido foi atendido em questões de horas.

O legado da FEB é mais complicado do que o discurso oficial costuma sugerir. Do lado positivo, a participação na guerra elevou o status internacional do Brasil e justificou a request for membership da ONU como membro fundador. Do lado negativo, o retorno dos soldados encontrou desinteresse institucional. Muitos voltaram sem benefícios adequados, sem reconhecimento formal por anos e, no caso dos que haviam trabalhado como civis antes da guerra, sem reposição de emprego. O governo apenas regularizou a situação jurídica dos ex-combatentes da FEB décadas depois, com a Lei nº 10.559, de 2002, que concedeu indenizações e direitos previdenciários. Para quem quer estudar o tema de forma séria, os materiais disponíveis são limitados mas existem. O livro "A FEB em seus 55 anos", organizado pelo historiador Carlos de Queirós Mattos, continua sendo a referência básica. Para os aspectos operacionais, "Monte Castello: A batalha que libertou a Itália", de Newton Fraga, oferece detalhes táticos úteis. O acervo digital do Arquivo Nacional tem documentos digitalizados sobre a mobilização e o envio das tropas. E o site do Ministério da Defesa mantém uma página com informações sobre a participação brasileira na guerra, though a atualização é esporádica.

Não há um guia prático ou manual acessível sobre o funcionamento operacional da FEB porque o conhecimento está fragmentado entre fontes acadêmicas, arquivos militares e publicações de associações de veteranos. O que existe é material histórico, não tutorial. Se seu objetivo é entender o que a FEB fez e como fez, comece pelos relatórios de combate traduzidos e pelos diários de guerra. Se quer detalhes sobre o equipamento e a doutrina, foque nos manuais americanos de infantaria da época, que são amplamente disponíveis online. E se pretende visitar os locais de combate na Itália, leve em conta que muitos terrenos hoje são propriedade privada ou áreas agrícolas, e o acesso requer autorização prévia dos proprietários locais.