O Que É Concordância Verbal - Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios
Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios

O básico que todo mundo esquece na prática

A concordância verbal é a regra que obriga o verbo a se ajustar ao sujeito em número e pessoa. Simples assim, mas asimplicidade só existe na teoria. Na hora de escrever, especialmente em textos formais ou provas, as coisas se complicam rápido. O que é concordância verbal, no fundo, é entender que o verbo não fica sozinho no período. Ele carrega uma responsabilidade gramatical com o agente da ação. Quando o sujeito é "nós", o verbo precisa terminar em "-mos". Quando é "eles", termina em "-m". Isso vale para a maioria dos casos, mas a gramática brasileira tem suas armadilhas.

Como aplicar na prática

Antes de falar de regras, vou te mostrar um caso real que enfrentei. Trabalhava com revisão de contratos jurídicos e precisei corrigir uma frase que dizia: "A equipe e o setor responsável pelo projeto são necessário as alterações". O erro aqui é duplo. Primeiro, o sujeito composto "a equipe e o setor" exige verbo no plural. Segundo, o adjetivo "necessário" deveria concordar. Corrigi para "são necessárias as alterações". Esse tipo de erro é comum em textos corporativos mal revisados. O processo é direto. Identify o sujeito. Verifique se é singular ou plural. Ajuste a terminação verbal. Mas isso só funciona quando o sujeito está na ordem direta. Quando a frase começa pelo verbo, ou quando há expressões partitivas, a coisa muda.

Veja este exemplo: "Houveram vários problemas durante a implantação". Muita gente escreve assim, achando que "houveram" está correto porque o complemento é plural. Errado. O verbo haver, quando indica existência ou tempo, é impessoal. Fica sempre na terceira pessoa do singular: "Houve vários problemas". Esse é um dos erros mais frequentes em textos formais no Brasil.

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Os casos que realmente testam seu domínio

Quando o sujeito é coletivo, como "a maioria", "a greater parte", "o público", a concordância pode ser feita de duas formas válidas. Pode-se usar o verbo no singular: "A maioria dos funcionários chegou atrasada". Ou no plural: "A maioria dos funcionários chegaram atrasados". Ambas estão corretas. A diferença é estilística, não gramatical. Prefira o singular em contextos mais formais e o plural quando quiser dar mais peso ao elemento plural ("funcionários"). Outro ponto que muita gente não domina é a concordância com pronomes de tratamento. "Vossa Excelência precisa" ou "Vossa Excelência precisam"? A resposta correta é no singular. Pronomes de tratamento exigem verbo na terceira pessoa do singular, independentemente de a quem se referirem.

Os verbos "rais" e "bastar" também merecem atenção especial. Quando usados no sentido de ser suficiente, ficam no singular: "Raiava uma só palavra para resolver o caso". Já quando indicam existência ou fenômenos naturais, entram em concordância normal: "Raiaram sol". Percebe a nuance? O significado do verbo determina a regra. Caso queira aprofundar em uma situação específica, recomendo consultar o manual da Cegonha ou o Dicionário de Questões Verbais e Nominais do Celso Cunha. São obras técnicas, mas acessíveis, e cobrem os casos que os resumos escolares normalmente deixam de fora.

O que mais dá problema

O erro mais recorrente que vejo em revisões é com o verbo "existir" sendo tratado como impessoal. As pessoas escrevem "Existe muitos casos" em vez de "Existem muitos casos". O verbo existir é pessoal. Ele concorda com o sujeito. Diferente de haver, que não tem sujeito. Outro ponto importante é a concordância com orações iniciadas por "quem". Quando o sujeito vem antes e "quem" introduz uma oração subordinada, o verbo pode concordar com o sujeito anterior ou com "quem". Ambas as formas são aceitas: "Fui eu quem marcou os pontos" ou "Fui eu quem marcou os pontos". A primeira é mais formal. A segunda soa mais natural na fala cotidiana.

Não existeatalho para dominar isso. A prática de leitura e escrita é o que realmente fixa as regras. E quando você duvidar, leia a frase em voz alta. O ouvido muitas vezes detecta o erro antes da consciência gramatical.