Novas Normas Da Abnt - Fique por dentro das novas normas da ABNT | UniGuairacá
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O que mudou nas regras de formatação acadêmica

A novas normas da abnt entrou em vigor de forma gradativa a partir de 2023, com atualizações específicas nas NBRs 10520, 6023 e 14724. A confusão que existe no momento é real. Professores, orientadores e até departamentos de pós-graduação estão usando versões desatualizadas dos manuais. O resultado são trabalhos devolvidos com observações contraditórias.

Como aplicar as novas regras na prática

O primeiro ajuste que precisa ser feito diz respeito às citações. A NBR 10520:2023 trouxe mudanças que afetam diretamente a formatação de citações diretas longas. A regra anterior pedia apenas recuo de 4 cm a partir da margem esquerda. Agora, há exigências adicionais sobre o uso de aspas duplas quando se trata de trechos dentro de outros textos, além da obrigatoriedade de indicar o sobrenome do autor e o ano imediatamente antes ou depois da citação, mesmo nos casos em que o autor já aparecia no corpo do parágrafo. Eu passei por isso na revisão de uma dissertação no início de 2024. O orientador havia marcado como erro uma citação direta com recuo correto mas sem as aspas, enquanto o coorientador considerava aquele formato aceitável porque seguia a versão de 2019 da norma. A solução foi simples: imprima a NBR 10520:2023 completa, leia a seção 3.3 sobre citações diretas, e leve o documento impresso à banca. Quando a dúvida existe entre avaliadores, a norma impressa resolve mais rápido do que qualquer conversa no WhatsApp.

Outra mudança significativa está nas referências bibliográficas. A NBR 6023:2018, com as alterações de 2023, tornou obrigatória a inclusão do DOI em artigos eletrônicos acessados online. Isso parece óbvio, mas muitos estudantes copiam o link completo da revista e omitem o DOI porque não percebem a diferença. O DOI não é um número qualquer. Ele é um identificador permanente que deve aparecer após o acesso, formatado como doi:10.xxxx/xxxxx ou como URL ativa, dependendo da seção do trabalho.

Pontos onde quase todo mundo erra

A formatação de obras com múltiplos autores continua sendo um problema constante. A norma atual permite usar "et al." a partir do terceiro autor em referências, mas exige que todos os autores sejam listados quando o trabalho tiver até três autores. A confusão acontece quando alguém vê "et al." em uma referência e assume que a obra tem muitos autores, quando na verdade o autor simplesmente não seguiu a regra de listar todos. Verifique sempre a lista completa na fonte original, especialmente para trabalhos com dois ou três autores. Outro erro frequente diz respeito a trabalhos acadêmicos sem autoria individual clara. Teses e dissertações têm estrutura fixa definida pela própria instituição, mas o que a norma realmente exige agora é a indicação clara da categoria do trabalho entre parênteses após o título. Antigamente muita gente deixava isso de fora ou colocava em local inadequado. Agora a presença dessa informação é obrigatória para que a referência seja considerada completa.

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Trabalhos com elementos pré-textuais também sofreram ajustes. A ordem sugerida pela NBR 14724:2023 mantém a mesma lógica básica, mas reforça a necessidade de incluir a ficha catalográfica mesmo em trabalhos de conclusão de curso de graduação, algo que várias instituições ainda ignoram por costume. Se sua universidade não exige a ficha, respeite essa decisão interna. A norma é um padrão nacional, mas as regras institucionais valem no âmbito interno.

Download e fontes oficiais

Nenhuma cópia pirata ou PDF compartilhado em grupos de Telegram tem validade para fins acadêmicos. As normas devem ser adquiridas diretamente pela website da ABNT ou por livrarias especializadas em normas técnicas. O valor varia entre R$ 40 e R$ 80 por documento, dependendo da NBR. Para trabalhos sérios, o investimento compensa porque elimina dúvidas que aparecem durante a avaliação. Os arquivos oficiais estão disponíveis no site abnt.org.br, na seção de normas. Cada NBR tem seu próprio código de busca. Não tente combinar normas de fontes diferentes. Uma NBR 10520 de 2023 com uma NBR 6023 de 2018 desatualizada gera inconsistências que nenhum revisor vai perdoar.

O que ainda não mudou

Algumas regras permanecem estáveis e causam menos confusão do que parecem. A formatação de notas de rodapé, por exemplo, segue os mesmos princípios de sempre: corpo da fonte tamanho 10, espaçamento simples, separadas do texto por linha fina. Margens continuam sendo 3 cm superior e esquerda, 2 cm inferior e direita. Isso não mudou e não há previsão de alteração. O que mudou mesmo foi a aplicação prática. Os revisores passaram a exigir maior rigor na apresentação de dados de acesso, datas de consulta atualizadas e formatação consistente de URLs. Trabalhos que entregavam referências de sites com apenas o link bruto estão sendo rejeitados. A exigência agora é de que se inclua o acesso completo seguido da data em que o material foi consultado, no formato dia, mês por extenso e ano.

Existe um limite prático que precisa ser reconhecido. Algumas normas técnicas não cobrem formatos emergentes com a mesma rapidez que a produção acadêmica avança. Pré-prints, artigos em pré-revisão por pares, materiais de repositórios institucionais e publicações em plataformas como researchgate ou academia.edu ainda geram dúvidas. A norma orienta o uso das informações disponíveis, mas não entra em detalhes específicos sobre cada plataforma. Nesses casos, a orientação padrão é priorizar a versão oficial publicada em periódico revisado por pares, quando disponível. Se você está começando agora, o caminho mais eficiente é baixar a NBR 10520:2023 e a NBR 6023:2018 com as alterações mais recentes, ler os capítulos sobre citações e referências duas vezes, e fazer uma referência completa de exemplo antes de começar a escrever. Leva cerca de 40 minutos e evita horas de retrabalho depois. O revisor que encontra uma referência mal formatada na página 5 raramente acredita que as próximas 200 páginas estão corretas. A primeira impressão define o tom da avaliação inteira.