Como funcionam as notas de corte do Sisu na prática
A maioria dos alunos acha que precisa apenas tirar uma nota boa no ENEM e pronto. A realidade é mais complicada do que isso, e já vi gente passar dois anos estudando para depois descobrir que escolheu a estratégia errada. O sistema que define quais notas são necessárias para cada curso é o SISU, que consolida as inscrições em universidades federais e algumas públicas estaduais usando o desempenho no exame como único critério. As notas de corte mudam todo semestre, dependendo da concorrência daquele ano, mas dá para ter uma noção razoável olhando os dados dos últimos três processos seletivos.
Notas do enem para cada curso: a realidade dos números
Para cursos de alta demanda como Medicina nas federais mais concorridas, como UnB, UFRJ e USP (que também usa o Enem em seu próprio processo), a nota de corte frequentemente ultrapassa os 750 pontos na média geral. Psiquiatria e Odontologia giram em torno de 720 a 760. Cursos de exatas como Engenharia Civil, Computação e Electrical Engineering ficam num patamar entre 680 e 730. Direito costuma variar de 660 a 720 dependendo da universidade. Aí você tem cursos como Administração, Ciência da Computação e Enfermagem entre 620 e 690. E cursos como Pedagogia, História e Geografia geralmente ficam entre 550 e 640, embora em federais do Norte e Nordeste alguns desses tenham subido bastante nos últimos anos. O importante é entender que esses números não são fixos. Em 2022, por exemplo, a nota de corte de Medicina na UFG ficou em 748,23 no primeiro chamamento e caiu para 731,45 no segundo porque sobraram vagas. Já na UFMG, Medicina manteve-se acima de 760 nos dois rounds por ser uma das mais concorridas do país. Uma história que ainda me incomoda: um aluno meu estava convencido de que 680 pontos bastavam para Engenharia na UFSCar, mas não percebeu que a engenharia dele era a específica de Produção, que nesse ano tinha concorrência dobrada em relação ao ano anterior. Ele estava classificado em 300º lugar, achando que ia entrar. Entrou apenas no segundo chamamento, quando já tinha perdido a matrícula no início do semestre.
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Tem um detalhe que quase ninguém leva a sério na hora de escolher: a nota de corte é calculada por modalidade de participação. Se você foi amplo concorrência, compete com todos os outros de ampla concorrência. Se usou cotas, compete dentro do universo de cotistas. Isso significa que duas pessoas com a mesma nota podem estar em posições completamente diferentes na classificação final. Um cara com 650 pontos em ampla concorrência pode não passar em nada, enquanto uma candidata com 620 pontos nas cotas pode estar muito bem colocada em vários cursos. Também vale notar que o SISU valoriza a média geral, mas em alguns cursos o peso das notas individuais das competências do ENEM varia. Para humanas, por exemplo, a Competência 5 (escrita) e o desempenho em Linguagens costumam fazer diferença maior. Para exatas, a nota em Matemática e suas Tecnologias é o que mais pesa na prática. Sei disso porque acompanho os editais há anos e já vi cursos onde a média geral era similar, mas o desempate ia inteiro para a nota de Matemática.
Se você quer consultar as notas oficiais de corte de qualquer curso, o acesso é direto: entra no site do INEP, baixa o caderno de questões e gabaritos do ENEM que você fez, e depois vai ao portal do Sisu, onde ele publica todas as notas de corte consolidadas logo após o resultado de cada edição. Tem também planilhas feitas por consultorias educacionais que agrupam esses dados dos últimos anos inteiros. O que eu faço pessoalmente é cruzar os dados do último ano com a média dos dois anteriores, porque assim consigo ver se aquela nota de corte está em tendência de alta ou baixa, e aí decidir se vale o risco ou se é melhor mirar em outra faculdade. O ponto fraco desse sistema é que ele não considera a sua trajetória individual, apenas o resultado final do exame. Se você teve um dia ruim na hora da prova, sua nota cai e com ela suas chances, sem margem para recurso significativo. A alternativa que funciona pra quem não se classifica no SISU é o ProUni, que também usa o ENEM mas com critérios diferentes, e os programas de vestibulares tradicionais que muitas federais ainda mantêm para cursos específicos. E claro, tem a opção de prestar ENEM de novo no ano seguinte, que é o que a maioria das pessoas acaba fazendo quando não passa na primeira tentativa.