O que realmente precisa saber sobre norma abnt para resumo
A ABNT tem uma norma específica para resumos: a NBR 6028. Ela define o que é, como deve ser estruturado e quais são os requisitos formais. Na prática, a maioria dos estudantes e pesquisadores ignora detalhes que causam retrabalho na hora da submissão.
norma abnt para resumo: estrutura e requisitos
O resumo, segundo a norma, é uma representação concisa dos principais pontos de um documento. Pode ser informativo ou descritivo. A diferença entre os dois é importante e as pessoas frequentemente confundem. Um resumo informativo apresenta resultados, conclusões e dados do trabalho. Um resumo descritivo apenas descreve o escopo e os temas abordados, sem entrar em resultados. Para teses e dissertações, o padrão esperado é o informativo. Para artigos de eventos com caráter meramente annuncial, o descritivo aparece com mais frequência.
Os requisitos formais são esses: de 150 a 500 palavras, num único parágrafo, justificado à esquerda. A palavra "RESUMO" deve aparecer em negrito, maiúsculas, centralizada. A seguir, o texto corrido. Depois das palavras do corpo, se aplica um espaço e a seção de palavras-chave, iniciada pelo termo Palavras-chave: em negrito, seguido dos termos separados por ponto e vírgula, no máximo cinco. A língua deve corresponder ao idioma do trabalho principal. Se o trabalho está em português, o resumo também. Se estiver em inglês, o resumo em inglês, e aí se adiciona o abstract na sequência, obedecendo às mesmas regras. O mesmo vale para o resumo em língua estrangeira acessível:, francés, italiano — cada um com suas palavras-chave correspondentes.
A parte que ninguém conta sobre a aplicação prática
Na hora de montar um resumo seguindo a norma, o problema mais comum não é o conteúdo. É a formatação. Especificamente, a questão do recuo e dos espaçamentos que variam conforme o software e o template da instituição. Eu tive um caso específico com uma dissertation que estava sendo revisada por um comité que seguia rigorosamente a NBR 6028. O resumo tinha 478 palavras, o que estava dentro do limite. O problema era que o template da universidade aplicava automaticamente um recuo de 1,25 cm na primeira linha de cada parágrafo, e a norma não prevê recuo no resumo — ele deve começar colado na margem esquerda. O correior rejeitou o trabalho nessa etapa. A solução foi simples: desligar o recurso de "primeira linha" no estilo de parágrafo do Word e reinserir manualmente apenas quebras de seção onde necessário. Levei cerca de vinte minutos para resolver.
Outro detalhe que passa despercebido: o espaçamento entre as linhas do resumo. A norma não especifica explicitamente, mas a convenção adotada pela maioria das instituições brasileiras é simples (1,0). Alguns programas de pós-graduação aceitam 1,5, mas isso depende do regulamento interno, não da norma em si. Sempre verifique o guia do candidato da sua instituição antes de formatar.
Erros comuns que parecem pequenos mas geram rejeição
O erro mais frequente é colocar o resumo em mais de um parágrafo. A norma é clara: um único bloco. Isso inclui resumos bilingues ou trilingues — cada versão é um resumo separado, cada um em seu próprio parágrafo único, mas apresentados sequencialmente. Outro erro comum é exceder o limite de palavras. Algumas revistas científicas permitem até 250 palavras para artigos curtos. A norma permite até 500, mas o limite inferior de 150 é rígido. Resumos com menos de 150 palavras são frequentemente devolvidos para reformulação.
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As palavras-chave também têm regras que muitos ignoram. Devem ser indexadas em inglês quando o trabalho for publicado internacionalmente. Ou seja, se você submete um artigo para uma revista com peer review estrangeiro, além das palavras-chave em português, precise incluir Keywords: com os equivalentes em inglês. A sequência padrão é: resumo em português, palavras-chave em português, abstract, keywords em inglês. Sempre que aplicável.
Limitações da norma que você precisa conhecer
A NBR 6028 tem lacunas perceptíveis. Por exemplo, ela não aborda resumos estruturados — aqueles com subseções como Objetivo, Métodos, Resultados e Conclusão. Esse formato é comum em periódicos da área de saúde e algumas engenharias, mas não tem amparo direto na norma brasileira. Se sua instituição ou revista exige resumo estruturado, siga o modelo da publicação, não a NBR 6028. As duas coisas podem coexistir, mas a norma ABNT não cobre essa variante. Também não há orientação sobre resumos para trabalhos de extensão, relatórios técnicos ou documentos não acadêmicos. A norma foi pensada para resumos de trabalhos acadêmicos e científicos. Aplicá-la rigidamente a outros tipos de documento gera inconsistências.
Uma desvantagem prática da norma é que ela não especifica fonte, tamanho ou margens para o resumo. Isso significa que as instituições aplicam seus próprios padrões, o que gera variabilidade. Uma universidade pode exigir Arial 12, outra Times New Roman 11. O único elemento padronizado pela ABNT é a palavra "RESUMO" em negrito e maiúsculas. Tudo o resto fica a cargo do regulamento interno.
Como estruturar de fato
Na prática, o processo mais eficiente é escrever primeiro o conteúdo e só depois aplicar a formatação. Comece com um rascunho livre, incluindo todos os elementos que um resumo informativo precisa conter: contexto breve, objetivo, metodologia, resultados principais e conclusão. Depois corte para caber entre 150 e 500 palavras. Um resumo típico de 300 palavras leva cerca de três a cinco frases por segmento. O contexto em uma ou duas. O método em uma ou duas. Os resultados em duas ou três. A conclusão em uma. Essa proporção funciona como ponto de partida, mas o equilíbrio ideal varia conforme a área. Em ciências humanas, é comum dar mais peso à fundamentação teórica. Em ciências exatas e da saúde, os resultados e métodos dominam.
Para documentos que exigem resumo em várias línguas, recomendo manter um glossário paralelo das palavras-chave. Isso evita tradução inconsistente e garante que os termos indexadores sejam os mesmos em todas as versões. Perde-se muito tempo corrigindo isso depois que o manuscrito já está submetido. Se você precisa consultar o texto integral da norma, ela está disponível para compra no site da ABNT. Não há versão gratuita oficial. Muitas instituições de ensino têm cópias em seus portais acadêmicos ou bibliotecas digitais. Verifique se a versão que você está usando é a atualizada — a NBR 6028 passou por revisão em 2003, e embora não tenha havido nova atualização até o momento, algumas instituições publicam guias internos que adaptam ou complementam o texto oficial.
Dica prática: uso de templates e verificação automática
Planos de templates prontos para ABNT podem economizar tempo, mas é preciso conferir manualmente cada elemento. Templates genéricos frequentemente aplicam espaçamentos incorretos, inserem quebras de seção indevidas ou colocam as palavras-chave em parágrafo separado, o que viola a norma. O tempo gasto na verificação manual costuma ser de cinco a dez minutos por resumo, o que compensa largamente o risco de rejeição por formatação.