Pesquisando nomes de brincadeiras antigas é mais complicado do que parece
Achei que ia ser simples fazer uma lista com nomes de brincadeiras antigas. Meus filhos me pediram isso para um trabalho escolar, ou algo assim, e eu pensei: vai dar uma pesquisada no Google e pronto. Errado. O problema é que essas brincadeiras têm nomes diferentes dependendo da região. Quem cresceu no Nordeste pode chamar de "amarelinha" o que no Sudeste se chama "queimada" ou "pular corda". Tem brincadeira que varia o nome de estado para estado, às vezes de cidade para cidade. A primeira coisa que você percebe é que não existe um dicionário único e oficial.
O que incluir na sua lista de nomes de brincadeiras antigas
Eu comecei juntando as que eu me lembro, mas fui rapidamente obrigado a pesquisar porque minha memória é claramente parcial. Tenho uma nostalgia muito específica da minha infância em Belo Horizonte nos anos 90, e isso não cobre nada do que crianças do Rio Grande do Sul ou do Pará chamavam de brincadeira. As categorias principais são: brincadeiras de pular, brincadeiras de correr, brincadeiras de mesmorar, brincadeiras de bola e brincadeiras de mesa. Dentro de cada uma, os nomes se multiplicam.
Exemplos que aparecem com frequência: Amarelinha, também chamada de pipa em alguns lugares. Queimada, que no sul às vezes é chamada de "março". Esconde-esconde, que tem variações como "bicho-papão" ou "cabra-cega" dependendo da região. Cantiga de roda, que inclui "ciranda", "roda-roda" e "a barquinha saindo do mar". Cabra-cega, que também se chama "pancada" em Minas. Pião, um clássico que praticamente sumiu. Bolinha de gude, que tem centenas de variações regionais de regras e nomes.
Cada um desses tem subtípicos. Bolinha de gude, por exemplo, tem "malha", "truco", "pote", "sorra", "boca". Se você listar só "bolinha de gude", está perdendo informação útil. A diferença entre "malha" e "truco" muda completamente a forma como a brincadeira funciona. Uma coisa que ninguém te avisa: a maioria dessas brincadeiras tem regras orais que nunca foram escritas de forma padronizada. Eu passei uma tarde inteira tentando entender a diferença entre "amarelinha tradicional" e "amarelinha de chão" porque encontrei fontes conflitantes. A conclusão foi que simplesmente não existe uma resposta certa. Cada família passava de geração em geração com pequenas alterações.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Outro problema que eu encontrei na prática: muitas dessas brincadeiras usam materiais que hoje são difíceis de achar ou perigosos. O pião de metal, por exemplo, era comum nos anos 80 e 90. Hoje em dia, piões de plástico dominam o mercado e as regras mudaram junto. Quem tenta ensinar uma criança a jogar pião hoje usando um manual antigo vai frustrar todo mundo. O pião de metal gira de forma diferente, a superfície importa, e a técnica de arremesso não se aplica mais aos modelos atuais. Minha solução foi simples: entrevistar meus próprios pais. Eles me deram detalhes que eu não achava em nenhum site. Minha mãe me explicou que o "chuva de estrelas" que eu conhecia como brincadeira de mesa era chamado de "batatinha" em outras casas. Meu pai me mostrou como se faz uma amarelinha com pedaços de tijolo ao invés de giz — isso era comum quando a família não tinha dinheiro para materiais escolares.
Se você está montando uma lista de nomes de brincadeiras antigas, aqui vai o que eu faria diferente da próxima vez: comece perguntando para pessoas mais velhas da sua região antes de ir para a internet. Os sites encontrados têm informações úteis, mas muitos repetem os mesmos conteúdos sem verificação. A primeira fonte que aparece no Google para "brincadeiras antigas" é praticamente cópia de um site que copiou de outro site. Isso gera erros que se perpetuam. Um erro muito comum que eu vi em várias listas na internet: elas confundem brincadeiras tradicionais brasileiras com brincadeiras importadas. "Pegador" não é necessariamente brasileiro. "Cabeleira" tem origem portuguesa. Isso não significa que não devam ser incluídos, mas é importante saber a diferença entre o que é originalmente nosso e o que foi adaptado. Brincadeiras que parecem universais frequentemente têm versões locais bem distintas.
Outra questão prática: o tempo de duração dessas brincadeiras varia muito. Uma partida de queimada pode durar 15 minutos ou 2 horas dependendo do número de crianças. Uma partida de bolinha de gude pode durar um dia inteiro. Se você está organizando um evento ou atividade com essas brincadeiras, considere isso antes de planejar a logística. Eu já fiz o erro de agendar três brincadeiras de bola para uma tarde inteira e as crianças ficaram exaustas e frustradas porque nenhuma delas cabia no tempo previsto. Para quem quer pesquisar de verdade, os melhores recursos que eu encontrei foram livros de etnografia infantil e arquivos de universidades. A UFMG tem um acervo bom sobre brincadeiras mineiras. A USP também tem publicações sobre o tema. Sites culturais regionais como o do Instituto Cultural Banco do Brasil costumam ter listas mais confiáveis do que os portais de conteúdo genérico.
Não existe uma lista definitiva ou completa de nomes de brincadeiras antigas. Sempre vai faltar alguma. Meu conselho é ser honesto sobre isso e documentar o que você tem, indicando as variantes regionais quando souber. Uma lista incompleta mas contextualizada vale mais do que uma lista supostamente completa que esconde diferenças importantes.