May Grunwald Giemsa - May-grunwald-giemsa-stain
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May Grünwald-Giemsa na prática: o que realmente funciona no laboratório

A coloração May Grünwald-Giemsa, muitas vezes abreviada como MG-Giemsa ou simplesmente referred como may grunwald giemsa, é uma técnica combinada de coloração citológica e hematológica amplamente utilizada para exame de esfregaços sanguíneos e medula óssea. O método combina o corante de May Grünwald, que é basicamente uma solução de azul de metileno e eosina em metanol, com o corante de Giemsa, que contém azurina, eosina e azul de metileno. A combinação resulta em um espectro de cores que permite diferenciar bem elementos sanguíneos com boa qualidade, especialmente para contagem diferencial e avaliação morfológica. A preparação dos reagentes em si não é particularmente complicada, mas exige atenção. O corante de May Grünwald deve ser preparado dissolvendo 1g de corante em 1 litro de etanol absoluto a 96%, e a solução precisa maturar por pelo menos 24 horas antes do uso. Já o corante de Giemsa padrão é usualmente adquirido pronto, mas algumas bancadas preparam uma solução-mãe a 5% em glicerol e diluem no momento do uso. A solução Working do Giemsa é tipicamente 1 parte de Giemsa para 10 partes de tampão fosfato pH 6,8, mas esse pH é crítico.

Como realizar a coloração may grunwald giemsa passo a passo

Aqui está o procedimento que uso no meu laboratório, com os detalhes que os manuais costumam pular: Fixe o esfregaço de sangue total ou aspirado de medula em etanol absoluto por 5 a 10 minutos. Isso é simples, mas muitos esquecem que esfregaços muito grossos podem não fixar corretamente se o etanol estiver velho ou contaminado com água. Depois de fixado, seca-se ao ar por 2 minutos.

aplique o corante de May Grünwald puro sobre o esfregaço e deixe agir por exatos 2 a 3 minutos. Não use cronômetro de celular — coloque um relógio de parede na bancada. A variação de 30 segundos já altera significativamente a tonalidade dos neutrófilos. Sem lavar, adicione a solução de Giemsa Working (1:10 em tampão fosfato pH 6,8) sobre o May Grünwald ainda presente, misturando-os no próprio vidro. Deixe atuar por 20 a 30 minutos. Durante esse tempo, a temperatura ambiente importa: em dias quentes (acima de 25°C), a coloração avança mais rápido e você pode reduzir para 15 minutos. Em frio intenso, pode precisar de até 40 minutos.

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Lave suavemente com água destilada ou tamponada pH 7,2, inclinando o vidro e deixando a água correr da extremidade oposta à qual o corante foi aplicado. Não jogue água diretamente sobre a mancha, senão você remove a região central do esfregaço onde as células estão melhor espalhadas. Seque verticalmente, com o lado da lamínula virado para baixo, em suporte de secagem. A secagem horizontal distorce a monocamada celular e dificulta a análise. Uma vez seco, o prepararo pode ser examinado imediatamente ou armazenado em caixa com sílica gel por até 2 semanas sem degradação significativa.

O problema que ninguém conta é a questão do pH da água de lavagem. Usei uma vez água da torneira filtrada por carvão ativo, que tinha pH em torno de 7,8, e todos os eritrócitos ficaram com um tom azulado pronunciado, impossível de distinguir linfócitos de neutrófilos segmentados. A solução foi preparar um tampão fosfato 0,067 M, ajustar para pH 7,2 com HCl ou NaOH conforme necessário, e usar essa solução na lavagem. Isso resolveu o problema imediatamente. A partir daí, nunca mais confiei na água sozinha. Outro ponto que passa despercebido é a questão da idade do corante de May Grünwald. A solução, mesmo bem fechada, começa a degradar após cerca de 6 meses. Os sinais são sutis: primeiro você nota que a coloração dos grânulos eosinofílicos perde intensidade, depois os basófilos ficam pálidos, e por fim a diferenciação geral cai para um nível que compromete a contagem diferencial. Minha regra prática é testar um controle padrão a cada 2 meses e descartar quando a qualidade visual cair. Um lote novo de May Grünwald custa entre 80 e 150 reais por litro, então vale a pena monitorar em vez de trocar às cegas.

A coloração MG-Giemsa tem limitações que merecem ser ditas explicitamente. Ela não substitui a coloração de Wright para avaliação de parasitas maláricos — nesse caso, o Giemsa puro a 10% durante 45 minutos continua sendo o padrão-ouro, com sensibilidade de 5 a 10 parasitas por microlitro contra cerca de 500 com Wright. Além disso, a técnica não é ideal para detectar alterações citoplasmáticas finas em neoplasias hematológicas; nesses casos, a coloração Papaicolaou ou imuno-histoquímica oferece resolução superior. A necessidade de controle rigoroso de pH e tempo também torna o método menos adequado para laboratórios com alto volume e rotatividade de técnicos, onde a reprodutibilidade é comprometida pela variabilidade operacional. Para quem busca o protocolo completo com especificações de reagentes, tempos exatos e condições de armazenamento, a referência oficial é o manual do College of American Pathologists, disponível gratuitamente no site CAP.org sob o título "Hematology and Clinical Chemistry: May-Grünwald-Giemsa Staining". Protocolos alternativos mais simplificados também aparecem em artigos da revista Hematology da ASH, mas praticamente sempre omitem os detalhes sobre controle de pH que fazem diferença na prática diária.

O que resta dizer? A coloração May Grünwald-Giemsa continua sendo uma ferramenta útil e acessível para o dia a dia hematológico, mas exige disciplina técnica que manuais genéricos raramente transmitem. O custo-benefício é razoável, os reagentes são amplamente disponíveis no Brasil por cerca de 50 a 120 reais por frasco de 100ml, e a qualidade do resultado depende mais do operador do que do protocolo em si.