Lixoes E Aterro Sanitario - Aterro Sanitário X Lixão: entenda as principais diferenças e como ...
Aterro Sanitário X Lixão: entenda as principais diferenças e como ...

Gerenciamento de Resíduos: o que realmente acontece depois que você joga o lixo fora

A maioria das pessoas não pensa no destino dos resíduos depois que colocam o saco na calçada. Isso é normal, porque o sistema foi construído dessa forma. A separação não acontece de forma clara para o cidadão comum. Os lixos e aterro sanitário são o ponto final da cadeia logística de resíduos sólidos no Brasil, e entender como isso funciona exige saber onde olhar.

A verdade sobre lixos e aterro sanitário no Brasil

O Brasil produz algo em torno de 80 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Destes, uma parcela considerável ainda vai parar em lixões, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) ter prohibido essa prática oficialmente. O problema é que a fiscalização é irregular e muitos municípios não têm condições financeiras de implantar aterros adequados. Isso significa que, na prática, ainda há uma grande lacuna entre o que a lei diz e o que acontece nos fatos. Um aterro sanitário tecnicamente correto precisa de algumas coisas básicas: selagem com geomembrana de HDPE, sistema de captação de chorume, tratamento de gás metano, controle de entrada de veículos e monitoramento de lençol freático. Se faltar qualquer um desses itens, o que existe no local é um lião disfarçado, não um aterro. Eu vi isso na prática quando fui inspecionar um suposto aterro na região metropolitana de Belo Horizonte. O relatório técnico dizia que estava tudo em conformidade, mas o chorume escorria por uma valura a céu aberto e o cheiro era inaceitável. A solução foi exigir a interdição imediata e reportar ao Ministério Público. Nada de heróico, só fazer o que a lei já mandava fazer.

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Aqui vai algo que pouca gente sabe: a composição do resíduo define o custo de operação do aterro, não apenas o volume. Resíduos orgânicos geram mais chorume e mais metano. Resíduos inertes, como entulho de construção, são praticamente morteiros dentro do aterro. Separar corretamente na fonte pode reduzir em até 40% o custo de destinação final por tonelada, dependendo do perfil da geração. O problema é que a segregação na fonte é o elo mais fraco da cadeia no Brasil. Quase ninguém separa direito. A coleta seletiva existe em cerca de 45% dos municípios, mas a eficiência operacional varia enormemente de cidade para cidade. A questão do chorume é particularmente crítica. Uma tonelada de resíduo domiciliar pode gerar de 200 a 400 litros de chorume por dia, dependendo do teor de umidade. O tratamento desse líquido exige estações específicas, como lagoas de estabilização ou sistemas de osmose reversa, que encarecem bastante a operação. Muitos aterros pequenos, especialmente os irregulares, simplesmente lançam o chorume em cursos d'água próximos. Isso contamina o solo e a água subterrânea de forma irreversível na maioria das vezes.

Se você está avaliando a destinação de resíduos para sua empresa ou município, o caminho mais seguro passa por três verificações obrigatórias. Primeiro, confirme se o aterro possui licença operacional vigente emitida pelo órgão ambiental estadual. Segundo, solicite o relatório de monitoramento de águas subterrâneas dos últimos 12 meses. Terceiro, verifique se o plano de fechamento do aterro foi aprovado. Se qualquer um desses documentos não existir, o local provavelmente não cumpre a legislação e você pode estar responsábil solidariamente por qualquer dano ambiental causado. A alternativa aos aterros tradicionais é o tratamento mecânico-biológico, que reduz o volume de resíduo enviado para disposição final em até 70%. Também existem opções de co-processamento em cementárias e a incineração com recuperação energética,though esta última é cara e gera cinzas que também precisam de destinação adequada. Nenhuma dessas soluções é perfeita, mas todas são melhores que enterrar tudo sem tratamento.

O que eu vejo na maioria das consultorias que faço é que os responsáveis por gestão de resíduos confundem custo com preço. Um aterro barato geralmente é um aterro ilegal ou mal operado. O custo real de um aterro conformo, incluindo monitoramento pós-fechamento por 30 anos, gira em torno de R$ 80 a R$ 150 por tonelada. Qualquer proposta significativamente abaixo disso deve ser motivo de desconfiança imediata.