Livreto De Cordel - Livreto de Cordel - Loja - Tudo Para o Professor
Livreto de Cordel - Loja - Tudo Para o Professor

Produzindo livreto de cordel: do traço à costura

Um livreto de cordel é um folheto impresso, geralmente com cerca de 16 a 32 páginas, capa com xilogravura e texto em versos populares. O formato tradicional vem do Nordeste brasileiro, mas hoje se produz em todo o país com técnicas artesanais ou semi-industriais. A diferença entre um livreto bem-feito e um amador está nos detalhes: gramatura do papel, corte, costura e acabamento.

Escolhendo os materiais para seu livreto de cordel

O papel miolo mais comum é o couchê fosco 90g ou 115g, mas muitos artisans usam papel offsets 75g para manter o custo baixo. Eu já tentei couchê brilhante e percebi que a tinta sovinete escorre nas bordas durante o dobramento, especialmente em tiragens acima de 200 unidades. A solução foi mudar para couchê fosco com base de alumina, que segura melhor a tinta e permite uma segunda passada sem embolorar. A capa exige um papel mais resistente: cartolina opalina 250g ou papel couchê 280g são padrões da indústria. Evite verniz local sobre a xilogravura porque ele escurece as áreas pretas e perde contraste. Se quiser selar, use plastificação matese, mas isso encarece o exemplar em cerca de R$ 0,40 por unidade em média.

Montagem da seção de miolo

O livro deve ser impresso em folhas dobradas (cadernos), não em páginas soltas. O padrão mais usado é o caderno de 4 folhas (16 páginas). Para um livreto de 24 páginas, você imprime dois cadernos: um de 16 páginas e outro de 8 páginas. A numeração das páginas deve seguir a assinatura: na folha impressa, as páginas ficam dispostas em ordem de imposição, e ao dobrar, elas se encadeiam corretamente. Eu cometi o erro de imprimir as duas cores da xilogravura (preto e vermelho) em processos separados sem marca de registro precisa. O resultado foram faixas fantasmas na capa, especialmente nas bordas do rosto humano. O trabalho-around foi usar uma chapa de registro com cruzes de corte e ajustar a prensa para um alívio de 0,1mm, além de testar a sequência de impressão primeiro no papel de teste antes de dar entrada no lote final.

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Costura e acabamento

A costura tradicional de cordel usa linha de nylon grosso (nº 20 ou 24) e agulha de aço. O furo deve ser feito com guilhotina manual ou furadeira de coluna, com guia de madeira para manter a distância uniforme (geralmente 8mm das bordas). Eu já usei cola PVAc pura e a costura rompeu em três meses; a solução foi misturar cola com pó de sílica (10% em peso) para ganhar aderência sem perder flexibilidade. O acabamento final envolve o corte das folhas no formato exato. Um livreto de cordel típico tem medidas de 11cm x 19cm. A máquina de corte deve estar afiada; lâmina gasta rasga o papel nas bordas internas. Depois do corte, passa-se pela prensa de encadernação para achatar a lombada, e só então aplica-se a tampa da capa, se for do tipo encadernado com costura aparente.

Impressão da xilogravura

A xilogravura é feita em bloco de madeira (geralmente peroba ou cerejeira) e entalhada com cinzéis. A tinta mais usada é a látex pigmentada à base de água, aplicada com rolo de espuma. A pressão da prensa deve ser regulada para não deixar a madeira deformar; um teste com papel de arroz antes da tiragem revela se o traço está completo. Se o bloco estiver muito úmido, a tinta adere mal e o rendimento cai para menos de 50 exemplares com qualidade aceitável. Um detalhe que poucos mencionam: a secagem da tinta entre camadas deve ser de pelo menos 12 horas em ambiente com umidade relativa abaixo de 60%. Em dias chuvosos, o tempo dobra. Eu usava um desumidificador de 20L e reduzía o tempo para 8 horas, o que permitia imprimir três camadas no mesmo dia.

Distribuição e venda

O livreto de cordel é vendido em feiras, bancas de rua e através de cordelistas ambulantes. O preço de venda ao público varia de R$ 5 a R$ 20, dependendo da qualidade e tiragem. O custo de produção unitário em pequeno lote (50 a 100 exemplares) gira em torno de R$ 1,80 a R$ 3,50, com destaque para papel, tinta e trabalho de montagem. Se você fizer a impressão digital, o custo sobe para cerca de R$ 4,20 por unidade devido ao tratamento de arquivo e à menor produtividade da máquina. Um obstáculo prático é a padronização dos títulos e numeração. Muitas editoras usam série própria, mas isso dificulta a catalogação em bibliotecas. Eu adotei o sistema de código ISO 2108 (ISBN) para exemplares de tiragem maior que 200, e mantive um registro interno de lote para os menores, anotando data, número de folhas e nome do autor.

Recursos úteis

Para quem quer iniciar, recomendo o manual “Técnicas de Impressão em Cordel” da FUNDAÇÃO CASA DE CULTURA (disponível em bibliotecas digitais). Também existe o banco de dados “Cordeloteca” com imagens de milhares de livreto de cordel já publicados, útil para referência estilística. Se precisar de supplier de papel couchê fosco 90g, a maioria dos distribuidores da região Sudeste vende em pacotes de 500 folhas a partir de R$ 45, com frete inclusoe