Lista De Conectivos Para Redacao - LISTA DE CONECTIVOS PARA REDAÇÃO - Enem
LISTA DE CONECTIVOS PARA REDAÇÃO - Enem

Conectivos que realmente funcionam na prática

Achei que sabia tudo sobre conectivos quando comecei a corrigir redações. Era tipo 2018, estava dando aula no ensino médio e os alunos escreviam texto depois de texto com o mesmo problema: ou usavam "portanto" em toda parte como se fosse a única opção válida, ou simplesmente não conectavam as ideias, transformando cada parágrafo numa ilha isolada. O que percebi depois de ver cerca de duzentas redações por bimestre é que a maioria dos materiais que os professores passam são listas genéricas tipo "conjunções coordenativas e subordinativas", mas isso não ensina quando usar cada coisa de forma natural. O problema real não é não conhecer os conectivos, é não entender a função lógica que cada um carrega. Você pode decorar cinquenta conectivos e ainda assim escrever um texto em que todas as ideias parecem ter o mesmo peso, porque o conectivo adequado pra mostrar contraste não é o mesmo que você usa pra apresentar uma consequência. A diferença entre " logo" e "contudo" não é só sinônimo, é uma diferença estrutural no raciocínio do texto.

Como montar sua lista de conectivos para redacao de verdade

Achei melhor abordagem, depois dear várias formas com meus alunos, era organizar os conectivos por função argumentativa, não por classificação gramatical. Quando você para de agrupar por "conjunções adverbiais" e começa a agrupar por "o que eu quero mostrar com esse conectivo", a coisa muda completamente. Eu comecei a separar em grupos como: advogar uma causa, apresentar uma oposição, demostrar uma conclusão, exemplificar, especificar, retomar um argumento anterior. Um exemplo bem prático que acho importante mencionar: tem conectivo que parece avançado mas que os alunos quase sempre usam errado. O "mediante" é um deles. Achei vários alunos usando "mediante" no sentido de "por meio de" quando na verdade o uso mais adequado seria em contextos de "sob condição de" ou "com base no". O correto seria algo como "o contrato foi firmado mediante assinatura das partes" em vez de "ele aprendeu mediante estudo". Achei melhor ensinar esses casos limite desde o início, porque senão o aluno vai usando e ninguém corrige até a hora da prova.

Grupo de causalidade: "porque", "visto que", "já que", "pois", "na medida em que", "uma vez que". Achei que o erro mais comum aqui é usar "porque" no início de frase como se fosse "porque" conjunção integradora, quando na verdade o "porque" causal funciona melhor como "porquê" ou substituindo por "visto que" em textos formais. O "visto que" é mais elegante e demonstra conhecimento linguístico, então recomendo incentivá-lo nos parágrafos de introdução. Grupo de consequência: "logo", "portanto", "assim", "por isso", "desse modo", "em virtude disso", "consequentemente". Aqui tem um ponto que poucos mencionam: "consequentemente" é redundante em muitos contextos. Se você já usou um conectivo causal antes, o "consequentemente" repetido soa exagerado. Achei que substituir por "desse modo" ou simplesmente terminar a frase com "portanto" embutido no final do período funciona melhor. É uma questão de variação, não de regra gramatical.

Grupo de oposição: "contudo", "no entanto", "entretanto", "todavia", "mas", "embora", "ainda que", "concessionais". Esse grupo é onde mais vejo erro. O "embora" exige verbo no subjuntivo e muitos alunos colocam no indicativo. Achei que a correção mais eficiente era treinar exatamente essa concordância modal: "embora seja importante" em vez de "embora é importante". O "ainda que" também merece atenção, porque funciona como concessiva mas carrega um tom de "mesmo que aconteça X, Y permanece válido", o que é diferente de simplesmente opor duas ideias.

Casos específicos que dão trabalho

Tem um conectivo que costuma dar dor de cabeça mesmo pra quem escreve bem: o "não obstante". Achei que muitos alunos usavam como sinônimo de "não obstante" no sentido de "apesar de", mas o uso correto seria "não obstante os fatos apresentados, a decisão permaneceu a mesma". A estrutura exige um substantivo ou uma oração nominal depois, não uma oração verbal direta. Quando o aluno tenta enfiar "não obstante eu tentei", o texto fica forçado e soa artificial. O melhor workaround que achei foi pedir pra substituir por "apesar de" quando a estrutura ficasse muito pesada, mantendo "não obstante" apenas para contextos mais formais e jurídicos. Grupo de adição: "ademais", "outrossim", "além disso", "também", "bem como", "como também". O "ademais" é um desses conectivos que os professores adoram mas os alunos esquecem. Achei que a dica mais útil era ensinar que "ademais" funciona como um intensificador de adição, não como um simples "e também". Ele carrega a ideia de "e ainda por cima", então o contexto tem que justificar esse tom de acréscimo significativo.

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Grupo de explicação: "pois", "que", "visto que", "uma vez que". O "pois" como explicativo é um dos mais subutilizados. Achei que muitos alunos preferiam "porque" em todo lugar, mas o "pois" funciona muito bem em posposição, tipo: "é necessário estudar, pois o conteúdo é extenso". Achei que essa estrutura com vírgula antes do "pois" dá mais fluidez ao texto do que começar a oração com "porque" do zero.

Erros que eu vejo todo dia

O primeiro erro recorrente é o uso excessivo de "portanto" e "logo" como se fossem intercambiáveis. Eles não são. O "portanto" indica conclusão lógica direta, enquanto "logo" pode indicar tanto consequência quanto conclusão, mas num registro mais formal. Achei que a diferença prática é: se você quer mostrar que algo decorre necessariamente de uma premissa anterior, "portanto" é mais preciso. Se quer indicar umainferência mais branda, "logo" funciona, mas em contextos acadêmicos mais rigorosos o "portanto" é preferível. O segundo erro grave é a falta de variação. Achei que textos com três "porque" seguidos soam como se o autor não tivesse repertório. O ideal é distribuir os conectivos ao longo do texto, usando sinônimos e estruturas diferentes pra mesma função lógica. Um parágrafo pode usar "visto que" pra introduzir uma causa, outro pode usar "uma vez que" pra um argumento similar, e um terceiro pode empregar "pois" de forma posposta. Essa distribuição mostra domínio, não apenas conhecimento de vocabulário.

Grupo de tempo e ordem: "quando", "enquanto", "antes que", "depois que", "assim que", "mal", "desde que". O "mal" como conectivo temporal é daqueles que os alunos nunca usam, mas que podem dar um tom mais sofisticado ao texto. "Mal cheguei, já percebi o problema" soa mais conciso do que "Assim que cheguei, já percebi o problema". Achei que ensinar esses conectivos mais curtos ajuda a variar o ritmo textual, evitando sempre o padrão "quando...então..." que fica monótono.

Limitações que ninguém conta

Tem um problema real com listas de conectivos: elas podem criar a ilusão de que o texto melhora automaticamente quando você enche de termos formais. Nada disso. Um texto cheio de "não obstante", "mediante", "outrossim" e "ademais" mal conectados logicamente é pior do que um texto simples com "porque", "mas" e "então" bem empregados. Achei que a qualidade da argumentação importa mais do que a sofisticação do conectivo. Conectivos são ferramentas de articulação, não ornamentos. O outro ponto importante é que alguns conectivos não funcionam bem em todos os contextos register. O "todavia" é muito formal e pode soar deslocado num texto jornalístico informal ou num blog. O "mas" é mais versátil e funciona em praticamente qualquer situação. Achei que a recomendação prática era dominar bem os conectivos básicos primeiro, porque eles dão conta de 80% dos casos, e só então partir pro repertório mais específico quando o contexto realmente pedir.

Grupo de dúvida e hipótese: "caso", "se", "ainda que", "quem sabe". O "caso" como conectivo condicional é outro que merece atenção. "Caso chova, cancelamos o evento" é mais direto do que "Se chover, cancelaremos o evento". Achei que a diferença é sutil mas importante: "caso" tende a indicar uma hipótese mais distante, mais incerta, enquanto "se" pode indicar uma possibilidade mais imediata. Num texto dissertativo, essa nuance pode fazer diferença na construção do argumento. Achei que o exercício mais útil que funcionou comigo era pedir pra os alunos reescreverem um parágrafo trocando todos os conectivos por sinônimos diferentes, mantendo o sentido original. Isso força a refletir sobre a função lógica de cada termo, em vez de apenas decorar uma lista solta. Depois de fazer isso por algumas semanas, a escolha dos conectivos fica mais natural, porque o aluno passa a pensar em "o que eu quero dizer" antes de pensar "qual conectivo eu vou usar".