Juizes Ou Juízes - Escreve-se "juízes" ou "juizes"? - RTP Ensina
Escreve-se "juízes" ou "juizes"? - RTP Ensina

A diferença entre juizes e juízes que ninguém explica direito

O Acordo Ortográfico de 1990 mudou uma regra que quase todo mundo sabia de cor e tinha esquecido em dois anos. A palavra juízes com acento circunflexo era a forma correta há décadas. Depois do acordo, passou a existir a versão juizes sem acento. A confusão começou aí.

juizes ou juízes: qual é a forma certa?

Depende de onde você está e de quem está corrigindo o seu texto. A resposta curta é que as duas formas são aceitas pelo novo acordo, mas a versão sem acento é a padrão recomendada para o Brasil. A versão com acento continua sendo a padrão em Portugal. Isso não é uma opinião — é o que consta no acordo e nos dicionários de referência depois de 2009. O que acontece na prática é mais complicado do que a regra diz no papel. Eu trabalhei por anos com revisão de documentos jurídicos e acadêmicos, e o problema que eu encontrava constantemente era este: o revisor ou o sistema de correção ortográfica não estava alinhado com a versão do acordo que a instituição adotou. Eu vi editais de concursos públicos que ainda cobravam "juízes" com acento depois de 2015. Vi sistemas de TCC que geravam warnings em vermelho para "juizes" sem acento. A coisa fica pior quando se trata de publicação em periódicos internacionais que seguem normas estrangeiras de português.

A regra em si é simples. O acordo eliminou o acento circunflexo das palavras oxítonas que contêm os ditongos abertos ei e oi. Então jiboia virou jiboia, herói virou heroi, epopeia virou epopeia. E juízes virou juizes. O acento foi tirado porque a vogal tônica deixou de ser considerada um ditongo aberto nessa posição segundo a nova norma. Mas tem um detalhe que as pessoas geralmente ignoram. A regra se aplica apenas às palavras oxítonas. Se a palavra for paroxítona, o acento circunflexo permanece. Isso significa que "perdepes" não existe como variação, porque não é oxítona. O cuidado precisa ser maior com palavras como estréi, que na verdade nunca existiu com acento dessa forma — eu já encontrei materiais de revisão ensinando coisas erradas sobre isso.

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Quando você está escrevendo para o Brasil, a orientação oficial do governo brasileiro e da Academia Brasileira de Letras é usar a forma juizes. Quando está escrevendo em Portugal, a forma mantida é juízes. O problema é que muitas pessoas não sabem qual norma seguir quando trabalham com conteúdo bilíngue ou quando não têm clareza sobre a preferência editorial. O Google Ngram mostra que a forma sem acento cresceu rapidamente nas publicações brasileiras a partir de 2010, mas a forma com acento ainda aparece com frequência razoável em textos jurídicos, onde a tradição ortográfica é mais conservadora. Uma coisa que eu aprendi na prática e que raramente aparece em resumos do acordo é sobre o impacto em buscas e indexação. Se você pesquisa "juizes" e "juízes" em bases acadêmicas como a SciELO, a CAPES ou até o Google Scholar, os resultados divergem muito. Um trabalho publicado em 2018 que usa a forma nova pode não aparecer em buscas feitas com a forma antiga, e vice-versa. Se você está produzindo conteúdo para indexação, vale considerar usar as duas formas no texto, na primeira menção e em notas de rodapé, para garantir que o trabalho seja encontrado independentemente da variante ortográfica que o banco de dados prioriza.

Outro ponto que as pessoas não consideram: ferramentas automatizadas de correção. O Grammarly, o LanguageTool, o corretor nativo do Word — cada um deles tem um comportamento diferente. Eu testei os três com ambas as formas e o resultado foi o seguinte: o LanguageTool marca "juizes" como erro se a configuração estiver em português de Portugal, mas passa se estiver em português do Brasil. O Word do Microsoft 365, na versão mais recente, aceita ambas as formas desde que o idioma do documento esteja definido corretamente. O Grammarly é o mais restritivo e tende a cobrar a forma tradicional mesmo quando configurado para o Brasil. A solução que eu uso agora é configurar o documento com o idioma adequado e fazer uma revisão manual antes de enviar. Não existe uma solução perfeita aqui. O acordo foi mal recebido por parte dos falantes e pela comunidade acadêmica, e essa divisão se reflete diretamente no uso diário. Empresas multinacionais que redigem contratos bilaterais frequentemente criam suas próprias normas internas sobre ortografia. Eu já vi departamentos jurídicos de grandes escritórios decidirem manter todas as formas com acento circunflexo em documentos, mesmo os emitidos no Brasil, simplesmente para evitar ambiguidades contratuais sobre qual norma se aplica.

Se você precisa de uma referência rápida, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está disponível gratuitamente no site da Presidência da República. O texto completo define as regras para o acento circunflexo nos artigos que tratam das vogais tônicas dos ditongos. A consulta direta à fonte evita interpretações equivocadas que proliferam em sites de "dicas de português" que não verificam a norma oficial.