Acentuação de palavras terminadas em "a" no português brasileiro
juiza tem acento ou não
A palavra juíza leva sim acento circunflexo no "i". A dúvida é comum porque o acento da forma masculina juiz (aguda, no "z") não se repete no feminino de maneira óbvia. Escreve-se com circunflexo por regra de acentuação gráfica: paroxítonas terminadas em ditongo "a" seguidas de vogal nasal são acentuadas. O "i" recebe o circunflexo porque ele fecha a sílaba tônica anterior e o "z" marca a nasalidade que se reflete na grafia. Na prática, eu já vi esse erro aparecer de novo em editais de concurso público. Um candidato de direito penal marcou a alternativa com "juiza" sem acento como correta numa questão de ortografia. A banca considerou errado. Não tem como argumentar contra isso em recurso, a gramática normativa é clara. O mesmo vale para chuíza, chuízi (formas menos frequentes, mas obedeceu a mesma lógica). A palavra juíz no masculino não tem acento circunflexo — ela é oxítona terminada em "z", que por regra não leva acento gráfico próprio, só a sílaba final que já é naturalmente tônica.
Aqui vai uma coisa que pouca gente explica direito: o circunflexo em "juíza" também serve para marcar a diferença fonológica entre a vogal "i" semiaberta e a "e" fechada que poderia aparecer em outras formas flexionadas. Se escrevêssemos "juiza", o leitor poderia tentar ler com ditongo oral aberto, o que não corresponde à pronúncia real. O acento funciona como uma trava fonética. Eu costumava usar esse argumento em aulas de redação — funciona, porque mostra que a ortografia não é arbitrária, ela mapeia sons que de outra forma seriam ambíguos.
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Regras aplicáveis e exceções
As paroxítonas terminadas em ditongo nasal (como juíza, vílan, múlica) levam circunflexo quando o "i" ou "u" do ditongo é tônica. A exceção importante é: se a palavra for oxítona terminada em "a(s)", "e(s)", "o(s)", "em", não leva acento, salvo os casos específicos dos verbos no imperativo afirmativo. "Juíza" é paroxítona porque o "i" está na penúltima sílaba e carrega a tonicidade. Confusão frequente: quem pensa que todas as paroxítonas levam acento. Não é isso. Só as que terminam em "ã(s)", "ãs", "l", "n", "r", "x", "ps", "um", "uns", "im", "ims", "ãe", "õe", ditongo (como é o caso). Um problema prático que eu encontrei: em textos digitais, muitos corretores automáticos marcam "juíza" como erro de digitação porque o dicionário deles não está atualizado ou porque interpretam a forma sem acento como válida em português europeu. Em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1990 suprimiu alguns acentos diferenciais, mas a forma "juíza" continua acentuada tanto no português do Brasil quanto no de Portugal. A confusão vem de regras diferentes de "pá" versus "pa", que tiveram alterações, mas não atingiram "juíza". Recomendo usar o corretor do Word ou do Google Docs com o dicionário configurado para português brasileiro (pt-BR), que reconhece a forma acentuada corretamente.
Outra nuance: quem escreve muito tem a tendência de escrever "juiza" sem acento porque a visão do ditongo "ai" parece óbvia. O truque que eu uso é pensar na forma masculina. Se o masculino é "juiz" (sem acento, mas oxítona), o feminino "juíza" ganha o circunflexo para marcar a paroxítona tônica no "i". É um mnemônico simples que evita o erro recorrente.
juiza tem acento — resumo rápido para consulta
Sim, juíza leva acento circunflexo no i. A forma correta é juíza. A regra é a de paroxítonas terminadas em ditongo nasal com a vogal tônica marcada. Erros comuns incluem confundir com "juiz" (masculino, sem acento circunflexo) e escrever a forma sem acento em contextos formais como editais de concurso e peças jurídicas, onde a banca cobra a norma culta. Em textos informais, o erro passa despercebido na fala, mas na escrita normativa é considerado incorreto.