Introdução Para Redação Do Enem - 6 Modelos de Introdução e Conclusão para A Redação Do ENEM | PDF ...
6 Modelos de Introdução e Conclusão para A Redação Do ENEM | PDF ...

Como funciona na prática uma introdução que não zero

A maioria dos estudantes escreve a introdução como se fosse um exercício de encaixe de frases prontas. Eles pegam um tema, escolhem uma reposta decoreba e tentam meter o todo junto. O resultado habitual é um parágrafo de três linhas que não diz nada de específico sobre o problema proposto. Isso acontece porque o foco está errado. Não se trata de mostrar conhecimento geral, mas de delimitar o que vai ser discutido naquele texto. Uma introdução padrão do ENEM costuma ter entre três e cinco frases. A primeira apresenta o tema no contexto, a segunda ou terceira fazem a tese — ou seja, apontam a linha de argumentação que você vai seguir — e a última, quando existe, antecipa brevemente os argumentos. O problema é que muitos candidatos confundem contextualização com exposição desnecessária. Falam do passado quando poderiam ir direto ao ponto.

Introdução para redação do enem: o que funciona mesmo

Eu já corrija centenas de redações e posso te dizer algo que talvez não queiram ouvir: a maioria das teses que aparecem nas introduções são genéricas demais. "É preciso combater o problema" não é uma tese. É um desejo. Uma tese precisa indicar qual é o eixo da sua argumentação. Por exemplo, em vez de escrever que é necessário combater a discriminação racial, você poderia dizer que essa discriminação se perpetua por meio de políticas públicas insufficientes e da falta de representation em espaços de decisão. Isso já direciona os dois parágrafos de desenvolvimento. Uma coisa que vejo todo ano e que causa erro grave é a contextualização exagerada. Alunos gastam metade da introdução falando sobre a Constituição de 1988 ou sobre conceitos filosóficos soltos. O examinador não quer saber se você lembra que a Constituição existe. Ele quer saber se você consegue conectar o tema a algo concreto. Li uma redação em que o candidato começou falando sobre Platão e sua teoria das ideias para discutir acesso à tecnologia nas escolas públicas. A conexão era inexistente. Perdeu ponto na competência 2 por descontextualização. Outro detalhe que ninguém ensina: a ordem das frases importa. Se você colocar a tese no início e a contextualização no final, o parágrafo fica estranho. A lógica natural é contextualizar primeiro, apresentar o problema, então declarar a tese. Funciona porque o leitor precisa de um gancho antes de receber uma afirmação. Há também uma armadilha comum relacionada ao uso de conectivos. Colocar "Neste sentido", "Diante disso" ou "Sob essa ótica" no início da introdução é um erro. Esses conectivos exigem um antecedente. Na introdução não há antecedente. Use-os nos desenvolvimentos, onde fazem sentido. Na introdução, comece direto. Um erro específico que marquei é a repetição do tema. O candidato repete as mesmas palavras do enunciado sem variação. Se o tema é "os desafios para a valorização da cultura afro-brasileira", não adianta usar essa frase inteira no primeiro período. Parafraseie. Diga "a manutenção de práticas culturais de origem africana no Brasil contemporâneo". Mesmo sendo um sinônimo, mostra que você está pensando no conteúdo, não copiando. Aqui vai um exemplo real. Tinha uma redação sobre segurança pública em que o aluno escreveu: "A segurança pública no Brasil é um problema grave e antigo, que affeta milhões de cidadãos." Isso é introdução de quem não sabe o que vai argumentar. A mesma redação, se tivesse escrito: "A insegurança urbana no Brasil reflete, principalmente, a falência de políticas de prevenção à criminalidade e a superlotação do sistema prisional", já estaria traçando dois eixos claros para os desenvolvimento. O correto é simples: a introdução é um contrato com o leitor. Você promete algo e depois entrega. Se a promessa é vaga, a entrega também será.