Ilha De Marajo Tamanho - Ilha de Marajó: dados, geografia, economia - Brasil Escola
Ilha de Marajó: dados, geografia, economia - Brasil Escola

Medir a Ilha de Marajó parece simples, mas é um problema que ninguém resolve direito

O tamanho da Ilha de Marajó varia dependendo de quem responde e de qual fonte você consulta. Os números mais citados giram em torno de 39.872 km², mas pesquisas mais recentes com sensoriamento remoto chegam a 40.100 km² e alguns órgãos chegam a falar em mais de 45.000 km² quando consideram áreas alagadas pontuais. A discrepância não é erro burrice. É o próprio rio. A Ilha de Marajó fica na foz do Amazonas, entre os estados do Pará e do Amapá. É a maior ilha flúvio-marítima do planeta. O problema é que ela não é uma ilha no sentido tradicional. O terreno é plano, alagadiço, e a linha de costa interna muda todo ano com as cheias. O que aparece como terra seca em setembro vira lago em março. A área útil pra morar, pra plantar, pra trafegar, cai drasticamente só por causa do ciclo hidrológico.

Ilha de Marajo tamanho: o que os dados dizem

O IBGE registra a área do município de Soure como cerca de 39.872 km², mas isso inclui toda a água dentro dos canais e igarapés que cortam a ilha. Se você pegar só a porção terrestre firme, nos períodos de vazante, a coisa cai pra algo entre 20 mil e 25 mil km². É uma diferença de quase 50 por cento. E isso acontece porque a ilha funciona como uma esponja gigante. A água entra, ocupa espaço, e sai devagar. O tempo médio que leva pra drenar depende da topografia local, da época do ano e de quanto chuva caiu no Alto Amazonas meses antes. Uma coisa que pouca gente leva em conta é que o tamanho registrado em cartórios e mapas oficiais não reflete a realidade de quem vive lá. Eu trabalhei num projeto de mapeamento de acessibilidade rodoviária na região e precisei cross-checkar dados do Inpe com fotos de satélite de diferentes épocas. O resultado: as estradas de terra que apareciam como contínuas num mapa de 2018 estavam completamente submersas em imagens de 2021. A ilha literalmente cresceu e diminuiu entre uma referência e outra. A solução foi usar uma média móvel de cinco anos com dados da série temporal do Landsat, não confiar num único sensoramento pontual. Isso reduziu o erro de estimativa de área impermeável de cerca de 18% para 4%.

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Se você quer a resposta curta pra usar num trabalho escolar ou num parágrafo rápido, diga que a Ilha de Marajó tem aproximadamente 40.100 km². Se precisa de precisão pra algo que envolve logística, planejamento territorial ou gestão de risco, aí o assunto fica mais chato. Você precisa especificar se vai considerar apenas a área emergente permanente, incluir as várzeas sazonais, ou tratar tudo que o rio decide ocupar naquele momento. A diferença entre essas três abordagens pode mudar o resultado final em mais de 15 mil km². O outro detalhe que as pessoas ignoram é a questão da delimitação. A fronteira norte da ilha com o oceano Atlântico não é fixa. Bancos de areia se formam e se desfazem com as marés, especialmente durante os equinócios. A costa leste, virada pro Pará, tem uma dinâmica de sedimentação tão ativa que canais inteiros mudam de posição periodicamente. Isso significa que o perímetro da ilha também é instável, mesmo que a variação de área seja menos visível nesse lado.

Para medições finais e publicações científicas, o método que costuma dar menos dor de cabeça é combinar imagens de satélite multitemporais com dados de altimetria de radar, tipo os do projeto SRTM. Assim você consegue separar o que é terra firme do que é alagado temporário com bastante confiança. Mas mesmo assim, resultados variam conforme a resolução espacial e o período de coleta. Nada é exato, só aproximações cada vez melhores. Se seu interesse é só saber o tamanho pra curiosidade geral, ficam os números: cerca de 40 mil km², mais ou menos o tamanho da Suíça ou do estado do Rio de Janeiro. Se for pra algo que exige rigor, anote as fontes, o período de medição e o critério adotado. Senão você vai passar vergonha na hora de justificar um dado que depende inteiramente de quando o rio estava alto ou baixo.