O que a hipófise realmente faz
A hipófise, ou glândula pituitária, fica na base do cérebro, dentro de uma pequena cavidade chamada sela túrcica. Ela produz e libera hormônios que controlam outras glândulas endócrinas. Quando ela não funciona direito, o efeito cascata é rápido. Já vi gente com tontura persistente, alteração visual e fadiga extrema que ninguém conseguia explicar até descobrir um adenoma hipófisário.
Hormônios produzidos pela hipófise: o essencial
Vamos direto. Os principais hormônios são divididos em dois lobos. O lobo anterior (adeno-hipófise) produz:
- TSH (hormônio tireoestimulante) – estimula a tireoide a produzir T3 e T4
- ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) – controla a produção de cortisol pelas supra-renais
- FSH (hormônio folículo-estimulante) – regula a produção de óvulos e esperma
- LH (hormônio luteinizante) – trabalha junto com a FSH no eixo reprodutivo
- GH (hormônio do crescimento) – atuação em tecidos, fígado (produz IGF-1), ossos
- Prolactina – produção de leite, inibe ovulação em níveis altos
O lobo posterior (neuro-hipófise) não produz hormônios, mas armazena e libera:
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- Ocitocina – contrações uterinas e ejeção do leite
- Vasopressina (ADH) – retenção de água nos rins
Em resumo, os hormonios produzidos pela hipofise são basicamente esses. A parte complicada é entender como eles se relacionam. No consultório, o mais comum é o médico solicitar TSH, prolactina e GH num primeiro rastreamento. O problema é que muitos esquecem do eixo GHP-IGF-1 e do eixo ACTH-cortisol. Eu já vi casos de acromegalia diagnosticada tarde porque o GH isolado tinha flutuação normal em alguns momentos do dia. A dosagem de IGF-1 foi o que fechou o diagnóstico. A vida media do IGF-1 é muito mais estável do que a do GH, que pode variar até 10 vezes ao longo de 24 horas.
Outro ponto que causa confusão: a relação entre TSH livre e T4 livre. Níveis de TSH levemente elevados com T4 normal não significam necessariamente hipotireoidismo. Pode ser resistência tireoideana, recuperação de doença não tireoidiana, ou até erro laboratorial. Testar novamente em 6 semanas, se o paciente não tiver sintomas, é o padrão. Não trate laboratório, trate o paciente. Se você tá com suspeita de hiperprolactinemia, não pule o exame de imagem. O nível de prolactina ajuda a definir o tamanho provável do adenoma. Valores acima de 200 ng/mL quase sempre indicam macroadenoma. Abaixo disso, pode ser apenas compressão do pedúnculo hipófise ou hiperprolactinemia funcional. A RM de hipófise com contraste é o padrão ouro para confirmar.
Quanto à vasopressina (ADH), vale lembrar que o diabetes insípido central é diferente do nefrogênico. No central, a hipófise não libera ADH suficiente. No nefrogênico, os rins não respondem ao hormônio. O teste de privação hídrica com medição de osmolalidade sérica e urinária separa os dois. Se após a administração de desmopressina a osmolalidade urinária aumentar mais de 50%, é diabetes insípido central. Senão, é nefrogênico. Uma observação prática: a amostra de prolactina deve ser colhida em jejum, entre 8h e 10h da manhã, com o paciente em repouso há pelo menos 30 minutos. Estresse, exercício e até a agulha da punção podem elevar a prolactina. Coleta fora desses critérios gera falso positivo e leva a investigação desnecessária.
Se a pergunta é sobre hormônios produzidos pela hipófise, a resposta curta é os seis do lobo anterior mais os dois do lobo posterior. A resposta completa envolve entender que cada um tem um eixo, um padrão de secreção e um ponto de falha que todo clínico deveria conhecer.