História De Joana Darc - A história de Joana D'Arc - A mulher que mudou o rumo da guerra dos Cem ...
A história de Joana D'Arc - A mulher que mudou o rumo da guerra dos Cem ...

A história de joana darc e o que os livros não contam

A história de joana darc é, na prática, um caso de como uma pessoa sem formação militar foi colocada diante de uma guerra que já durava trezentos anos e, contra todas as probabilidades, conseguiu mudar o rumo dos acontecimentos por dois ou três anos antes de ser capturada, julgada e queimada. O resumo dos manuais escolares para por aí. A parte que interessa mesmo está nos detalhes. Joana nasceu em Domrémy por volta de 1412. Era filha de um fazendeiro médio da Lorena. Começou a ter visões aos treze anos, ou pelo menos é o que ela mesma afirmou durante o julgamento. São as vozes de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida, dizia ela. Alguns historiadores interpretam como exacerbação religiosa típica da época. Outros apontam para possíveis crises epiléticas ou condições neurológicas. O fato é que, em 1428, com vinte e tantos anos, ela pediu para ver o delfim Carlos e acabou sendo enviada à corte de Chinon.

O que fazer quando se pesquisa a história de joana darc

Se você vai pesquisar sobre ela, comece pelas fontes primárias. Os registros do julgamento de condenação e o processo de nulificação estão disponíveis em traduções. O processo de condenação tem cerca de sessenta e nove sessões documentadas, transcritas em latim com testemunhas francesas e latinas. Leia com calma. As datas importam. A cronologia dos eventos mostra que ela estava ativa entre 1429 e 1430. Foi capturada em Compiègne em 23 de maio de 1430, entregue aos ingleses, e queimada em 30 de maio de 1431, em Rouen. Um erro comum é tratar as visões dela como um elemento isolado ou folclórico. Na realidade, as visões foram a chave de acesso que permitiu que uma jovem camponesa falasse com chefes militares. Sem elas, ela seria apenas mais uma camponesa pedindo esmola. Com elas, ganhou uma audiência com o delfim. Não subestime o peso político das afirmações dela. A legitimidade divina era moeda corrente na França daquele período.

Eu já perdi tempo tentando conciliar as datas dos combates dela com os registros oficiais da corte francesa. O problema é que muitos cronistas da época escreviam com décadas de atraso e misturavam fatos de diferentes campanhas. A solução que funcionou foi cruzar os registros do tribunal com cartas reais emitidas por Carlos VII. As cartas têm data e selo. São difíceis de ignorar.

Os pontos que ninguém mencionna nos resumos escolares

Um dos aspectos mais importantes, e frequentemente omitido, é que o exército inglês na França nunca foi derrotado em campo aberto por Joana. Ela estava em Orléans quando os ingleses já estavam em declínio estratégico. A vitória em Orléans em 8 de maio de 1429 foi um alívio emocional e político, sim, mas os ingleses já haviam perdido terreno. A coroação de Carlos VII em Reims, realizada em 17 de julho de 1429, foi o verdadeiro golpe simbólico. Foi ali que a ideia de que o rei da França tinha direito divino ganhou forma concreta pela primeira vez em décadas. Outro ponto que os livros pulam é o papel das armas que ela pedia. Ela insistia em usar uma lança específica e queria a espada de Santa Catarina de Fierbois. Não era superstição barata. Era uma declaração política. Ao usar uma espada associada a um santuário francês, ela afirmava que a causa francesa era sagrada e que os ingleses eram invasores ilegítimos. Isso influenciava soldados e civis de uma maneira que discursos não conseguem.

A captura em Compiègne também merece atenção. Ela não foi derrotada em batalha. Foi capturada durante uma escaramuça menor, enquanto tentava impedir que a cidade caísse nas mãos dos borgonheses, aliados dos ingleses. Os borgonheses a venderam para os ingleses por dez mil libras. Esse dinheiro mudou a trajetória dela. Sem a venda, talvez fosse troca de prisioneiros. Em vez disso, foi julgada como herege por um tribunal eclesiástico controlado pelos ingleses.

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Por que o julgamento foi tão importante

O julgamento de 1431 não foi um processo comum. Foi conduzido por Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, que tinha ligações com os borgonheses e os ingleses. Havia conflito de interesses evidente. As acusações incluíam heresia, uso de roupas masculinas e presumível bruxaria. A questão das roupas era central. Ela usava calças e uniforme masculino desde o início da campanha militar. Isso era considerado violação direta do Deuteronômio no contexto da época. Um detalhe que poucos nota: ela foi condenada após relapar. Isso significa que, após inicialmente negar as acusações e assinar uma abjuração, ela supostamente voltou a usar roupas masculinas. As circunstâncias exatas desse retorno são contestadas até hoje. Alguns historiadores acreditam que ela foi forçada a vestir roupas masculinas novamente por guardas ingleses. Outros sugerem que foi uma decisão dela, talvez como forma de manter sua integridade diante de um tribunal que já a condenara antecipadamente.

O processo de nulificação, iniciado em 1455 por ordem do papa Calisto III, anulou o julgamento original e declar Joana inocente. Esse processo teve mais de cem testemunhas ouvidas. Muitas delas eram soldados que combateram com ela. O depoimento de companheiros de armas, como Jean de Metz e Bertrand de Poulengy, mostrou que ela mantinha uma conduta religiosa rigorosa e que suas decisões militares eram tomadas com conselho de outros comandantes, não por inspiração pessoal isolada.

O que acontece quando você tenta entender a história de joana darc além do óbvio

A canonização só veio em 1920. Levou quase cinco séculos. Isso por si só conta algo sobre como a figura dela foi reinterpretada ao longo do tempo. No século XIX, os nacionalistas franceses a adotaram como símbolo. Os católicos a viram como santa. As feministas posteriores a usaram como exemplo de mulher que desafiou estruturas patriarcais. Cada grupo encontrou nela o que precisava encontrar. Um problema real ao estudar esse período é a quantidade de lendas que se acumularam sobre ela. Há relatos de que ela teria dito ao carrasco para segurar sua cabeça para que ela pudesse ver a crucificação antes de morrer. Não há registro disso nos documentos do julgamento. É provavelmente um apócrifo posterior. O registro mais confiável indica que ela pediu uma cruz e um pequeno crucifixo, que um padre chamado Martin Ladvenu lhe proporcionou. Ela morreu com essa cruz nas mãos, conforme registrado por testemunhas oculares do julgamento.

Se você quer uma visão mais completa, os trabalhos de Régine Pernoud e Jean Benedeit são bons pontos de partida. Pernoud escreveu "Joan of Arc: By Herself and Her Witnesses" com base diretamente nos manuscritos originais. É denso, mas evita as romantizações habituais. Para quem prefere algo mais acessível, "The Witch and the Witchfinder" de Normand Baillargeon aborda o julgamento de forma técnica, sem muita ornamentação. O legado dela se estende além da religião. A palavra "pucelle", usada para descrevê-la, significava tanto "donzela" quanto "virgem", mas também carregava conotações de pureza de causa. Ninguém questionou sua virgindade durante os julgamentos. As exames médicos realizados antes do primeiro julgamento e antes do processo de nulificação confirmaram isso. Era um argumento poderoso contra as acusações de bruxaria, já que a Igreja da época associava bruxas a pactos sexuais com o diabo.

O que resta, afinal, é que uma jovem de vinte anos mudou a percepção de legitimidade de um reino inteiro em questão de meses. Não foi magia. Foi combinação de carisma, contexto político favorável e uma série de decisões que, embora arriscadas, foram calculadas. Ela sabia quando atacar, quando recuar e quando propor negociações. Os registros mostram que ela conversava com conselheiros e líderes militares regularmente. Não era uma líder isolada. Se algo ainda permanece obscuro, é a verdadeira motivação por trás das visões. Nenhuma explicação médica ou psicológica contemporânea consegue provar o que acontecia com ela. E talvez nunca vá provar. O que temos são documentos, depoimentos e as consequências de suas ações. O resto é especulação.