Gramatica Celso Cunha - Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha, Lindley ...
Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha, Lindley ...

Por que ainda consultamos Celso Cunha em 2024

Eu estava corrigindo uma redação institucional quando me deparei com uma dúvida fina sobre a regência de "impingir". Não é um verbo comum. Abri o Celso Cunha, volume 2, capítulo de regência verbal, e encontrei a resposta na página 312, com a nota de que a construção com "a" é a padrão, mas que a variação com "em" aparece em autores do século XX. Isso é útil porque mostra que a norma culta não é monolítica. A gramática Celso Cunha, escrita originalmente por Celso Cunha e hoje atualizada por Antonio Leite, continua sendo a referência mais consultada em concursos, revisões editoriais e preparação acadêmica no Brasil. O livro não tenta ser divertido. Ele é denso, organizado por tópicos e com milhares de exemplos extraídos de textos consagrados. Se você precisa de uma resposta rápida e precisa sobre concordância, regência ou colocação pronominal, ele quase sempre tem o que você procura.

O que a gramática Celso Cunha oferece na prática

O livro se divide em dois volumes principais. O primeiro cobre fonologia, morfologia, sintaxe de concordância e regência, com uma atenção especial às variações entre o padrão formal e os usos coloquiais documentados. O segundo volume trata de sintaxe de correlação, orações subordinadas, períodos compostos e um glossário extenso. Cada capítulo termina com exercícios, muitos deles retirados de bancas de concurso anteriores. A versão atualizada pela editora Lexikon introduziu pequenas reformulações nos capítulos de sintaxe, mas manteve a estrutura original. A diferença principal está na nomenclatura: termos como "objeto direto indireto" e "objeto preposicionado" foram padronizados, e as tabelas de conjugação verbai receberam atualizações para incluir formas perifrásticas que ganharam força no português contemporâneo.

Como usar o livro sem perder tempo

O maior erro que vejo é abrir o Celso Cunha na página inicial e tentar ler linha por linha. O livro não foi feito para isso. Ele é um manual de consulta. A melhor forma de usá-lo é saber exatamente qual tópico você precisa e ir direto ao capítulo correspondente. O índice remissivo no final do volume 1 é particularmente útil: você digita o termo, encontra a seção, e lê apenas o parágrafo relevante. Eu costumo levar o volume 2 quando preciso esclarecer dúvidas sobre orações subordinadas adverbiais ou relativas. Há uma passagem na página 487 que explica a diferença entre "cujo" como pronome relativo e "cujo" como adjetivo possessivo, com exemplos contrastados. Isso resolve muita confusão em redações formais.

Outra dica prática: os exercícios ao final de cada capítulo não são meramente acadêmicos. Muitos foram adaptados de provas da FGV, CESPE e Vunesp. Se você está se preparando para concurso, fazer esses exercícios depois de revisar o conteúdo economiza horas de busca por materiais esparsos na internet.

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Limitações que ninguém costuma destacar

O Celso Cunha não cobre variações dialetais contemporâneas com a profundidade que linguistas como Norbert Schmitz ou Edgar Alves da Silva apresentam em seus trabalhos. Se o seu interesse é a língua falada no Nordeste ou na Amazônia, o livro vai te deixar na mão. Ele foca no padrão culto Written, que é útil, mas não abrangente. Também há problemas de atualização. A última reimpressão que tenho em mãos data de 2019, e alguns exemplos ainda citam construções que caíram em desuso no português brasileiro contemporâneo. A regência de "assistir" no sentido de "ver", por exemplo, aparece como variações aceitáveis, mas em contextos formais atuais essa acepção é consideradaarcaica.

Se você precisa de uma referência mais atualizada sobre variação linguística, recomendo complementar com "Nova gramática do português contemporâneo", de Evanildo Bechara, ou com artigos da ABANTAG. O Celso Cunha funciona como base sólida, mas não como fonte única.

Um caso específico que aprendi na prática

Estava revisando um contrato jurídico e encontrei a expressão "visa a fins lucrativos". A dúvida era se "visa" pede complementação com "a" ou se pode ser usadoabsolutamente. Consultei o Celso Cunha, capítulo de regência do verbo "visar", e a regra é clara: quando significa "ter como objetivo", o verbo é transitivo direto, ou seja, "visa fins lucrativos" está correto, sem preposição. A forma com "a" só ocorre quando o sentido é "mirar", como em "visar ao alvo". Esse tipo de distinção parece óbvio na teoria, mas na prática contratual as pessoas erram com frequência. Eu passava meses corrigindo textos e ainda insistia na regência errada por hábito. Depois de consultar o trecho no Celso Cunha e anotar a regra num caderno, o erro parou. Não foi mágica, foi repetição com base normativa correta.

Download e onde encontrar

O livro é comercializado pelas editoras Lexikon e Rio de Janeiro, tanto em formato físico quanto digital. Não recomendo versões piratas porque as páginações das edições mais recentes mudaram, e consultar exerc