Futuro Do Presente E Futuro Do Preterito - Atividade Complementar de Linguagem-4: Futuro do Presente e Pretérito ...
Atividade Complementar de Linguagem-4: Futuro do Presente e Pretérito ...

Verbos no futuro em português: a confusão que ninguém resolve

O futuro do presente e futuro do preterito são dois tempos verbais que todo mundo aprende na escola e todo mundo esquece na vida real. A diferença é simples na teoria, mas na prática você vê gente errando o tempo inteiro, especialmente com verbos irregulares e na fala coloquial.

futuro do presente e futuro do preterito — o que realmente são

O futuro do presente indica algo que vai acontecer. Eu farei, tu farás, ele fará, nós faremos, vós fareis, eles farão. A formação é regular: pega a infinitivo do verbo e adiciona as terminações -ei, -ás, -á, -emos, -eis, -ão. Para verbos como amar, correr, viver, não tem segredo. O futuro do pretérito indica uma ação hipotética ou conditional. Eu faria, tu farias, ele faria, nós faríamos, vós faríeis, eles fariam. As terminações mudam para -ia, -ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam. O mesmo radical do infinitivo. Fazer vira faria, não fazeria — isso é importante porque muita gente junta o radical conjugado com a terminação errada.

Aqui vai algo que os manuais não destacam suficiente: o futuro do pretérito em português também funciona como politeidade, não apenas como condition. "Eu queria um café" soa mais educado que "Eu quero um café". Isso não é regra gramatical formal, é uso social consolidado. Eu descobri isso na marra quando atendi ligações de atendimento ao cliente e percebi que clientes brasileiros reagiam melhor quando eu usava o futuro do pretérito para fazer solicitações, mesmo que a situação fosse direta.

Como formar sem errar

A abordagem mais confiável que eu já vi funcionar é começar pelos irregulares. Os regulares você nunca vai esquecer. Os irregulares é que causam problema. Verbos com irregularidades no futuro do presente mais comuns:

Ter — terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (não "terei" com s) Pôr — porei, porás, porá, poderemos, poreis, porão (radical irregular: poder-)

Fazer — farei, farás, fará, faremos, fareis, farão (radical far-) Dizer — direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão (radical dir-)

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Vir — virrei, virrás, virrá, virremos, virreis, virão (cuidado com o duplo r) Para o futuro do pretérito, os irregulares do futuro do presente herdam o mesmo radical irregular. Farei vira faria. Direi vira diria. O radical se mantém, só troca a terminação.

Eu já vi gente escrever "eu farei" corretamente e na hora do condicional cair na armadilha de usar o radical do pretérito perfeito — "eu fizera" em vez de "eu faria". Isso acontece porque o cérebro associa o passado ao condicionário de forma errada. O futuro do pretérito não tem nada a ver com o pretérito perfeito. É um tempo futuro usado com sentido condicional, e a nomenclatura confunde até quem ensina.

Um problema real que eu encontrei

Numa oportunidade específica, precisei corrigir textos de um cliente que era falante nativo de português brasileiro mas produzia conteúdo formal em português europeu. A confusão principal era o uso do futuro do pretérito em contextos que em pt-BR seriam tratados com o futuro do presente + marcador de probabilidade. Por exemplo, ele escrevia "eu farei amanhã" quando o contexto de certeza era alto, e "eu faria amanhã" quando deveria manter o futuro do presente mas com tom de incerteza. A solução prática que funcionou foi criar uma tabela de decisão simples: se a ação é factual e planejada, futuro do presente. Se depende de outra condição ou é hipotética, futuro do pretérito. E se é cortesia ou suavização, futuro do pretérito mesmo sem condição explícita. Essa última categoria é a que mais causa conflito entre as variedades do português.

Pegadinhas que ninguém conta

Uma delas é o pronome oblíquo tônico. Na primeira pessoa do singular do futuro do presente, a forma "eu farei" é correta, mas algumas pessoas insistem em "eu fareis" por analogia com outras conjugações. Não existe "eu fareis". Esse erro aparece com frequência em questões de concurso, e eu já corrigi isso em materiais de estudo várias vezes. Outra pegadinha é a crase. "Iràs à festa" está correto. "Far-se-á" é a forma analítica do futuro do pretérito do infinitivo impessoal, usada em linguagem formal e jurídica. A maioria dos falantes não usa essa forma e não precisa usar, mas se vocêvai ler contratos ou textos legais, vai encontrar.

O futuro do pretérito também aparece em orações conditionais com "se": "Se eu tivesse dinheiro, viajaria." O "tivesse" é pretérito imperfeito do subjuntivo, e o "viajaria" é futuro do pretérito. Essa construção é fixa e não admite variação. Já vi gente trocar o "viajaria" por "viajarei" achando que o sentido de futuro justifica, mas o "se" condicional exige o futuro do pretérito na principal.

Quando isso não funciona bem

O futuro do pretérito em português não tem equivalente exato em inglês, o que causa interferência negativa para falantes de inglês que estão aprendendo. Eles frequentemente usam o futuro do presente onde o português exige o futuro do pretérito, porque em inglês o "would" traduz ambos os sentidos de maneira diferente do português. Além disso, na fala cotidiana do Brasil, o futuro do presente muitas vezes é substituído pela perífrase "vou + infinitivo". "Eu farei" vira "eu vou fazer". Isso é normal e aceitável, mas em contextos formais — documentos, provas, redações — a forma sintética ainda é exigida. O futuro do pretérito, por sua vez, raramente é substituído na fala, então não há essa ambiguidade de registro.

Se você precisa de uma referência rápida para consulta, a conjugação padrão está disponível em ferramentas como o conjugador do Priberam e do CiberDúvidas. Ambos mostram as formas completas dos dois tempos verbais com exemplos. Eu uso o do Priberam porque é mais rápido para buscas por formas irregulares específicas. O que fica é a regra prática: futuro do presente para eventos certos no futuro, futuro do pretérito para eventos condicionais, hipotéticos ou de cortesia. Errar a formação dos irregulares é o problema número um, e a única forma de resolver é treinar os dez ou doze verbos irregulares até decorar. O resto é rotina.