Funcoes Da Palavra Que - Funções da palavra QUE | Portugues para concurso, Linguagem não verbal ...
Funções da palavra QUE | Portugues para concurso, Linguagem não verbal ...

A palavra "que" e tudo que você precisa saber sobre ela

Esse é um dos problemas mais chatos da gramática portuguesa. A palavra "que" aparece em praticamente toda frase e muda completamente a função dela dependendo do contexto. Vou explicar as funções principais, mas também vou falar de coisas que os livros didáticos costumam ignorar.

As funcoes da palavra que no dia a dia

O "que" funciona como pronome relativo quando substitui um substantivo mencionado anteriormente. "O livro que comprei" - aqui "que" se refere a "livro" e atua como objeto direto do verbo "comprar". Parece simples até você se deparar com orações interrogativas indiretas, que é onde tudo começa a complicar. Como conjunção subordinativa, o "que" introduz orações substantivas, adjetivas e adverbiais. Em "Acho que vou embora", o "que" conecta a oração principal à subordinada substantiva objetiva direta. O sujeito "eu" subjende implicitamente. Eu já passei horas reanalisando transcrições de entrevistas porque precisava distinguir conjunção integrante de pronome relativo em estruturas ambíguas como "A matéria que ele estudou era difícil" - aqui funciona como pronome relativo, mas a diferença é sutil e depende da análise estrutural.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Quando funciona como partícula expletiva ou de realce, o "que" aparece em construções como "É que eu não queria ir" ou "Foi então que ele chegou". Essas partículas não têm função sintática própria. Elas servem para marcar ênfase ou dar fluidez à fala. Em análise formal, muitas gramáticas classificam isso como "elemento de ligação sem função sintática", mas na prática isso significa simplesmente que você não precisa tentar encontrar sujeito ou objeto para ele. O uso como pronome interrogativo merece atenção separada. "Que horas são?" versus "Que você quer?" - o primeiro é pronome interrogativo substantivo, o segundo pode funcionar como pronome interrogativo adjetivo ou substantivo dependendo do núcleo. A Ambiguidade aqui é real e causa erro constante em análise sintática manual.

Na língua falada brasileira, especialmente no nordeste e em contextos informais, ouço muito "que" como marcador discursivo no início de frases. "Que foi aquilo?" ou simplesmente "Que?". Esse uso pragmático não tem equivalente claro na norma culta escrita, mas é extremamente comum. Ignorar esse registro em anotações ou transcrições gera distorção na análise. Um problema específico que enfrentei recentemente envolveu a distinção entre "que" conjunção e "que" pronome em textos jurídicos antigos. Encontrei uma cláusula com "os bens que foram penhorados" onde o "que" poderia ser tanto pronome relativo quanto partícula expletiva dependendo da interpretação. A solução que funcionou foi analisar a regressão: se você remove o "que" e a oração subsequente ainda faz sentido sintático como complemento, é conjunção. Se a oração perde o referente, é pronome relativo. Nesse caso específico, mantive a análise de pronome relativo porque "foram penhorados" carecia de sujeito explícito sem o "que".

Outra nuance importante: em comparações, o "que" pode funcionar como conjunção comparativa ("mais alto que eu") ou como preposição em linguagem coloquial ("prefiro chá que café"). Essa última forma é amplamente usada, mas a norma culta prefere "do que" nessa construção. O "que" sozinho soa aceitável na fala, mas em documentos formais pode ser considerado informal. Em resumo, dominar essas funções exige prática de análise contextual. Não existe regra mecânica que cubra todos os casos, especialmente porque o português brasileiro moderno tende a simplificar algumas dessas distinções na linguagem cotidiana.