Como escolher e cortar as unhas dos pés do jeito certo
A maioria das pessoas corta as unhas dos pés em formato arredondado, o que parece inofensivo mas é exatamente o que causa onicocriptose (unha encravada) na grande maioria dos casos. O formato adequado para unhas dos pés é reto, com as laterais deixando a ponta da unha livre, sem curvatura para baixo nos cantos. Esse é o chamado formato reto ou quadrado com cantos levemente arredondados apenas para não criar arestas cortantes. Eu passei anos lidar com pacientes que chegavam com unha encravada no hálux porque cortaram "bem rentinho" nas laterais, achando que assim ficaria mais higiênico. Na prática, isso faz a pele lateral comprimir a unha e forçar o crescimento para dentro do sulco ungueal. Já vi casos onde o paciente havia cortado a unha três vezes seguidas ao longo de duas semanas, cada vez mais curta, até a unha praticamente sumir sob a pele. A solução não foi continuar cortando, e sim deixar crescer completamente e aí sim manter o formato reto.
O que define o formato de unhas do pé correto
O formato ideal segue uma linha reta ao longo da borda livre da unha, paralela à ponta dos dedos. Os cantos laterais não devem ser arredondados significativamente — apenas lixados levemente para evitar que fiquem afiados como lâminas. A unha deve se estender até pouco antes da ponta do dedão, sem cobrir a polpa digital, mas sem deixar um longo "farripa" que acumule sujeira. A espessura também importa. Unhas grossas, comuns em pessoas acima de 40 anos ou em quem pratica esportes de impacto, precisam de um corte diferente de unhas finas. Unha grossa resiste mais ao corte convencional e tende a fendurar se for pressionada de lado. Nesse caso, o ideal é amolecer a unha com água morna por dez minutos antes de cortar, ou usar um corta-unha específico para unhas grossas, daqueles de alavanca.
Existe um detalhe que quase ninguém leva em conta: a unha do hálux cresce em velocidade diferente dependendo do pé. Na maioria das pessoas, o pé dominante — o que você usa mais para estabilidade — tem unha do dedão que cresce mais devagar. Já o pé oposto pode ter um crescimento até 15% mais rápido. Se você nota que uma unha encreva mais que a outra, o problema pode estar na assimetria de crescimento, não apenas no formato do corte.
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Ferramentas e técnica de corte
O corta-unha reto, daqueles de farmácia com lâmina plana, funciona para a maioria das pessoas. Lâminas curvas, feitas para mãos, são inadequadas para pés porque tendem a seguir a curvatura natural da unha e criar os cantos arredondados indesejados. Se você já teve encravamento, considere investir em um corta-unha reto de metal, tipo os usados em podologia profissional — custam entre 30 e 80 reais e duram anos. A técnica correta é: fazer cortes pequenos e graduais, do centro para as laterais, nunca cortando de uma só vez de uma ponta a outra. Cada clique da tesoura remove apenas 1 a 2 milímetros. Pausar entre os cliques e verificar o nível visualmente evita o erro mais comum, que é cortar mais do que o necessário de uma vez e ter que corrigir depois.
Depois de cortar, passar uma lixa de unha (granulação 180/240) suavemente nas laterias apenas para nivelar, sem retirar material significativo. O objetivo é tirar a aspereza, não remodelar o formato. Lixar demais remove a proteção da borda livre e expõe a placa ungueal, facilitando rachaduras.
Quando o formato reto não resolve
Existem condições onde mesmo o corte reto não previne encravamento. Unhas com genética de curvatura acentuada — aquelas que naturalmente crescem em forma de garfo, curvando para baixo nos cantos — vão encravar de qualquer jeito. Nessas situações, o corte reto adia o problema, mas não elimina. A solução passa por técnicas ortonácticas, com placas de acrílico ou fios de aço que levantam a borda da unha ao longo do tempo, ou em casos mais graves, ressecção parcial do leito ungueal feita por podólogo. Calçados também interferem. Sapatos com biqueira muito apertada empurram os dedos para frente e comprimem as laterais das unhas contra a pele. Se você usa esse tipo de calçado no dia a dia, vai precisar cortar as unhas com mais frequência — a cada 10 ou 12 dias, não mensalmente como recomendam os manuais — porque a compressão mecânica acelera o crescimento latero-medial da unha para dentro do sulco.
Outro cenário onde o formato perde importância é em diabéticos com neuropatia periférica. Nessas pessoas, a percepção de dor está reduzida, então um encravamento pode evoluir para infecção sem sinal precoce. O recomendado aqui não é autoprocisão: o corte deve ser feito por profissional de saúde, preferencialmente podólogo, usando técnica asséptica e verificando periodicamente se há sinais de infecção ou crescimento anômalo. O ponto prático que vale gravar é simples: formato reto, corte gradual, ferramenta adequada e frequência ajustada ao seu calçado e ao seu pé. O resto são exceções que precisam de olhar clínico.