Filmes Do Charlie Chaplin - Os 10 melhores filmes de Charlie Chaplin - Descubra sua famosa filmografia!
Os 10 melhores filmes de Charlie Chaplin - Descubra sua famosa filmografia!

Por que assistir filmes do Charlie Chaplin hoje em dia ainda vale a pena

Acho que muita gente subestima o que Chaplin realmente fazia nos palcos e nas telas dele. Todo mundo sabe que era engraçado, mas o nível de precisão técnica que ele impunha nos sets era absurdo. Ele não deixava nada por conta do acaso. Cada timing de gag, cada enquadramento, cada transição entre comédia e drama pesava uma coisa calculada. Quando eu comecei a catalogar fitas dele nos anos 2000, o primeiro problema que eu encontrei foi com fontes. A maioria dos DVDs que circulavam pela década de 90 e início dos anos 2000 vinha de masters deteriorados, muitos com ruído de gravação, cores erradas e trilha sonora que nada tinha a ver com o original. Meus filmes preferidos estavam praticamente inutilizáveis em alta qualidade. Eu acabei tendo que caçar prints de arquivo europeu e americano, comparar frame a frame e montar minha própria coleção usando ferramentas como DragonFire e MPlayer com correções manuais de cor e som. Isso me levou uns dois anos, mas no final eu tinha algo decente pra ver com calma.

Agora vou listar os filmes do charlie chaplin que eu considero essenciais, na minha opinião, baseada no que eu realmente assistia e analisava.

Os filmes do charlie chaplin que todo mundo deveria conhecer

Malandro (The Kid, 1921) Esse é um dos primeiros filmes em que Chaplin misturou comédia pura com drama pesado de forma natural. O menino Jacky coadjuvante é quase tão bom quanto o próprio Chaplin. A sequência do médico tentando separar os dois é devastadora sem ser piegas. A restauração de 1971 traz alguns cortes perdidos que eram importantes pra entender o arco emocional. Vale procurar versões que incluam essas cenas extras, senão você perde metade do impacto.

A Doida (The Gold Rush, 1925) O número do pão francês com garfo e faca é uma das gag mais famosas do cinema mudo, mas o que muita gente não lembra é que a sequência da fome extrema no barraco de neve é dramaticamente superior a quase tudo que os estúdios de Hollywood faziam na mesma época. Chaplin passava dias ensaiando cada movimento. Ele chegou a filmar uma versão alternativa em que o pica-pau era interpretado por um ator de verdade, mas cortou porque tirava o foco do personagem. Detalhes assim aparecem nos making-of que circulam desde os anos 80.

Cidadão Kane do cinema mudo (The Circus, 1928) Esse veio numa fase em que o cinema sonoro já estava explodindo e Chaplin simplesmente se recusou a fazer som. O resultado foi um filme que ainda hoje parece moderno em ritmo. O número do malabarismo com bolas enquanto tenta escapar da polícia é um dos melhores segues de ação silenciosa que já filmaram. Nota: a versão restaurada pela Charlie Chaplin Company em 1999 tem uma trilha sonora nova composta por Charles Chaplin Jr. que não é a original. Se quiser a autêntica, procure a versão de 1976 com a trilha de Chaplin mesmo.

Os Tempos Modernos (Modern Times, 1936) Esse é o ponto alto da crítica social dele. A sequência da fábrica onde ele fica engolido pelas engrenagens virou ícone visual. O problema é que muita gente acha que é só comédia. Não é. É um filme sobre desumanização do trabalho industrial que é tão preciso quanto qualquer ensaio de Charlie Chaplin sobre capitalismo. A cena final, onde ele caminha para fora da tela de mãos dadas com a mulher, é uma das cenas mais subestimadas do cinema americano. A versão 4K da Criterion Collection em 2012 é a melhor que existe até hoje. Não gaste dinheiro com outra fonte.

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A Grande Ditadura (The Great Dictator, 1940) Aqui Chaplin finalmente fala. E fala muito. A paródia de Hitler é brutal e ainda hoje faz sentido. O discurso final é político, direto e sem piadas. Muitas pessoas pulam essa parte achando que é propaganda. Não é. É um homem denunciando fascismo em tempo real, antes dos Estados Unidos entrarem na guerra. O filme tem problemas técnicos — a iluminação às vezes é irregular, o som é básico pra época — mas isso é parte do charme. A Restauração de 2017 pela Milestone Films deixou tudo mais nítido sem perder a grama original.

Vila Charming (Monsieur Verdoux, 1947) Um filme que a maioria dos cinéfilos ignora porque é diferente do "padrão Chaplin". Ele interpreta um assassino em série que mata mulheres ricas por dinheiro. É sombrio, irônico e inteligente. Orson Welles disse que Chaplin superou ele nesse papel. O tom é mais próximo de Hitchcock do que dos filmes de vadiço anterior. Se você curte filmes sobre moralidade ambígua, esse é obrigatório.

A Condessa de Hong Kong (A Countess from Hong Kong, 1967) Seu último filme, estrelado por Marlon Brando e Sophia Loren. É meio brega, sim, mas tem momentos gentis que mostram Chaplin ainda tentando fazer algo novo no final da vida. Não é essencial, mas é interessante pra ver como ele ainda criava cenas mesmo aos 78 anos. A versão em blu-ray da Criterion tem extras interessantes sobre os bastidores.

O que fazer se você quiser montar sua própria coleção

O maior problema que eu enfrentei quando queria reunir os filmes do charlie chaplin era encontrar fontes com qualidade aceitável. DVD antigo era ruim, VHS pior ainda.Blu-ray resolveu, mas nem todos os lançamentos são iguais. Aqui vai meu conselho prático: fuja de qualquer coleção genérica de "Obras Completas" que não cite claramente qual restauração usou. A Criterion Collection e a Milestone Films são as únicas que fazem restaurações dignas de confiança. A Sony tem versões ruins de alguns títulos. A Universal também. Evite.

Se você tem espaço em disco, baixe os torrents oficiais que circulam nos fóruns de cinefilia. Eu uso o site da Criterion mesmo, mas existem mirrors confiáveis nos fóruns de restoration. O arquivo da BFI (British Film Institute) também disponibiliza alguns materiais gratuitos para estudo acadêmico, caso você queira analisar os negativos originais. Outra coisa importante: muitos desses filmes têm versões alternativas. The Kid tem cortes de 1921 e de 1971. Modern Times tem a versão com trilha original e a refeito em 1976. Decida qual versão você quer antes de comprar ou baixar, porque isso muda completamente a experiência.

Por fim, se você é novo no assunto, comece por Malandro e Os Tempos Modernos. São os mais acessíveis e representam bem o que ele fazia de melhor. Depois vá para os demais na ordem cronológica. O resto fica mais técnico e mais político conforme você avança, o que pode cansar se você não estiver preparado.