Filhos De Ogum E Iansã - Descubra a Força dos Filhos de Iansã e Ogum na Umbanda | Raizes da Umbanda
Descubra a Força dos Filhos de Iansã e Ogum na Umbanda | Raizes da Umbanda

Convivência com filhos de Ogum e Iansã: o que funciona na prática

Tem gente que acha que ser filho de Ogum ou de Iansã é sinônimo de personalidade forte e ponto final. Na verdade, a coisa é mais complicada do que isso, especialmente quando os dois eguns aparecem juntos num mesmo consultório de trabalho. Já vi case em que o paciente chegava dizendo que sentia uma agressividade inexplicável e uma ansiedade que não deixava descansar, e a leitura indicava Osun e Ogum ao mesmo tempo. A agressividade vinha de Ogum, claro, mas a inquietação constante era marcada de Iansã. O tratamento foi ajustar o foco: primeiro Ogum para cortar os bloqueios, depois Iansã para estabilizar o campo emocional. Eu particularmente tenho dificuldade com a combinação dos dois. O problema prático que eu encontro com mais frequência é o seguinte: quando o paciente pede um trabalho rápido de proteção porque está sendo perseguido ou ameaçado, eu começo focando em Ogum, que é o natural para isso. Mas aí a coisa trava. Ogum não consegue fazer a limpeza necessária porque Iansã está agitada no campo energético da pessoa, e quanto mais eu empurro a abertura de caminho, mais ela fecha. A solução que eu encontrei foi inverter a ordem. Primeiro faço o trabalho de Iansã, que é mais lento e exige pelo menos 24 horas de preparação, mas ela limpa o terreno. Só depois entro com Ogum, e a coisas começa a fluir. Se você tentar o contrário, perde tempo e ainda gera frustração no cliente.

Como lidar com filhos de ogum e iansã num mesmo trabalho

A coisa mais importante a entender é que Ogum e Iansã são energias que, isoladamente, funcionam muito bem, mas quando aparecem juntas num mesmo trabalho elas competem. Ogum é linha reta, objetivo, cutuca até resolver. Iansã é volatilidade, mudança súbita de direção, ventania. Quando você mistura as duas sem cuidado, o resultado é um campo instável que não resolve nada e ainda deixa o paciente num estado de agitação pior do que antes. Eu costumo separar o trabalho em etapas claramente definidas. Na primeira etapa, uso orações e offerings de Iansã durante três dias consecutivos. Isso significa incenso de carvão com cravo e canela, velas amarelas e vermelhas, e uma oferta simples de bebidas naturais fora de casa, de preferência num cruzamento de ruas. Não precisa ser nada elaborado. O objetivo é apenas dar espaço para que ela se acalme e comece a fazer a limpeza do ambiente.

Na segunda etapa, após essas três dias, entro com o trabalho de Ogum. Aí sim a coisa desbloqueia. Eu uso velas vermelhas, ferros polvilhados com sal grosso, e orações de abertura de caminho. Se o paciente estiver realmente bloqueado, o resultado costuma aparecer em 48 horas. Se não aparecer, é sinal de que tem outra entidade ou egum envolvido que eu não tinha visto na leitura inicial. O detalhe que muita gente não considera é que existem pessoas que têm ambos os eguns marcados na carta, mas a predominância muda conforme o momento da vida. Um cara pode estar num período onde Iansã domina completamente, e qualquer trabalho de Ogum cai no vazio. Depois de três ou quatro meses, a coisa vira e Ogum passa a ser a força dominante. Eu já perdi trabalho tentando impor a energia errada no momento errado, e o paciente simplesmente não respondia. A regra prática é sempre revisar a carta antes de cada novo ciclo de trabalho, nunca pressupor que o que funcionou mês passado vai funcionar hoje.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O erro mais comum que eu vejo acontecendo

Gente tenta tratar filho de Ogum e Iansã como se fossem a mesma coisa. Não são. Ogum responde a estrutura, a ordem, a disciplina. Iansã responde a impulso, a urgência, a transformação. Quando o paciente chega dizendo que quer proteção contra inimigos, a tendência natural é correr para Ogum. Mas se a leitura mostrar Iansã predominando, a proteção que ele precisa é de mudança de circunstância, não de corte de corrente. Ogum vai cortar, sim, mas corta também o que é positivo, e o paciente fica num beco sem saída melhor do que antes. Também vejo gente aplicar receitas de fogo de santo sem considerar que Iansã não tolera repetição mecânica. Você pode fazer o mesmo ritual de Ogum dez vezes seguidas e ter o mesmo resultado. Com Iansã, se você repetir o mesmo formato, ela simplesmente some do campo. O ritual tem que ter variação, tem que ter um elemento surpresa, alguma coisa que ela não espera. Eu costumo mudar o local da oferenda a cada sessão, ou trocar o tipo de planta, ou alterar o horário. Não é capricho, é necessidade técnica.

O outro erro frequente é querer acelerar o processo. Eu já vi paciente insistir para eu fazer tudo num dia só, porque não aguenta esperar. O resultado é que o trabalho não fixa. Iansã precisa de tempo para estabilizar, e Ogum precisa de tempo para consolidar. O mínimo que eu recomendo é sempre três dias para cada etapa. Qualquer coisa abaixo disso é aposta, não técnica. Existe ainda a questão dos alimentos. Ogum reage bem a abóbrora, banana prata, amendoim. Iansã reage a pimenta, gengibre, melado escuro. Misturar os dois no mesmo prato é um erro que eu vejo todo dia. As energias se anulam, e o paciente recebe zero benefício. Separe os offerings, separe os dias, e talvez até separe os locais. Vale a pena.

Quando a coisa não funciona e o que fazer nesse caso

Nem sempre os filhos de Ogum e Iansã vão ceder. Tem momento em que o bloqueio é tão grande que nenhuma das duas forças consegue entrar sozinha. Eu já tive caso em que, depois de seis semanas de trabalho, o paciente continuava exatamente no mesmo lugar. Aí eu desmonto o plano todo e volto ao básico: leitura nova, confirmação de qual egum está realmente predominando no momento, e possível presença de mais de uma entidade interfere na coisa. A maior parte das vezes, o problema não era Ogum nem Iansã, mas outra força que estava travando o trabalho dos dois. Se a leitura indicar uma interferência externa, o caminho é isolar primeiro essa força antes de retomar o trabalho com Ogum e Iansã. Isso envolve trabalho de limpeza mais pesado, às vezes com Exu, e só depois retomar a sequência normal. Tentar forçar a entrada de Ogum ou Iansã com uma interferência ativa presente é como tentar abrir uma porta trancada empurrando com a mão. Não funciona, e ainda pode gerar reprecussão negativa no paciente.