Faz Ou Fazem Dois Meses - Faz dois meses ou Fazem dois meses Qual é a forma correta? - YouTube
Faz dois meses ou Fazem dois meses Qual é a forma correta? - YouTube

Qual é a forma correta: faz ou fazem dois meses?

A dúvida é mais comum do que muitos gramáticos querem admitir. O fato é que, na prática, ambas as formas aparecem com frequência em textos, vídeos e até em materiais de ensino. A resposta curta — e a mais útil para quem está escrevendo agora — é: usa-se "faz dois meses". A expressão é Impessoal, o verbo não concorda com "dois meses" porque "dois meses" não é sujeito, é um complemento circunstancial de tempo. Como konstruksições impessoais, o verbo permanece na terceira pessoa do singular, independente de o período mencionado ser singular ou plural. "Faz um dia", "faz duas semanas", "faz três anos" seguem a mesma regra. Mas a coisa não acaba aí, porque há um fenômeno que poucos livros didáticos explicam direito e que gera confusão no dia a dia. Em certas variedades do português europeu, especialmente em contextos informais e falados, ouve-se "façam dois meses" e constructions semelhantes. Isso acontece quando o falante trata a expressão temporal como se fosse um sujeito lógico, não um adjunto adverbial. Em outras palavras, ele está usando uma concordância de sentido, não de posição sintática. A norma culta padrão não recomenda isso, mas a variante existe e é reconhecida por estudiosos como uma possibilidade marginall da língua. Para um redator profissional, o caminho mais seguro continua sendo o singular.

faz ou fazem dois meses: quando cada forma aparece na prática

Na minha experiência corrigindo textos de estudantes e revisando comunicados empresariais, percebi que a forma "façam dois meses" surge principalmente em dois cenários. O primeiro é quando o falante começa a frase com "Já fazem..." e sente que o plural é natural porque "dois meses" está explicitamente no plural. O segundo cenário é mais interessante: quando a expressão temporal vem seguida de uma oração subordinada com sujeito explícito. Nesses casos, alguns falantes sentem a tentação de pluralizar o verbo principal para "alinhar" com o sujeito da subordinada. Isso não é recomendado pela norma padrão, mas ocorre com frequência suficiente para merecer atenção. Um detalhe que muita gente perde: a expressão "tempo faz" funciona como uma unidade fixa. Quando dizemos "Já faz dois meses que não o vejo", a estrutura é completamente equivalente a "Já se passaram dois meses". Neste segundo caso, o verbo "passar" concorda naturalmente com "dois meses" porque ele é realmente o sujeito. No primeiro, não é. Essa diferença sintática é a chave para entender por que a concordância muda.

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Há também a questão dos dicionários e gramáticas de referência. A nova ortografia não mudou nada nesse aspecto, mas algumas gramáticas mais recentes têm sido menos dogmáticas sobre o assunto. O que isso significa na prática? Significa que, em contextos muito formais, como documentos jurídicos ou artigos acadêmicos, a forma "faz dois meses" é praticamente unânime. Em conversas do dia a dia, a variação é mais comum, e nem todo nativo percebe a diferença. Se você quer uma regra mnemônica rápida e segura: se a expressão temporal pode ser substituída por "já se passaram X", use singular. Se soa estranho fazer essa substituição mantendo o singular, provavelmente a construção já é diferente e a concordância plural pode fazer sentido. É um teste simples que funciona na grande maioria dos casos.

O problema mais frequente que vejo ocorre em redações de concursos e vestibulares. A banca cobra a forma normativa, que é singular, e candidatos que escrevem "façam dois meses" levam perda de pontos. Não é uma questão de estilo, é uma questão de norma. A menos que o texto seja deliberadamente coloquial ou regional, o singular é sempre a aposta segura. Uma última observação importante: a variação não é exclusiva do português brasileiro. Em Portugal também existem registros de "façam dois meses", especialmente em regiões como o Alentejo e o Algarve. Isso mostra que o fenômeno não é um erro casual, mas uma tendência natural de certas variedades do idioma. Reconhecer isso não significa aceitar todas as variações em todos os contextos, mas ajuda a entender por que a dúvida existe e por que ela persiste.