Exercicios Concordancia Verbal - Exercícios Concordância Verbal 7° | PDF
Exercícios Concordância Verbal 7° | PDF

Como dominar concordância verbal na prática

O maior problema que vejo em quem estuda concordância verbal não é a gramática em si. É a falta de prática com frases que realmente confundem. Eu me lembro de corrigir redações e provas onde a banca cobrava o verbo "haver" no sentido de existência e metade dos candidatos concordava errado porque tratavam a palavra como se fosse um verbo pessoal comum. Isso é muito mais frequente do que parece.

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Antes de entrar nos exercícios, preciso deixar claro o que realmente importa. A concordância verbal nada mais é do que a adaptação do verbo ao sujeito. Parece óbvio, mas a maioria dos erros acontece quando o sujeito não está onde todo mundo espera encontrar. O verbo flexiona em pessoa e número, e o sujeito determina esses dois elementos. Sempre. O primeiro ponto que precisa sair da cabeça de quem está estudando é a ideia de que a ordem direta é a única ordem possível. Frases começando com complementos verbais são comuns na língua culta e aparecem em todo material de concurso e vestibular. Quando o sujeito vem depois do verbo, o verbo permanece na terceira pessoa do plural se o sujeito for plural.

Veja este exemplo: "Chovam muitas bênçãos sobre sua vida." O verbo "chover" está no plural porque o sujeito é "muitas bênçãos". A estrutura inversa não muda a regra. A banca vai tentar confundir colocando o verbo no singular porque o sujeito aparece por último. Não caia nesse tipo de armadilha. Outro ponto que causa confusão constante é o uso do verbo "haver" com sentido de existência. Ele é impessoal. Sempre fica na terceira pessoa do singular. Não existe "haviam problemas", existe "havia problemas". Esse erro aparece com uma frequência absurda em textos formais, até em documentos publicados por instituições sérias. O verbo "haver" nesse sentido nunca entra no plural.

A partícula apassivadora SE também gera muitos erros. Quando o SE é partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. O sujeito é aquilo que sofre a ação. Se o sujeito for plural, o verbo vai para o plural. Se for singular, o verbo fica no singular. A diferença entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito é que na apassivação existe um sujeito claro, enquanto no IIDS o sujeito nunca aparece. Um exemplo prático: "Vendem-se casas." O sujeito é "casas", que é plural. O verbo fica no plural. Certo. Agora observe: "Vende-se casa." Aqui o sujeito é "casa", singular. O verbo fica no singular. Se alguém escreve "Vendem-se casa", o erro está aí. O mais comum de se ver é justamente o inverso: alguém escreve "Vende-se casas" achando que o SE obriga o verbo a ficar no singular. Não obriga nada. O SE é apenas uma partícula.

Os verbos que indicam fenômenos da natureza como "chover", "trovejar", "andar" no sentido de tempo Weather seguem uma lógica simples. Eles são impessoais quando usados nesse sentido e ficam sempre na terceira pessoa do singular. "Chove muito aqui." Jamais "chovem muito aqui". Mas se houver um sujeito explícito, aí a regra muda completamente. "Choveram dúvidas sobre a decisão." Nesse caso, o sujeito é "dúvidas" e o verbo concorda normalmente. A concordância com sujeito composto antes do verbo é direta: verbo no plural. Mas quando o sujeito composto vem depois do verbo, há duas opções corretas. O verbo pode concordar no plural ou ficar no singular. Ambas estão certas. "Faltaram livros e cadernos." e "Faltou livros e cadernos" são construções válidas. A primeira é mais formal. A segunda aceita-se pela proximidade, embora alguns gramáticos critiquem. Para fins de prova, saiba que as duas são aceitas.

Expressões like "mais de um", "menos de dois", "cerca de", "quase" têm regras específicas que todo mundo esquece. "Mais de um candidato foi reprovado." O "mais de um" indica singular, então o verbo fica no singular. Se a ideia for de reciprocidade, aí sim vai para o plural: "Mais de um candidato insultaram-se durante o evento." Mas essa situação é rara. Na maioria dos casos, o verbo fica no singular. Já "menos de dois candidatos foram reprovados." O "menos de" indica quantidade inferior, e o verbo vai para o plural quando o substantivo seguinte está no plural. Essa é uma pegadinha clássica. "Menos de dez pessoas." fica no plural porque o numeral "dez" está no plural.

A concordância com porcentagem depende do que vem depois. Se a porcentagem vier acompanhada de substantivo no plural, o verbo concorda com o substantivo. "Trinta por cento dos candidatos foram reprovados." O verbo vai para o plural. Mas se o porcentagem vier sozinha, sem substantivo definido, o verbo pode ir para o singular ou plural. "Trinta por cento prefere a opção A." ou "Trinta por cento preferem a opção A." Ambas são aceitáveis. Eu já me deparei com um caso bem específico em um edital de concurso que cobrava concordância com "um e outro". A frase era: "Um e outro candidato foram convocados." muita gente marca como errado porque acha que "um e outro" exige singular. Errado. "Um e outro" equivale a "ambos", que é plural. O verbo deve ficar no plural. Esse tipo de questão aparece com frequência e é um dos pontos onde mais vejo gente errar.

Os pronomes relativos "quem" e "que" também merecem atenção. Quando o pronome relativo é "quem", o verbo pode concordar com a pessoa do pronome ou com o antecedente. "Sou eu quem devo estudar." e "Sou eu quem devo estudar." Ambas são aceitáveis. Já com "que", o verbo concorda com o antecedente do pronome. "Fui eu que fiz o trabalho." O verbo "fiz" concorda com "eu", que é a primeira pessoa do singular. Os verbos "fazer", "dar", "soar" e "bater" quando indicam tempo passam são impessoais. "Faz dois anos que não o vejo." O verbo "fazer" não tem sujeito e fica no singular. Quando esses mesmos verbos indicam ação física, aí sim flexionam. "Deram três horas." Nesse caso, o sujeito é "três horas" e o verbo concorda normalmente.

Para os exercícios práticos, o ideal é seguir esta sequência: primeiro identifique o sujeito, depois veja se ele está antes ou depois do verbo, em seguida verifique se há palavras que podem enganar como "haver", "existir", "fazer" no sentido de tempo, e finalmente analise partículas como o SE. Se você seguir essa ordem sistemáticamente, consegue resolver quase qualquer questão de concordância verbal sem hesitação. Uma dica prática que funciona: escreva a frase substituindo o sujeito por um pronome pessoal. Se o pronome for "eles", o verbo vai para a terceira pessoa do plural. Se for "ele", vai para a terceira pessoa do singular. Esse artifício resolve a maior parte dos casos duvidosos.

Exercícios práticos com resolução

Questão 1: Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal. A) Haviam muitos problemas a resolver.

B) Havia muitos problemas a resolver. C) Havem muitos problemas a resolver.

D) Havemos muitos problemas a resolver. A resposta correta é a B. O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal e fica no singular. A opção A é o erro mais comum. A opção C inventa uma conjugação que não existe. A opção D trata o verbo como se tivesse sujeito, o que não é o caso.

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Questão 2: Escolha a forma correta. A) Aluga-se apartamentos.

B) Alugam-se apartamentos. C) Aluga apartamentos.

D) Alugam apartamentos. A resposta correta é a B. O SE é partícula apassivadora, o sujeito é "apartamentos" (plural), e o verbo concorda com o sujeito. A opção A é o erro clássico de quem acha que o SE obriga o verbo a ficar no singular. A opção C e D retiram o SE, mudando completamente o sentido.

Questão 3: Qual está correta? A) Mais de um candidato se insultaram.

B) Mais de um candidato se insulting. C) Mais de um candidato se insultou.

D) Mais de um candidato se insulting-se. A resposta correta é a C. "Mais de um" indica singular, e o verbo fica no singular. A opção A só estaria certa se houvesse reciprocidade explícita, mas "se insultaram" com "mais de um" não indica reciprocidade de forma natural. A opção B usa forma verbal inexistente. A opção D também é inválida.

Questão 4: Assinale a concordância correta. A) Fazem dois anos que não saio de casa.

B) Faz dois anos que não saio de casa. C) Fazem dois anos que não saio de casa.

D) Fizeram dois anos que não saio de casa. A resposta correta é a B. O verbo "fazer" indicando tempo é impessoal. Fica sempre no singular. A opção A e C repetem o mesmo erro. A opção D coloca no pretérito perfeito, o que também está errado porque a ideia é de tempo decorrido, não de ação concluída.

Questão 5: Qual a forma correta? A) É necessário os permisos.

B) São necessários os permisos. C) É necessários os permisos.

D) São necessário os permisos. A resposta correta é a B. O sujeito é "os permisos", que é plural. Quando o sujeito vem depois do verbo de ligação, o particípio concorda com o sujeito. A opção A erra ao usar o singular. A opção C erra na concordância do adjetivo. A opção D erra no plural do substantivo e na concordância.

Uma observação importante sobre exercícios de concordância verbal: não adianta decorar regras de cor. O que funciona é treinar com frases variadas, incluindo aquelas que intentionally tentam confundir. A banca gosta de colocar o verbo no início da frase, usar sujeito pós-verbal, ou misturar partículas como SE para testar se você realmente entende a diferença entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. A maior Limitação dos materiais didáticos tradicionais é que eles geralmente apresentam regras isoladas. Na prática, uma única frase pode exigir a aplicação de múltiplas regras simultaneamente. Por exemplo: uma frase com sujeito composto pós-verbal, partícula SE e expressão de porcentagem. Treinar com esse tipo de questão complexa é o que realmente prepara para a realidade das provas.