Exercicio Funcoes Da Linguagem - (PDF) EXERCÍCIOS – FUNÇÕES DA LINGUAGEM
(PDF) EXERCÍCIOS – FUNÇÕES DA LINGUAGEM

O que são funções da linguagem no dia a dia

Você já percebeu que uma mensagem de WhatsApp para o chefe soa diferente de uma para o melhor amigo, mesmo quando o assunto é o mesmo? Isso não é coincidência. Cada fala carrega uma intenção e essa intenção define qual função da linguagem está em uso. O exercício prático consiste em identificar, entre seis categorias clássicas de Roman Jakobson, qual predomina em cada trecho — e o mais importante é entender por quê. A abordagem tradicional que eu vejo em muitos materiais didáticos começa pela definição de cada função e só depois mostra exemplos. Na prática, isso funciona mal. O aluno decora os nomes e trava na hora de aplicar. Eu mudei meu método há anos: começo pelo exemplo, fazemos a análise juntos, e só então introduzimos a classificação formal. O resultado é um aprendizado que dura, não aquela memorização que desaparece na prova seguinte.

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O exercício em si é simples de estruturar, mas requer cuidado na hora de montar os itens. Você pega frases autênticas — de propagandas, trechos de filmes, posts de rede social, discursos — e pede para o aluno identificar a função dominante. A pegadinha é que muitos textos misturam funções, e a resposta certa depende de analisar o foco comunicativo, não apenas de decorar características isoladas. Um problema que eu encontrei repetidamente na minha experiência de corrigir provas é a confusão entre função referencial e função poética. Alunos marcam poesia em qualquer texto que tenha adjetivos ou estrutura bonita. O erro é técnico: a função poética não se trata de beleza estética, mas do foco na própria mensagem, ou seja, na forma como ela é construída. Um poema tem função poética, mas também um anúncio publicitário com rimas ou aliterações marcantes. Já um texto jornalístico objetivo, mesmo sendo bem escrito, tem função referencial, porque o centro é a informação, não a forma.

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Um caso específico que me marcou: anos atrás, eu fiz uma questão com a seguinte frase: "O sol nasce a leste." A maioria dos alunos marcou função emotiva, achando que a declaração expressava um sentimento. A resposta correta era referencial, pois se tratava de uma informação factual sobre o mundo. Eu precisei criar uma regra prática que hoje uso em todas as turmas: pergunte-se primeiro se o texto transmite informação sobre o mundo (referencial), emoção do emissor (emotiva), ou tenta convencê-lo de algo (conativa). Essa triagem elimina cerca de 70% dos erros. O que funciona de verdade é o exercício de classificação reversa. Em vez de só identificar a função dada uma frase, peça para o aluno reescrever a mesma informação em três estilos diferentes, aplicando funções distintas. Transformar um fato em mensagem emocional, em ordem direta, em chamada à ação. Isso força o cérebro a sentir a diferença entre as funções, não apenas a reconhecer nominalmente.

Outro truque que eu adotei é usar anúncios reais como material de análise. Um comercial de shampoo com promessa de beleza tem função conativa. Um documento oficial com instruções de segurança tem função referencial. Um bilhete coloquial de amigo tem função emotiva. O contexto real elimina a abstração que tanto confunde os estudantes. Há limitações óbvias nesse tipo de exercício. A classificação de Jakobson é útil, mas não captura nuances de gêneros contemporâneos como threads no Twitter ou memes, que misturam funções de forma híbrida e intencional. Alguns linguistas argumentam que essa divisão é muito rígida para análises discursivas modernas. Se o objetivo for uma análise mais profunda, recomendo complementar com ferramentas da análise do discurso, como a abordagem bakhtiniana, que considera o contexto social de forma mais rica do que a simples enumeração de funções.

A dificuldade principal que eu observo é o tempo. Para um aluno fixar o conteúdo, o mínimo recomendável é trabalhar com pelo menos dezesseis itens bem elaborados, distribuídos em duas aulas. Menos que isso, ele decorará sem compreender. Mais que isso, em uma única sessão, o rendimento cai porque a cognição se sobrecarrega. A divisão ideal é: aula expositiva com cinco exemplos guiados, aula prática com exercícios independentes, e revisão com correção coletiva focada nos erros mais frequentes. Para quem quer material pronto, eu costumo montar bancos de itens baseados em notícias reais, letras de música popular e discursos públicos. O diferencial é evitar frases inventadas. Frases artificiais geram ambiguidade desnecessária e frustração. Frases do mundo real têm contexto embutido que ajuda na análise.