O que é sujeito simples e como identificar na prática
O sujeito simples é aquele que tem apenas um núcleo. Um só palavra, ou uma única expressão nominal, centralizando a ação ou o estado da oração. Não confundir com sujeito oculto ou elíptico, que são outras coisas. O núcleo é uma só, mesmo que venha acompanhada de adjuntos adverbiais, artigos, adjetivos. Isso aí continua sendo simples. Achei isso óbvio até eu corrigir uma redação de concurso onde o candidato escreveu "A rapidez com que os dados foram processados pelo sistema causou erro." E o sujeito dele era "A rapidez". O resto era tudo periférico. Muita gente acha que o sujeito é "os dados" porque vem perto do verbo, mas não. O núcleo tá no início da frase, desgarrado do que parece mais lógico.
exemplo de sujeito simples
Veja estas frases. A primeira: "Maria comprou pão." Sujeito simples: Maria. Núcleo único, óbvio. Segunda: "O gato preto dormiu no sofá." Sujeito simples: O gato preto. Três palavras, mas um só núcleo — gato. Pretão é adjunto adnominal. Terceira: "Aquele filme que vimos ontem foi excelente." Sujeito simples: Aquele filme. A oração subordinada adjetiva é acessória, não altera a simplicidade. Na prática, pra identificar, você localiza o verbo, faz a pergunta quem pratica a ação ou quem está no estado descrito. A resposta é o sujeito. Se a resposta for uma única expressão nominal, é simples. Se tiver dois núcleos ligados por e, ou, é composto. Se não tiver núcleo explícito, é oculto ou inexistente.
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Um detalhe que quase ninguém menciona: sujeito simples pode vir depois do verbo em frases inversas. "Choveu bastante ontem." Aqui o sujeito é indeterminado, não há núcleo. Mas "O frio que chegou hoje é forte" — o sujeito é "O frio", simples, apesar de ter uma subordinada adjetiva depois. A inversão da ordem sintática não transforma sujeito simples em composto. Já vi gente errar isso em prova de gramática. O maior problema que encontrei trabalhando com análise sintática foi com sujeito simples que contém uma coordenada assindética disfarçada. Tipo: "O medo e a coragem habitam o mesmo peito." À primeira vista parece composto, mas se você tratar "medo e coragem" como uma unidade conceitual — o que alguns gramáticos permitem — a coisa fica nebulosa. Minha solução foi sempre verificar se os núcleos compartilhavam o mesmo determinante ou regência. Quando não compartilham, é composto. Quando compartilham e formam uma ideia única, dá pra argumentar por simples, mas é terreno grasso para banca de concurso.
Outro ponto contra-intuitivo: sujeito simples pode ser uma oração inteira. "Que você venha amanhã me deixa feliz." O sujeito é a oração "Que você venha amanhã". Dentro dela tem núcleo (venha, verbal), mas como sujeito da oração principal, ela funciona como uma unidade simples. Isso confunde muita gente que só aprendeu a regra do núcleo nominal. Se você está estudando para prova e quer algo rápido: o sujeito simples é identificado quando o núcleo do sujeito é uma única palavra ou expressão. Não importa quantos adjuntos rodeiem esse núcleo. Aarmazenar, organizar e revisar com frases próprias costuma funcionar melhor do que decorar exemplos prontos. Análise sintática exige prática, não memorização.
Limitação honesta: sujeito simples não se aplica bem a orações com voz passiva analítica quando o agente da passiva é uma expressão longa. Aí a análise fica pesada e o resultado depende muito do critério do avaliador. Nesses casos, o sujeito simples existe formalmente, mas a interpretação pode variar entre corretores. Se o contexto exige precisão absoluta, prefira reescrever a frase na voz ativa.