Estrutura De Um Fichamento - Modelo de Estrutura de Fichamento LIVRO e ARTIGO | PDF
Modelo de Estrutura de Fichamento LIVRO e ARTIGO | PDF

O que é fichamento e por que a maioria das pessoas faz errado

Fichamento é um resumo técnico de uma leitura, organizado de forma que você possa consultar rapidamente depois. Não é um resumo literário, não é opinião, e não serve para enganar ninguém. A estrutura de um fichamento segue um padrão que as bibliotecas e programas de pós-gradução exigem, e se você ignorar isso, volta no trabalho na hora. O formato padrão que funciona na prática tem quatro partes: identificação da obra, resumo descritivo, citações relevantes e referências cruzadas. Todo mundo sabe disso, mas a execução é onde as coisas travam.

estrutura de um fichamento passo a passo

Comece pela identificação. Coloque autor, título completo, edição, local de publicação, editora e ano. Se for artigo, adicione o periódico, volume, número e páginas. Isso parece óbvio, mas eu vejo gente esquecendo o ano ou confundindo edição com reimpressão. A diferença importa porque uma obra pode ter sido atualizada e os dados bibliográficos mudam. Depois vem o resumo descritivo. Escreva em parágrafo único, entre 150 e 300 palavras, descrevendo o que o texto aborda sem entrar em julgamento. Digamos: este livro examina X a partir de Y abordagem, dividindo-se em Z capítulos. Achei na prática que muitos estudantes transformam o resumo descritivo em resumo crítico sem perceber, e isso quebra a utilidade do fichamento quando você precisa voltar ao texto original para verificar algo.

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As citações são a parte que mais dá trabalho. Selecione trechos-chave, no máximo cinco por fichamento, e copie exatamente como estão no original. Anote o número da página. Eu costumo usar aspas e colchetes para marcar acréscimos ou omissões dentro do trecho citado. Já tive problema específico com citações que pareciam longas demais para incluir integralmente. Minha solução foi dividir em dois trechos menores separados por elipse, indicando claramente onde a quebra ocorreu, e explicar no rodapé do fichamento por que optei por não citar o trecho completo. Finalize com as referências cruzadas. Anote quais outros autores ou obras dialogam com aquele trecho. Isso transforma um fichamento isolado em parte de uma rede de pesquisa. Quando você está escrevendo um capítulo de tese, esse cruzamento é o que permite encontrar conexões em minutos ao invés de horas vasculhando anotações soltas.

Pegadinhas que ninguém conta

Um erro comum é tratar fichamento como sinônimo de resumo. Fichamento exige a estrutura bibliográfica completa e as citações textuais. Resumo pode ser livre. Se o orientador pediu fichamento e você entrega resumo, o trabalho volta na mesa. Outro ponto: a ordem dos elementos não é negociável em normativas como ABNT NBR 6028. O fichamento anotado pede notas explicativas junto às citações. O fichamento de conteúdo organiza as ideias por tópicos temáticos. O fichamento bibliográfico foca apenas na identificação. Escolher o tipo errado te faz trabalhar o dobro sem motivo.

Existe também o limite prático de quantidade. Fichamentos muito longos perdem a função de consulta rápida. Eu recomendo não exceder duas páginas por obra, e se o material for maior, subdividir por capítulos ou seções. Trabalhei com uma dissertação em que o orientador tinha fichamentos de cinquenta páginas sobre um único livro. Voltar aquilo era impossível. Quebrei o mesmo material em fichas separadas por tema e reduzi o tempo de consulta de horas para quinze minutos. Se você precisa de um modelo pronto para preencher, a ABNT disponibiliza diretrizes gratuitas no site oficial. Existem também templates em Word criados por bibliotecas universitárias que seguem essas normas. Procure por "modelo fichamento ABNT" nos sites das bibliotecas das universidades federais, como USP e Unicamp, que costumam ter versões atualizadas.