Enem 2015 Redação Tema - Redação Do Enem 2015 Tema - NAZAEDU
Redação Do Enem 2015 Tema - NAZAEDU

Como escrever bem a redação do ENEM: guia prático

A prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma das etapas mais decisivas para quem quer entrar na universidade pública. Diferente de outras provas, não há gabarito para marcar, e a nota depende inteiramente da sua capacidade de seguir uma estrutura pré-definida enquanto defende um ponto de vista claro sobre um tema proposto. O ENEM avalia cinco competências específicas. A primeira trata da norma padrão do português. Se você escrever com erros graves de concordância ou ortografia, a nota cai mesmo que o conteúdo seja bom. A segunda competência mede a compreensão do tema e a capacidade de utilizar conceitos das áreas sociais ou humanas para desenvolver o argumento. A terceira exige que você demonstre conhecimento dos mecanismos linguísticos para articular as ideias ao longo do texto. A quarta competencia verifica se a proposta de intervenção social está completa, ou seja, se inclui agente, ação, meio/modo, detalhe e objetivo. Por fim, a quinta competência avalia a escolha entre recursos linguísticos, argumentação e repertório sociocultural legitimado.

Na prática, a maior dificuldade dos candidatos não é saber escrever bonito, mas sim respeitar a estrutura dissertativo-argumentativa dentro de exatamente 30 linhas. Muitos students esquecem que o texto precisa ter introdução, desenvolvimento e conclusão, cada parte cumprindo uma função específica. Na introdução, você apresenta o tema, posiciona-se e anuncia os argumentos. No desenvolvimento, sustenta cada argumento com repertório legitimado — pode ser dados históricos, frases de autores, estatísticas ou manifestações culturais. Na conclusão, apresenta a proposta de intervenção sem sair do tema. Um problema real que vejo frequentemente é o candidato escrever uma redação muito bonita no início, mas abandonar a estrutura na conclusão. O texto fica sem proposta de intervenção ou com uma proposta vaga, como "o governo deve fazer algo". Isso reduz drasticamente a nota na competência 4, que exige detalhes específicos: qual ação, qual meio, qual prazo, qual órgão responsável. Eu vi um aluno que escreveu uma redação nota mil nas competências 1 a 3, mas perdeu pontos na 4 porque a conclusão dizia apenas "é preciso combater o preconceito". Sem agente definido, sem detalhamento, a nota caía para 720, não 900+.

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A prova de 2015 trouxe como tema os desafios da integração imigratória no Brasil. O enunciado pedia uma redação dissertativo-argumentativa em língua portuguesa sobre os obstáculos que imigrantes enfrentam no país, tanto no aspecto social quanto no institucional. Esse tema era particularmente relevante porque o Brasil vivia uma crise humanitária com a chegada de milhares de haitianos, sírios e venezuelanos fugindo de conflitos. Uma curiosidade importante sobre essa edição é que muitos candidatos se limitaram a reproduzir o que liam nos jornais, sem aprofundar a análise. O tema permitia explorar não apenas a discriminação, mas também a ausência de políticas públicas eficazes de acolhida. A legislação brasileira já prevê direitos aos refugiados desde a Lei 9.474/1997, mas a implementação esbarra na falta de estrutura dos postos da Polícia Federal e nos preconceitos estruturais da sociedade.

Outro ponto que muitos não consideram é a obrigatoriedade de usar repertório legitimado. Uma citação de um sociólogo brasileiro, como Gilberto Velho ou Roberto Da Matta, sobre o conceito de "cidadania por defasagem", dá mais credibilidade do que uma frase genérica de motivational speaker. O corrector da redação busca isso especificamente: demonstração de domínio do repertório cultural e histórico do Brasil. O que vejo como erro comum é o candidato escrever uma introdução muito longa, com mais de 10 linhas, e deixar o desenvolvimento apertado. O ideal é a introdução ter entre 5 e 7 linhas, cada parágrafo de desenvolvimento entre 8 e 12 linhas, e a conclusão entre 5 e 7 linhas. Esse equilíbrio costuma cortar o tempo de revisão pela metade, porque o texto já sai estruturado.

Se você está se preparando para o ENEM, treine escrever uma redação completa em 50 minutos, cronometrando o tempo. Use o primeiro minuto para ler o tema e escolher os argumentos. Reserve 10 minutos para a introdução, 25 minutos para o desenvolvimento, 10 minutos para a conclusão e 5 minutos para revisar. Esse método costuma transformar uma redação de 600 pontos em 800+, dependendo da sua base gramatical. Uma alternativa quando o tema é muito desconhecido é usar argumentos transversais, como direitos constitucionais ou dados do IBGE. A Constituição de 1988, artigo 5º, garante igualdade perante a lei, o que pode ser aplicado a qualquer tema de cidadania. Dados do IBGE sobre mobilidade populacional ou desigualdade regional também servem como repertório quando o candidato não tem familiaridade com o tema específico.

O principal desafio prático é manter a coesão textual ao longo das 30 linhas. Conectivos como "portanto", "contudo", "além disso" e "em contrapartida" ajudam a articular os argumentos, mas precisam ser usados com precisão. Um "porque" no lugar errado pode transformar uma frase clara em um período confuso. Eu recomendo revisar sempre os períodos longos, cortando o que for supérfluo. Outra dica que poucos dão é praticar com temas de edições anteriores. A Coleção Enem da Editora Moderna reúne todas as redações de 2009 a 2024, com as grades de correção oficiais. Analisar as redações nota mil não é copiar, mas identificar padrões de estrutura e repertório. Note que as melhores redações sempre começam com uma tese clara na introdução e terminam com uma proposta de intervenção viável.

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Se o tempo estiver apertado, escreva primeiro o esqueleto: introdução com tese, dois argumentos principais e uma conclusão com proposta. Depois preencha cada parte com desenvolvimento. Esse método economiza cerca de 15 minutos em relação a começar do zero, porque a estrutura já está definida. O mais importante é entender que a redação do ENEM não é um teste de criatividade, mas de capacidade de seguir instruções dentro de um formato pré-determinado. Quem domina a estrutura ganha automaticamente pontos nas competências 3 e 4, que correspondem a 200 pontos, quase um quarto da nota total. Foque nisso antes de tentar escrever frases sofisticadas.

Para quem já tem uma base sólida, o próximo passo é dominar o repertório sociocultural. Livros como "Cidadania à Brasileira" de João Camilo de Oliveira Torres ou "O Brasi Raízes do Subdesenvolvimento" de Caio Prado Júnior oferecem conceitos que podem ser aplicados a diversos temas. Não precisa decorar tudo, mas conhecer 3 ou 4 autores por área (História, Sociologia, Filosofia) é suficiente para garantir a competência 5. Se a gramática ainda é um problema, foque nos erros mais frequentes: concordância verbal, regência e colocação pronominal. Correções nessas áreas podem aumentar a nota em 50 a 100 pontos, o que faz diferença significativa na classificação final. Não tente corrigir tudo de uma vez; priorize os erros que mais aparecem na sua escrita.

A prática regular é o que faz a diferença. Escrever uma redação por semana, revisar com a grade oficial e pedir feedback de professores ou colegas que também estão se preparando para o exame. Esse ciclo de prática-avaliação-revisão costuma elevar a nota em 150 pontos em 3 meses, desde que o candidato leve a sério cada etapa. Por fim, leia com atenção o tema antes de começar a escrever. No ENEM, o tema pode ser apresentado como uma charge, um texto de imprensa ou um fragmento literário. Cada tipo de tema exige uma abordagem diferente na introdução. O mais seguro é sempre retomar o tema na primeira linha do texto, demonstrando claramente que você compreendeu a proposta.

Se o tema for muito abstrato, como "Os efeitos das mídias sociais na formação educacional dos jovens brasileiros", divida-o em partes concretas: acesso à tecnologia, qualidade do conteúdo, influência dos algoritmos. Cada parte pode virar um parágrafo de desenvolvimento, mantendo o foco na tese principal. O guia que apresentei aqui cobre o essencial para quem quer se sair bem na redação do ENEM. O segredo não é a genialidade, mas a consistência na aplicação da estrutura e no uso adequado da norma padrão. Treine todos os dias, revise com critérios objetivos e você verá evolução consistente ao longo do tempo.

Se quiser aprofundar, consulte o Manual de Redação do ENEM disponível no site oficial do INEP. Lá você encontra exemplos de redações nota mil, explicadas competência por competência. Esse material é gratuito e atualizado a cada ano, refletindo mudanças nas expectativas dos corretores. Lembre-se de que a redação do ENEM vale 1000 pontos e pode ser decisiva para sua aprovação em cursos concorridos como Medicina, Direito ou Engenharia. Invista tempo suficiente para dominar a estrutura antes de buscar estilos pessoais. Quando a forma estiver consolidada, a expressão individual surge naturalmente, sem comprometer os critérios de avaliação.

Boa sorte nos estudos. A preparação para o ENEM é maratona, não corrida de 100 metros. Cada redação praticada é um passo em direção à universidade dos seus sonhos.