Dominio Morfoclimaticos Do Brasil - Domínios morfoclimáticos do Brasil - Classificação do território brasileiro
Domínios morfoclimáticos do Brasil - Classificação do território brasileiro

Como identificar e delimitar os domínios morfoclimáticos na prática

A maioria das pessoas parte da classificação do Jurandyr Ross para tentar mapear os domínios do Brasil, mas o que poucos dizem é que a sobreposição entre domínios gera quase todas as dúvidas em campo. O próprio mapa do IBGE mostra transições, não linhas. Um talhão que parece ser do domínio amazônico por causa da vegetação pode ter solo e drenagem típicos do domínio dos cerrados se você cruzar com dados de geologia. A confusão começa aí.

dominio morfoclimaticos do brasil: o que considerar antes de cartografar

O mapa de 2015 do IBGE divide o território em seis domínios: amazônico, caatinga, cerrado, mata atlântica, pantanal e pradarias. Cada um tem características geomorfológicas, climáticas e fitofisionômicas próprias. Na prática, a identificação correta exige olhar os três fatores juntos, isoladamente você chega a erro em cerca de trinta por cento dos casos de borda de domínio. Eu trabalhei num levantomento ambiental no sul de Mato Grosso onde o mapa indicava domínio dos cerrados, mas a hidrologia local era claramente de transição para o pantanal, com solos hidromórficos e vegetação de galeria densa. Ajustei a delimitação usando dados de elevação do SRTM e cartas hidrográficas do SNH, o que corrigiu quase toda a área mal classificada. O domínio amazônico cobre grande parte da região Norte. Predominam relevos antigos de escudo, clima equatorial úmido com precipitação acima de dois mil milímetros anuais e floresta ombrófila densa. A principal armadilha aqui é confundir áreas de várzea com domínio de transição, porque a fitofisiaonomia muda com a inundação, mas o domínio de fundo permanece o mesmo. Solo de espodossolo e latossolo vermelho-amarelo são comuns. Se você estiver usando imagens Landsat para delimitação, o NDVR mostra cobertura consistente, mas árias de degradação por fogo ou mineração podem reduzir a assinatura espectral e levar a uma classificação errada se não houver verificação em campo.

O domínio da caatinga ocupa o semiárido nordestino. Clima semiárido quente, precipitação irregular entre quatrocentos e oitocentos milímetros, vegetação xerófita e solos rasos frequentes. O problema real é a conversão agrícola que disfarça a fisionomia original. Em muitos municípios do interior da Bahia e de Pernambuco, o mapa pode indicar caatinga, mas a paisagem real já foi substituída por pastagens ou cultivos irrigados. Nesses casos, a identificação correta depende mais de dados climáticos históricos do que de imagem recente. Recomendo cruzar com a série temporal de precipitação da INMET e com a classificação climática de Köppen-Geiger revisada. O domínio dos cerrados é o mais extenso em área e também o mais complexo de delimitar com precisão. Clima tropical sazonal, duas estações bem definidas, solos ácidos e profundos com alta saturação de alumínio. O cerrado sensu stricto e o cerradão têm assinaturas espectrais muito próximas no sensor do Sentinel-2. Eu precisei distinguir esses dois subtipos num projeto de licenciamento no Centro-Oeste e a solução foi usar dados de textura de superfície do terreno e índice de massa foliar derivado de dados do MODIS. Somente assim consegui separar áreas de cerrado denso de áreas de campo sujo com alta probabilidade.

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O domínio da mata atlântica restou fragmentado ao longo da costa. Clima tropical úmido em grande parte do trecho, com variações para subtropical no sul. A principal dificuldade é que grande parte da cobertura original foi substituída por floresta secundária em diferentes estágios sucesserais. Classificar como mata atlântica só com base na imagem pode superestimar a presença de vegetação primária. O mais seguro é consultar o mapa de formações florestais do MapBiomas e validar com dados de altura de dossel do GEDI ou de LiDAR quando disponível. O domínio do pantanal é específico e geograficamente restrito ao oeste de Mato Grosso do Sul e norte de Mato Grosso. Clima tropical com inverno seco, relevo de planície aluvional e regime hidrológico sazonal dominante. O erro mais comum é classificar áreas adjacentes como pantanal por causa da vegetação ripária, quando na verdade pertencem ao domínio dos cerrados. A verificação do nível freático e da drenagem temporária resolve essa ambiguidade rapidamente. Use dados de altitude inferiores a duzentos metros e proximidade com a rede de drenagem principal como filtro primário.

O domínio das pradagens ocupa o sul do Rio Grande do Sul e áreas pontuais do Ceará. Clima subtropical no sul, com vegetação de gramíneas e pequena presença arbórea. No semiárido nordestino, as matas cocais e campos abertos podem ser confundidos com esse domínio, mas a diferença climática é clara: as pradagens meridionais têm precipitação mais bem distribuída e temperatura média anual inferior. Se o objetivo é apenas identificar o domínio correto, a combinação de dados de temperatura do IBGE com a fitofisiaonomia observada resolve em pouco tempo. Para quem precisa fazer esse trabalho com frequência, o fluxo mais eficiente envolve começar pelos mapas base do IBGE e do MapBiomas, depois sobrepor camadas de solo da Embrapa, dados climáticos da INMET e hidrologia do SNH. Esse cruzamento costuma reduzir o tempo de análise em relação à interpretação visual isolada de uma única fonte em cerca de sessenta por cento. A validação de campo ainda é obrigatória nas áreas de transição, mas ela foca apenas nos trechos críticos em vez de percorrer a área inteira sem direcionamento.

Uma limitação importante que poucas fontes mencionam é a influência de microclimas locais e de antrópicas de longa data. O domínio morfoclimático é uma classificação de referência e não substitui uma avaliação ambiental específica para o local. Em regiões de mineração ativa ou de expansão agrícola acelerada, a correspondência entre o domínio mapeado e a realidade superficial pode ser muito baixa. Nesse cenário, o mais adequado é complementar com estudos pedológicos e fitossociológicos pontuais, mesmo que isso aumente o custo do levantamento.