Diferença De Esse E Este - Lótus de Lis: "Esse" ou "Este": Qual a diferença?
Lótus de Lis: "Esse" ou "Este": Qual a diferença?

Como saber se usa este ou esse de verdade

A regra que todo mundo aprende na escola é muito simples, mas na prática ela cai por terra em três frases. Eu passei anos revisando contratos jurídicos e era comum encontrar "o presente este contrato" e "aquele tal acordo", tudo misturado no mesmo parágrafo. A primeira vez que realmente entendi a diferença foi quando parei de decorar regras e passei a rastrear quem estava falando com quem.

A diferença de esse e este na prática

O ponto de partida é espacial. Este se ancora ao falante, ao aqui, ao agora, ou à coisa que vem primeiro no texto. Esse se ancora ao ouvinte, ao lá, ao então, ou à coisa que vem depois. Sim, é isso mesmo: a direção importa mais do que você imagina. Um exemplo claro: digamos que você está redigindo um email. "Neste email, explico o problema. Esse problema já foi reportado antes." O primeiro "este" aponta para o próprio email que está sendo escrito. O "esse" aponta de volta para algo que já existe independentemente do email. Se você trocar a ordem — "Esse problema, que já foi reportado, deve ser resolvido neste email" — a coisa ainda funciona, porque o contexto redefine onde cada pronome pousa.

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Mas eis o problema: no português brasileiro falado, esse tem sido usado cada vez mais como generalizador. "Vem aqui com essa ideia" em vez do prescrito "com esta ideia". Isso não é erro gramatical em muitos contextos, é variação linguística. Mas em textos formais, ainda vale a distinção. Não adianta fingir que não existe. Uma pegadinha que quase ninguém menciona e que me deu dor de cabeça: quando você usa este para retomar algo já mencionado, o texto soa estranho. "O sistema falhou. Este problema persiste há meses." Soa como se "este problema" estivesse apontando para algo novo, não para o que já apareceu. O correto seria esse problema. O "este" funciona bem para introduzir algo pela primeira vez, não para retomá-lo.

O outro detalhe que os manuais ignoram: deste e desse seguem a mesma lógica. "Deste projeto" = do projeto que eu estou falando, que é meu. "Desse projeto" = do projeto que você conhece, que é seu ou de terceiros. Em reuniões, isso é crucial. Dizer "nosso deste projeto" em vez de "nosso desse projeto" pode mudar completamente quem responde pelo que. Se você precisa de um guia rápido e prático sobre diferença de esse e este, a conta é sempre a mesma: pergunta-se de quem é a referência. Se é do falante, é este. Se é do ouvinte ou de alguém que não fala, é esse. O resto é variação dialetal que você decide se leva em conta dependendo do registro do texto.

Um último aviso: em documentos jurídicos, usar "este" e "esse" de forma inconsistente pode gerar ambiguidade real. Já vi contratos onde "o contratado" e "o contratante" eram referidos como "este" e "esse" de forma invertida em relação ao que a lógica sugeriria. O resultado? Litígio. A recomendação prática é evitar o uso repetido desses pronomes em documentos longos e substituir por repetição explícita dos nomes das partes. É mais verboso, mas elimina qualquer margem para interpretação. Se quiser exercitar, pegue qualquer texto seu que tenha mais de duas páginas e marque todos os "este" e "esse". Vê quantos estão corretos e quantos você usou por hábito. A taxa de erro costuma ser surpreendentemente alta, mesmo em textos bem escritos.