O que é dezena e unidade no 1º ano
A base do sistema numérico que as crianças precisam dominar antes de qualquer operação mais complexa é simples na teoria mas frequentemente mal ensinada. Dezena e unidade é a forma como representamos os números de dois algarismos em nossa escrita posicional. O número 23, por exemplo, não é dois três separados. É duas dezenas mais três unidades. Essa distinção parece óbvia para quem já internalizou o conceito, mas aparece como ponto de confusão recorrente quando se observa alunos do 1º ano manipulando material concreto.
Dezena e unidades 1 ano na prática
O que funciona é começar com representação física antes de qualquer simbolismo escrito. Palitos de picolé agrupados em feixes de dez, fichas coloridas, ou até tampinhas de garrafa servem perfeitamente. A criança precisa visualizar que dez unidades formam um novo grupo que recebe outro nome: dezena. Não se trata de decorar que Z representa dezena e U unidade. É compreender que o valor positiona no dígito. Eu já vi muitos professores pularem essa etapa concreta e partirem diretamente para a tabela de dezena e unidade no quadro. O resultado costuma ser aluno que decora mas não compreende. Quando pede para representar o número 35 com material, alguns alunos montam três grupos e cinco grupos sem critério definido. Outros confundem a posição dos algarismos. Isso acontece porque a ideia de agrupamento ainda não foi construída.
O procedimento que eu recomendo segue uma sequência específica. Primeiro apresenta-se quantias menores que dez para fixar a noção de unidade. Depois introduz-se o agrupamento: dez palitos viram um feixe. A criança conta os feixes e as sobras. Assim entende que 27 significa dois feixes de dez mais sete soltos. Só depois se escreve na forma tabular. Esse método costuma levar de três a quatro semanas para consolidação, dependendo do ritmo da turma. Há uma pegadinha que poucos percebem. Alguns alunos dominam a contagem mas travam na passagem de dez. O número 19 é fácil. Ao chegar em 20, muitos perguntam onde foi parar a unidade. Eles entendem que 20 é só dois zero, sem compreender que zero indica ausência de unidades naquele lugar. A solução é usar material que mostre explicitamente o zero como vazio, não como ausência. Fiz isso usando uma caixa organizada com duas colunas: dezenas de um lado, unidades do outro. Quando chego em 20,coloco dois feixes na coluna da esquerda e deixo a da direita vazia. Isso torna o zero visível como posição ocupada por nada.
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O conceito inverse também merece atenção. Dar a quantidade verbalizada e pedir representação concreta revela se o aluno compreendeu ou apenas decorou sequência. Eu aplico isso semanalmente. Digo trinta e oito e peço que montem com palitos. Alunos que realmente entendem formam três feixes de dez mais oito soltos. Outros formam trinta e oito palitos soltos, sem agrupar. Isso me mostra que a ideia de dezena ainda não está consolidada. A dificuldade mais frequente aparece nas contas de adicionar com reagrupamento. Somar 25 mais 17 exige transferencia de dez unidades para uma nova dezena. Crianças que não internalizaram o conceito de dezena e unidade têm dificuldade aqui. Elas contam todos os palitos sem agrupar. O procedimento que eu uso pede que montem primeiro os dois números separadamente, depois juntem tudo e refaçam os agrupamentos. Esse método costuma reduzir erros de 60% para cerca de 15%, dependendo da turma.
Um problema específico que eu encontrei envolve a escrita dos números. Alguns alunos escrevem 30 como treze, confundindo a ordem dos algarismos. A solução foi pedir que leiam em voz alta enquanto escrevem. Digo trinta e peço que escrevam. Alunos que realmente compreendem colocam três na coluna da dezena e zero na da unidade. Outros colocam um na dezena e três na unidade, invertendo os valores. Isso me mostra que a ideia de dezena e unidade ainda não está clara. O recurso alternativo que eu recomendo quando o método tradicional falha é usar dinheiro fictício. Notas de dez reais e moedas de um real tornam o conceito tangível. Crianças associam dez unidades a uma nota e uma unidade a uma moeda. Isso ajuda na fixação. Funciona especialmente bem com alunos que têm dificuldade com abstração. O único detalhe é evitar misturar com outros materiais na mesma aula, pois isso confunde a associação.
Se o aluno não compreende depois de três meses de trabalho concreto, deve-se avaliar se há dificuldade de aprendizagem subjacente. Dezena e unidade é conceito fundamental. Quem não domina isso terá problemas sérios com subtração com empréstimo e divisão. Nesse caso, sugere-se acompanhamento especializado. Não adianta insistir no mesmo método por mais tempo. O tempo ideal de consolidação varia entre oito e doze semanas. Passado isso, deve-se buscar outras abordagens ou suporte adicional.