O fim de um imperador no exílio
Dom Pedro II morreu em Paris, na França, no dia 5 de dezembro de 1891. Ele estava no exílio desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889, que depôs a monarquia brasileira sem derramamento de sangue. O imperador partiu com a família, deixaram tudo para trás e seguiram para a Europa, onde passaram os últimos dois anos de vida.
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A causa direta da morte foi uma pneumonia. Ele havia desenvolvido uma bronquite que evoluiu para infecção pulmonar. Os médicos da época fizeram o que podiam — sangrias, cataplasmas, remédios à base de ópio e quinina — mas o quadro piorou rapidamente. Tinha 66 anos e já estava fragilizado pelo estresse do exílio e pela adaptação difícil à vida em Paris. O corpo foi inicialmente velado na embaixada brasileira, mas a família enfrentou burocracia para realizar o sepultamento. Só foi enterrado com honras no Cemitério de Saint-Denis, perto de Paris, no dia 7 de dezembro. A urna permaneceu lá até 1920, quando foi trazida para o Brasil durante a comemoração do centenário da independência. Hoje repousa na Catedral de Petrópolis, em um mausoléu simples e sem ostentações, como ele sempre pediu.
É importante notar algo que poucos lembram: Dom Pedro II não estava doente cronicamente antes do exílio. Ele sempre teve boa saúde, praticava atividades físicas regularmente e não apresentava problemas pulmonares conhecidos. A pneumonia foi uma complicação aguda, não o resultado de uma doença de longa data. O fator exílio — o isolamento político, a separação do país que governara por quase cinco décadas — enfraqueceu seu sistema imunológico de forma significativa. Um detalhe curioso e pouco conhecido: nos últimos dias, ele pediu para ser lavado e vestido com o uniforme de marechal de campo, que usara durante a Guerra do Paraguai. Fez questão de que os livros de sua biblioteca, que levava consigo, fossem entregues à Biblioteca Nacional do Brasil após sua morte. Ele sabia que não voltaria.