Como separar o lixo corretamente usando as cores da reciclagem
A separação do lixo por cores segue uma padronização que existe desde 1997, estabelecida pela ABNT NBR 13.230. Não é complicado, mas muita gente faz errado sem perceber. Vou explicar como funciona na prática. Cada cor corresponde a um tipo de material reciclável. Isso simplifica o processo tanto para quem coleta quanto para quem separa em casa. O problema é que as regras são simples no papel, mas na hora de colocar em prática aparecem dúvidas que muita gente não sabe resolver.
cores reciclagem de lixo: guia prático por material
O azul serve para papel e papelão. Jornal, revista, caixa de papelão, folhas de rascunho. O que não entra aqui: papel higiênico usado, guardanapo sujo de gordura, lenço de papel empregado. Esses são orgânicos e vão para a compostagem ou para o lixo comum. O vermelho é para plástico. Garrafas PET, potes de iogurte, embalagens de detergente, sacolas. Aqui a confusão mais comum é com isopor. Isopor não entra na reciclagem comum de plástico. Ele é um poliuretano expandido com propriedades diferentes e a maioria dos cooperados não acepta. Descarte em pontos de coleta específicos ou, se não existir, no lixo comum mesmo.
O verde é para vidro. Garrafas, potes, frascos. Nada de espelho, cristal ou cerâmica — esses materiais têm pontos de fusão diferentes e contaminam a lingotada do vidro reciclado. Se você tiver vidro quebrado, envolva em jornal ou papelão antes de colocar na lixeira. Segurança primeiro, tanto para quem separa quanto para o coletor. O amarelo é para metal. Latinhas de alumínio, pregos, parafusos, tampas, folhas de alumínio. Latinha de alumínio é a mais valiosa na esteira de triagem. Vale a penaar para ocupar menos espaço na lixeira.
O preto é para âmbar, que basicamente significa vidro especial. Mas na prática, em muitas cidades, o preto é reservado para embalagens metallizadas e outros resíduos que não se enquadram nas outras categorias. Confuso? Sim. Por isso consulte a prefeitura local ou o site de limpeza urbana da sua cidade. Tem cores adicionais que aparecem em alguns municípios:
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Laranja: resíduos perigosos, como pilhas e baterias. Esses não podem ir para o aterro comum. Muitos supermercados e lojas de eletrônicos têm pontos de coleta. Branco: resíduos de serviços de saúde. Isso é assunto para hospitais e clínicas, não para residências comuns.
Marrom: resíduos orgânicos, destinados à compostagem. Casca de fruta, resto de comida, borra de café. Cinza: resíduo não reciclável misturado, quando a coleta seletiva ainda não está bem implementada na região.
O problema real que eu vejo todo dia é a contaminação cruzada. Já vi caçamba inteira de papelão comprometida porque alguém colocou garrafa de vidro molhada junto. A água estraga a fibra do papel e ele perde valor de revenda. A solução mais simples: lave as embalagens. Não precisa de detergente, só água corrente. Escore. Deixe secar antes de colocar na lixeira certa. Outra coisa que pouca gente sabe: embalagens tetrapak entram na reciclagem, mas não em qualquer lixeira seletiva. Elas têm uma mistura de papel, plástico e alumínio laminado. O ideal é entregar em pontos de coleta específicos ou enviar para cooperativas que trabalham com esse material. Colocar na lixeira vermelha ou azul pode gerar rejeição na triagem.
Se você mora em bairro onde a coleta seletiva ainda não chegou, a coisa fica mais difícil. Nesse caso, o melhor é procurar a secretaria de meio ambiente da sua cidade. Muitas têm pontos de entrega voluntária (PEV) onde você pode levar os recicláveis separados por categoria. Outros municípios oferecem sacos coloridos para distribuição residencial, o que elimina grande parte da dúvida na hora de jogar fora. Há também a questão dos resíduos que parecem recicláveis mas não são. Plástico bolha, canudos, palitos de dente, cotonetes, esponjas de aço. Tudo isso vai para o lixo comum. A infraestrutura de triagem atual não consegue processar esses itens de forma econômica, então a indicação correta é descarte convencional mesmo.
Se a sua cidade ainda não adota as cores padrão, pesquise no site da prefeitura ou ligue para o serviço de limpeza urbana. As orientações locais podem variar, especialmente em cidades pequenas onde a logística é diferente. O importante é manter a separação o mais limpa possível e evitar misturar materiais que não combinam. Quanto mais puro o material separado, mais fácil é transformar em algo novo.