Contexto Historico Do Simbolismo - Contexto Histórico do Simbolismo by Eduarda Guterres on Prezi
Contexto Histórico do Simbolismo by Eduarda Guterres on Prezi

O que você precisa saber sobre o contexto historico do simbolismo para não se perder

O simbolismo nasceu numa França da década de 1880, num momento em que o otimismo positivista do século anterior já mostrava rachaduras. A industrialização tinha consolidado seu poder, a ciência ganhava estatutos de verdade absoluta e o naturalismo literário, liderado pelos irmãos Goncourt e por Zola, tentava reduzir a experiência humana a variáveis mensuráveis. Os simbolistas reagiram contra isso de uma forma que nem sempre é compreendida corretamente. O termo foi cunhado oficialmente em 1886, quando Jean Moréas publicou o Manifesto Simbolista no jornal Le Figaro. Antes disso, já havia um grupo de poetas se reunindo em círculos decadentes em Paris, e o movimento já estava tomando forma. O que Moréas fez foi apenas dar um nome público a algo que já existia na prática.

contexto historico do simbolismo

A primeira coisa que as pessoas costumam não entender é que o simbolismo não era apenas um estilo literário. Era uma resposta filosófica inteira a uma crise de significado. O final do século XIX francês vivia o que os historiadores chamam de fin de siècle, um sentimento generalizado de cansaço cultural. A Comuna de Paris (1871) ainda estava recente na memória coletiva, o caso Dreyfus (1894) estaria por vir, e a terceira República francesa oscilava entre euforia republicana e pânico moral. Nesse terreno, a arte precisava encontrar outro caminho além da representação direta. O simbolismo se alimenta diretamente de duas correntes anteriores. A primeira é o romantismo tardio, com sua obsessão pelo impossível, pelo onírico, pelo transcendente. A segunda é o parnasianismo, que os simbolistas rejeitavam parcialmente — eles adoravam a preocupação formal dos parnasianos, mas rejeitavam a ideia de que o poema deveria ser um objeto fechado e autocontido, como uma escultura em verso.

Charles Baudelaire é a figura central aqui, embora ele tenha morrido em 1867, antes do movimento tomar nome. As Flores do Mal (1857) e sua teoria dos correspondências — a ideia de que existem analogias secretas entre mundo material e mundo espiritual, que os sentidos podem se cruzar (o que depois seria chamado de sinestesia) — são a base teórica de tudo. Mallarmé releu Baudelaire repetidamente. Verlaine citava Baudelaire em quase todos os seus ensaios. Rimbaud, apesar da ruptura posterior, partia dessa mesma premissa. No campo das artes visuais, o contexto é ligeiramente diferente. Pintores como Gustave Moreau, Odilon Redon e Puvis de Chavannes estavam trabalhando com temas míticos, bíblicos e alquímicos numa época em que o academicismo ainda dominava os salões oficiais. O problema deles era prático: as obras simbolistas eram frequentemente rejeitadas ou mal compreendidas pelos júris do Salon de Paris. Redon, por exemplo, passou anos expondo anonimamente ou recusando-se a expor em certos salões porque sabia que seu trabalho seria hostilizado. Isso é importante porque mostra que o simbolismo não era apenas uma escolha estética — era, em parte, uma posição de resistência institucional.

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Um ponto que muitos livros didáticos ignoram é a relação do simbolismo com o ocultismo e o esoterismo. Não se trata de um detalhe decorativo. Société Théosophique, fundado em 1875 por Helena Blavatsky, tinha membros ativos no meio literário parisiense. Joséphin Péladan fundou a Société de l'Ordre de la Rose-Croix em 1888, e organizou salões de arte simbolista em Paris. Mallarmé era profundamente interessado em numerologia e correspondências cabalísticas. Esse aspecto esotérico não é um adereço — é parte constitutiva do projeto simbolista de acessar realidades por trás da aparência imediata das coisas. Quando você lê um poema de Mallarmé e sente que está tentando decifrar algo, não está imaginando. O poema de fato está estruturado como um dispositivo de revelação progressiva, não como uma descrição. O simbolismo também se espalhou rapidamente pela Europa. Na Itália, os crepuscolari e depois os futuristas (que se definiram parcialmente como oposição aos simbolistas) herdaram muito da técnica simbolista. Na Rússia, o movimento teve uma versão própria e extremamente fértil — Blok, Bely, Vyacheslav Ivanov adaptaram o simbolismo ao contexto religioso e filosófico russo, com forte influência de Vladimir Solovyov e sua filosofia da all-ununity. Em Portugal, Eugénio de Andrade e, mais tarde, Fernando Pessoa em sua fase inicial, beberam dessa fonte. Mário de Sá-Carneiro também é um ponto de conexão importante.

Um problema prático que encontrei ao orientar estudantes é a confusão frequente entre simbolismo e Decadência. São movimentos contemporâneos e sobrepostos, mas não idênticos. O decadentismo tende a enfatizar a estética da decomposição, do refinamento excessivo, da doença como estado estético. Huysmans com A Contrario (1884) é o marco. Alguns autores foram ambos — Péret e Mallarmé têm facetas decadentes. Mas a confusão conceitual gera análises ruins. O simbolismo busca a verdade através do símbolo; o decadentismo busca a beleza através do excessivo. São vetores diferentes, mesmo que caminhem lado a lado. Outra armadilha comum é ler os simbolistas como se fossem "difíceis de propósito". Não são. A dificuldade é funcional. Mallarmé dizia que "nomear um objeto é suprimir três quartos da satisfação do poema: sugerir, eis o sonho". Isso não é um jogo intelectual vazio. É uma teoria cognitiva da poesia: o símbolo ativa no leitor processos de associação que uma descrição direta nunca ativaria. Quando Verlaine escreve "De la musique avant toute chose" (1874), ele está defendendo que a música — a qualidade sonora, rítmica, não-propriocetiva da linguagem — é o veículo prioritário do sentido poético. O poema simbolista funciona como uma partitura, não como um relatório.

No que diz respeito à cronologia precisa, o simbolismo como movimento organizado tem uma duração relativamente curta — digamos de 1885 a 1900. Após 1900, ele se fragmenta. Alguns de seus elementos são absorvidos pelo expressionismo, outros pelo surrealismo (o interesse pelo inconsciente e pelaautomatismo tem raízes simbolistas diretas), e outros simplesmente se dissipam. O modernismo do século XX carrega o simbolismo na estrutura, mesmo quando nega seu vocabulário explícito. Se você está estudando o contexto historico do simbolismo para uma prova ou trabalho acadêmico, a dica prática é: não trate os autores como uma lista. Coloque-os em rede. Baudelaire alimenta Mallarmé, que alimenta Valéry. Verlaine alimenta Rimbaud (apesar da ruptura famosa). Péladan influencia os pintores mais do que a maioria dos manuais reconhece. E o simbolismo russo, muitas vezes subestimado em currículos ocidentais, é onde o movimento atinge sua forma mais sistematicamente elaborada.