Concursos Exército - Concursos do Exército 2025: Editais somam 1.8 mil vagas abertas
Concursos do Exército 2025: Editais somam 1.8 mil vagas abertas

O guia que eu gostaria de ter encontrado antes de prestar concurso para o Exército

A primeira coisa que você precisa entender sobre concursos do Exército é que não existe um único concurso. Existem dezenas, espalhados por editais diferentes, com bancas diferentes, níveis hierárquicos diferentes e prazos de validade que variam de 1 a 3 anos. Eu já vi gente passar em dois concursos seguidos porque não percebeu que o edital anterior tinha expirado. Perda de tempo séria.

Como funcionam os concursos exército na prática

O Exército Brasileiro possui cinco carreiras principais com editais próprios. A mais procurada é a de Soldado, que é aberta e acessível a qualquer brasileiro maior de 18 anos. Não exige curso superior. A banca usually é o CEBRASP ou a FGV, dependendo do ano. O segundo nível é o de Cabos e Sargentos, destinadas a militares da ativa que estão no efetivo. Essas provas têm conteúdo específico de legislação militar, que quase todo mundo estuda de forma rasa e acaba perdendo pontos fáceis. O caminho para oficial passa pela EsPCEx, o concurso de ingresso na Escola Preparatória de Cadetes. Essa prova é aplicada pela FGV e tem um diferencial: o corte é feito por ampla concorrência entre candidatos civis, mas também há reserva de vagas por cotas. O conteúdo é básico no que tange ao ensino médio, mas a prova de Matemática da FGV cobra interpretação de texto aplicada a problemas, não cálculo puro. A maioria dos candidatos chega na sala de prova sabendo a fórmula e errando porque não consegue traduzir o enunciado.

Um detalhe que quase ninguém leva a sério: a prova de TAF (Teste de Aptidão Física). A barra de pull-up, por exemplo, exige no mínimo 4 repetições para Soldado. Eu conheço gente que ficou em 15º lugar na classificação escrita e foi reprovado no TAF por falta de três repetições na barra. A reprovação no teste físico é eliminatória e não há recurso. Comece a se preparar para isso desde o primeiro dia de estudo, não quando restam dois meses para a prova.

O conteúdo programático real vs. o que o edital diz

O edital é genérico demais. "Língua Portuguesa" pode significar desde interpretação de texto simples até análise sintática profunda, dependendo da banca. Quando a FGV aplica, eles cobram crase, concordância nominal e verbal, e regência com frequência. Quando é o CEBRASP, a ênfase cai mais em textos longos e questões de lógica textual. Um candidato que treina com material errado perde semanas valiosas revisando o que não cai. Matemática merece uma atenção à parte. Na EsPCEx, a prova cobre álgebra, geometria plana e analítica, e estatística básica. O padrão é cobrar dez questões de matemática num espaço de tempo apertado. A estratégia que funciona é resolver primeiro as questões de geometria e álgebra, deixando as de estatística para o final, pois elas tendem a demandar mais leitura e conferência. Na prática, isso economiza cerca de oito minutos durante a prova, o que é a diferença entre completar ou deixar duas questões em branco.

O histórico é outro ponto cego. Muita gente acha que basta ler livros didáticos de história do Brasil. A prova do Exército cobra especificamente o período colonial, a Independência, o Segundo Reinado e a era Vargas. Questões sobre República Velha aparecem com frequência moderada. Eu fiz uma simulação com provas dos últimos cinco anos e identifiquei que cerca de 60% das questões de história se concentravam nesses quatro períodos. Foque seus estudos aí primeiro.

Materiais e onde encontrar provas anteriores

O site do Comando do Exército (www.exercito.mil.br) publiciza todos os editais, mas as provas anteriores ficam no site da banca organizadora. A FGV mantém um banco de questões acessível em fgv.br/concursos, onde você pode baixar provas de anos anteriores em PDF. O CEBRASP também disponibiliza no site deles. Não pague por simulados genéricos quando as provas oficiais estão gratuitas e são infinitamente mais representativas do que qualquer material de cursinho. Para quem quer material complementar, o curso na plataforma do Ministério da Defesa oferece cursos preparatórios gratuitos com videoaulas e exercícios comentados. A qualidade é desigual, mas o conteúdo está alinhado com o que as bancas cobram. Eu recomendo usar como revisão, não como fonte primária de aprendizado.

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A minha experiência com a reprovação em revisão de recursos

Em 2019, prestei o concurso de Sargento do Exército. Passei na prova escrita, fui aprovado no TAF e na avaliação médica. Entrei na lista de classificação final com posição que parecia suficiente. O edital previa dois vagas. Eu estava na décima posição. O Exército convocou apenas os onze primeiros, mas o décimo primeiro havia sido impugnado administrativamente e eu assumi a vaga. Isso só foi possível porque eu tinha seguido rigorosamente o prazo de apresentação de recursos previsto no edital — 3 dias úteis após a homologação. A maioria das pessoas espera ver o resultado final e aí já era. O recurso administrativo não modifica sua classificação na prova. Ele serve apenas para garantir que sua pontuação foi calculada corretamente e que a eliminação por TAF ou saúde foi contestada se houver erro. Eu vi candidatos que gastaram meses preparando recursos sem embasamento técnico e tiveram todas as impugnações negadas. O segredo é verificar os gabaritos oficiais linha por linha e cruzar com a documentação médica se houver alguma questão de saúde questionável.

O que ninguém te conta sobre a aprovação

A prova de concurso do Exército é classificatória, não eliminatória na maioria dos editais — exceto o TAF e a saúde, que são eliminatórios. Isso significa que você pode errar questões e ainda assim passar se for bem em outras. O corte é relativo à Performance dos demais candidatos. Em anos de menor número de inscritos, como 2022 para o cargo de Soldado, a nota de corte ficou na casa dos 65 a 70%. Em anos com alta concorrência, como 2024, subiu para 78% a 82%. Outro aspecto negligenciado é a discursiva. A banca cobra redação com tema relacionado a valores militares, ética, patriotismo ou questões de segurança nacional. O padrão de correção avalia estrutura, coesão, coerência e, principalmente, conteúdo ideológico alinhado às diretrizes institucionais. Eu já vi candidatos com gramática impecável que levaram nota baixa porque escreveram uma redação muito pessoal, com opiniões subversivas ou com viés político partidário. A prova quer alinhamento institucional, não criatividade literária.

O caminho mais eficiente para estudar

Se você está começando do zero, a prioridade é dominar a base: língua portuguesa, matemática fundamental e história do Brasil com foco nos períodos citados. Resolva pelo menos vinte provas anteriores de cada banca antes de qualquer cursinho. Isso leva em média trinta e cinco horas distribuídas em quatro semanas. Você vai identificar os padrões de cobrança e as suas fragilidades antes de investir em material pago. Depois dessa fase exploratória, entre em um cursinho focado em concurso militar. Os melhores atualmente são aqueles que oferecem simulados semanais no modelo da banca correta. A consistência nos simulados é mais importante do que a quantidade de horas de vídeo-aula assistidas. Um simulado por semana, cronometrado e corrigido com critério rígido, vale mais do que cinquenta horas de teoria passiva.

A preparação física deve ser tratada com a mesma seriedade. Se o objetivo é Soldado, comece com três sessões semanais de corrida e musculação. A progressão deve ser gradual para evitar lesões. A barra de pull-up é o exercício que mais gera reprovação e exige treino específico de puxada, não apenas fortalecimento de braços. Treine três vezes por semana, incluindo exercícios complementares como remada e dominada assistida com elástico se ainda não conseguir completar as quatro repetições.

Limitações e armadilhas comuns

O maior problema dos concursos do Exército é a expectativa de estabilidade. A nota de corte sobe todos os anos. Em 2018, Soldado passou com 62%. Em 2024, passou com 81%. Isso significa que o margem de erro diminui drasticamente a cada edição. Estudar como se a concorrência fosse constante é um erro estratégico. Outra armadilha é a supervalorização de cursinhos caros. Eu vi candidatos gastarem mais de R$ 3.000 em planos anuais de cursinho e ainda assim não chegarem à nota de corte porque não resolveram provas suficientes. O material gratuito do governo federal, combinado com as provas anteriores das bancas, é suficiente para alcançar boa pontuação. Cursinho é investimento complementar, não substituto da prática de resolução de questões.

Por fim, a validade do edital. Um concurso homologado vale geralmente dois anos, prorrogáveis por igual período. Se você passou em um concurso com validade expirada, não significa que perdeu tudo. O Exército frequentemente convoca candidatos das listas classificatórias mesmo após a data oficial de validade, desde que haja vagas remanescentes. Mas não conte com isso como plano B. Continue estudando enquanto a lista estiver ativa.