Conclusão Texto Dissertativo Argumentativo - Conclusão Do Texto Dissertativo Argumentativo | PDF
Conclusão Do Texto Dissertativo Argumentativo | PDF

Como escrever uma conclusão que não é só repetir o óbvio

A maioria dos alunos termina um texto dissertativo argumentativo jogando tudo fora nos três últimos parágrafos. Eles resumem a introdução, repetem os argumentos que já foram dados e finalizam com uma frase genérica sobre educação ou responsabilidade social. O resultado é um texto que parece completo mas não deixa nenhuma impressão. Isso acontece porque ninguém ensina de verdade como fechar um argumento, apenas a estrutura básica: introdução, desenvolvimento e conclusão. A parte da conclusão é tratada como um formalismo, não como uma ferramenta de convencimento. Para escrever uma conclusão de texto dissertativo argumentativo eficiente, você precisa entender uma coisa simples: a conclusão não serve para convencer novamente. Servir para cristalizar o que já foi dito de forma que o leitor saia do texto com uma direção clara. Existem basicamente dois caminhos. O primeiro é a proposta de intervenção, muito cobrada no Enem e em concursos. Você apresenta uma ação concreta, com agente, ação, meio/modo e detalhamento. O segundo é a síntese reflexiva, mais comum em artigos e debates, onde você fecha o raciocínio mostrando as implicações do que foi argumentado sem necessariamente propor uma solução prática.

Elementos práticos da conclusão texto dissertativo argumentativo

A proposta de intervenção funciona assim: você identifica quem deve agir, o que deve ser feito, como fazer e com que finalidade. Não é diferente do que você encontraria em qualquer manual, mas a diferença está na execução. A maioria dos estudantes escreve agentes genéricos como "o governo" sem especificar qual esfera — federal, estadual ou municipal — e isso enfraquece a proposta imediatamente. Um corretor experiente consegue enxergar isso a quilômetros de distância. Eu já vi candidato escrever "deve-se criar campanhas de conscientização" e não Ter nem ideia de quem criaria essas campanhas, nem onde seriam veiculadas, nem com que orçamento. A proposta virou um desejo vago, não uma intervenção. O caminho que eu uso quando preciso montar uma intervenção rapidamente é começar pelo agente, depois definir a ação, em seguida o modo e por fim o detalhamento. Agente governamental? Especificar o nível. Agente privado? Definir o setor. Ação? Verbo no infinitivo, direto, sem rodeios. Modo? Como exatamente isso será implementado. Detalhamento? Recursos, prazos ou mecanismos de fiscalização. Esse esquema reduz o tempo de elaboração de uma proposta de 15 minutos para cerca de três ou quatro, desde que você tenha os elementos mapeados durante o desenvolvimento.

Quanto à síntese reflexiva, o erro mais comum é transformar a conclusão em um parágrafo de recapitulação. Você já apresentou os argumentos no corpo do texto. Repetí-los agora é perda de tempo para quem lê e para quem corrige. Em vez disso, pegue a tese central e mostre o que ela significa quando levada às últimas consequências. Qual é o problema que persiste se nada mudar? Qual é a contradição que fica exposta? Isso exige que você tenha clareza real sobre o seu próprio argumento, algo que muitos estudantes não têm porque escreveram o texto inteiro de improviso sem um rascunho estruturado. Um problema real que eu encontrei várias vezes é quando o aluno começa o texto com uma tese ampla demais e a conclusão não consegue dar conta do tamanho do argumento. Tese como "a corrupção é o maior problema do Brasil" é impossível de fechar em três linhas. A conclusão vira um discurso genérico porque o estudante nunca delimitou o escopo no decorrer do texto. A solução que funcionou pra mim nos casos em que precisava corrigir textos desses alunos era restringir a tese num parágrafo intermediário do desenvolvimento antes de escrever a conclusão, criando um recorte específico — corrupção no setor de saúde pública, por exemplo. Com o recorte definido, a conclusão ganha contornos concretos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Erros que aparecem com frequência e como evitá-los

O uso excessivo de conectivos mecânicos é um dos problemas mais visíveis. Palavras como "portanto", " Logo", "assim sendo" aparecendo em quase toda conclusão indicam que o estudante está seguindo um roteiro decorado, não construindo um raciocínio. O conector existe para mostrar relação lógica, não para enfeitar o texto. Se a relação lógica entre os parágrafos anteriores e a conclusão é fraca, nenhum conectivo bonito vai resolver isso. Outro erro crônico é a introdução de ideias novas na conclusão. Argumentos que não foram discutidos no desenvolvimento não têm lugar aqui. A conclusão abre espaço para uma reflexão adicional ou para uma proposta, mas nunca para um novo argumento. Se o argumento precisa existir no texto, ele deve ter seu parágrafo próprio no desenvolvimento. Colocar algo novo na conclusão é como chegar a uma reunião e soltar uma informação que ninguém sabia e que muda tudo, sem contexto prévio. Soa frustrante.

Tem também o problema das frases de efeito. Citações de filósofos, dados estatísticos soltos, alertas dramáticos sobre o futuro da humanidade. Isso pode funcionar na introdução como recurso de abertura, mas na conclusão soa forçado quando não foi construído ao longo do texto. Se você citou Foucault no primeiro parágrafo, pode retomá-lo na conclusão com naturalidade. Citá-lo do nada no fecho do texto é apenas aparato retórico vazio. Um insight que poucos estudantes percebem é que a conclusão mais forte muitas vezes é a mais curta. Dois ou três parágrafos bem construídos valem mais que um parágrafo enorme cheio de explicações redundantes. Corretores leem centenas de textos por dia. Um fechamento enxuto e preciso se destaca justamente pela economia de palavras, não pela quantidade. Isso é contraintuitivo para quem acredita que texto longo equals texto bom, mas é a realidade da correção prática.

Limitações do método

Nenhuma estrutura de conclusão garante nota alta sozinha. O corpo do texto é o que sustenta o argumento. Uma conclusão brilhante não compensa desenvolvimentos frágeis ou falta de coerência entre as partes. Além disso, em temas muito abertos ou polêmicos, a proposta de intervenção pode parecer ingênua ou simplista se o estudante não tiver conhecimento suficiente sobre a realidade que está propondo modificar. Eu já vi candidatos sugerirem soluções que ignoravam restrições orçamentárias, jurídicas ou políticas inevitáveis, e isso era facilmente perceptível. Se o seu texto não exige proposta de intervenção — como em muitos formatos de redação para vestibulares específicos ou artigos de opinião —, forçar uma solução prática pode sair pela culatra. Nesses casos, a síntese reflexiva é mais adequada, mas exige domínio do raciocínio argumentativo. Se você não tem confiança nisso, é melhor seguir o formato que domina do que arriscar algo que não consegue executar com propriedade.

O importante é tratar a conclusão como parte integrante do argumento, não como um rodapé obrigado. Ela fecha o que foi dito, dá peso final às ideias e, quando bem-feita, faz o leitor pensar no tema de um ângulo que não havia considerado antes. Isso não requer criatividade excessiva, apenas clareza sobre o que você já escreveu e o que quer que reste na mente de quem lê.