Conclusao Redação Enem - Como fazer uma conclusão para a redação do Enem
Como fazer uma conclusão para a redação do Enem

O final que define nota ou arruína tudo

A conclusão da redação do ENEM é um parágrafo. Não dois, não três. Um só, com cerca de quatro a cinco linhas, e costuma ser o diferencial entre uma nota 700 e uma 900, ou entre 900 e zero, dependendo da qualidade. Muitos candidatos entram no exame sabendo estruturar os argumentos de desenvolvimento, dominando os conectivos de oposição e adição. Mas chegam na última parte e simplesmente soltam uma ideia genérica sobre "conscientização da sociedade". Isso não funciona mais. O competêncía 5, a que avalia proposta de intervenção, exige que o encerramento tenha agente, ação, meio, modo e efeito. Sem esses cinco elementos, mesmo que o resto do texto seja impecável, a nota cai drasticamente.

A mecânica prática da conclusao redação enem

Eu corrigi centenas de redações e vi quase todos os tipos de erro possíveis no encerramento. Um dos mais frequentes era candidato que escrevia a conclusão inteira em uma única frase com ponto final no meio. O texto ficava ilegível, e a correção punia tanto a estrutura sintática quanto a ausência de fechamento adequado. O padrão simples e seguro é começar com um conector de síntese, reafirmar a tese em uma frase, apresentar a proposta de intervenção com os cinco elementos obrigatórios, e fechar com um ponto de vista consistente. Os conectivos que funcionam na prática são "Diante do exposto", "Portanto", "Em síntese", "Assim sendo", "Diante dessa situação". Evite "Logo", "Donde" ou "Pois" isolados no início — soam artificiais e, em muitas bancas, até parecem tentativa de preenchimento. Um conector bem colocado vale mais do que três usados de qualquer jeito.

Outro detalhe técnico que poucos consideram: a coesão referencial. Se na introdução você usou o termo "violência urbana", na conclusão precisa retornar a esse mesmo conceito ou a um sinônimo preciso, não a um assunto relacionado mas diferente. Eu vi muitas redações onde o candidato propunha soluções para "falta de educação" quando o problema central debatido nos desenvolvimentos era "acesso à moradia". Desconexão total, nota baixa. A proposta de intervenção precisa ser factível. Eu já vi candidatos proporem "criar um programa nacional de conscientização" sem especificar qual órgão governamental seria responsável, como seria financiado, em que período seria implementado, e com qual indicador de efetividade mensurável. Isso não é proposta, é intenção vaga. A banca quer ver concretude: qual entidade executa, qual medida é adotada, como se materializa, e qual resultado se espera.

Erros comuns que eliminam pontos

O erro número um é terminar com frase de efeito ou citação. Colocar um trecho de philosopher ou personagem famoso no final não adiciona conteúdo ao texto. Na verdade, consome espaço precioso que deveria ser usado para completar os elementos da proposta. A menos que a citação esteja integrada ao argumento principal, remova-a da conclusão. O erro número dois é introduzir tema novo no encerramento. Se você não discutiu algo nos desenvolvimentos, não o mencione na conclusão. Esse é um erro de coerência séria. A conclusão deve sintetizar o já dito, nunca abrir novas frentes argumentativas.

O erro número três é a propalada "frase motivadora". Termos como "Todos podemos fazer a diferença" ou "A mudança começa em nós" são vazios e repetitivos. São os mais comuns entre candidatos que não sabem como fechar o texto. Troque por uma afirmação que retome o problema central com uma solução concreta embutida na própria frase.

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Um exemplo funcional

Vamos montar uma conclusão passo a passo para um tema hipotético: "Os desafios da violência urbana nas metrópoles brasileiras". A tese, definida na introdução, seria de que a violência urbana decorre da combinação entre falhas estruturais no sistema de segurança público e exclusão socioeconômica histórica. O primeiro elemento é o conector: "Diante do exposto". Segundo, a reafirmação da tese: "constata-se que a violência nas grandes cidades brasileiras é resultado de uma conjugação entre deficiências no aparato de segurança pública e processos estruturais de exclusão social". Terceiro, a proposta com os cinco elementos obrigatórios: "cabe ao Ministério da Justiça, em articulação com governos estaduais e municipais, implementar um plano integrado de segurança cidadã que inclua a modernização dos sistemas de vigilância policial, a criação de postos de atendimento integrado em áreas de alta vulnerabilidade e a destinação de recursos específicos para programas de inclusão socioeconômica voltados a jovens de comunidades marginalizadas, com metas trimestrais de redução da criminalidade e avaliação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística". Quarto, um fecho que retome o problema: "Somente com essa abordagem multifacetada será possível reverter o cenário atual e garantir condições dignas de convivência urbana."

Esse parágrafo tem aproximadamente cinco linhas, cobre todos os elementos solicitados, retoma a tese sem repeti-la mecanicamente, e mantém coesão lexical com os termos "violência urbana", "exclusão social" e "segurança pública" usados ao longo do texto.

Quando a estrutura padrão não basta

Existem temas em que a proposta de intervenção convencional não se encaixa tão naturalmente. Por exemplo, quando o tema é abstrato, como "Os limites da liberdade de expressão na internet". Nesse caso, a proposta de intervenção precisa ser adaptada para um campo onde a ação governamental direta tem alcance mais limitado. A solução é direcionar a proposta para órgãos reguladores específicos, como o Congresso Nacional (para regulamentação), o Poder Judiciário (para jurisprudência), ou instituições de mediação, e especificar instrumentos jurídicos ou educacionais concretos em vez de medidas puramente administrativas. Também é comum que candidatos tentem forçar uma proposta de intervenção em temas cujos enfoques são predominantemente analíticos e reflexivos. Se o tema pede mais análise crítica do que ação governamental, é aceitável adaptar o foco da proposta para ações da sociedade civil organizada, do setor privado ou de organismos internacionais, desde que mantidos os cinco elementos estruturais.

Outro ponto importante: o tempo verbal. A conclusão deve usar predominantly o presente do indicativo para a reafirmação da tese e o futuro do presente ou a forma "caber a + substantivo + infinitivo" para a proposta. Misturar tempos verbais sem necessidade cria estranheza na leitura e pode confundir o corretor sobre o tipo de argumento apresentado.

A regra que ninguémccounta

A conclusão mais eficiente não é necessariamente a mais longa nem a mais elaborada. É a que consegue resumir, sem repetir, o argumento central e entregar uma proposta de intervenção completa dentro do espaço de um único parágrafo. Se você tiver que cortar algo para caber, corte adjetivos e exemplos, não elementos da proposta. Cada palavra sobrando deve estar lá por razões de clareza e precisão, não por enfeite.