Entendendo as composições de ludwig van beethoven na prática
composições de ludwig van beethoven: o que você realmente precisa saber
As composições de ludwig van beethoven cobrem um período de aproximadamente sessenta e cinco anos de criação musical, divididos tradicionalmente em três fases: precoce, média e tardia. A periodização vem de Carl Dahlhaus e foi popularizada no século vinte. Não é uma divisão rígida, mas funciona como ferramenta analítica. Se você está começando a estudar o repertório dele, talvez seja útil ter isso em mente antes de entrar nos detalhes. A fase inicial, mais ou menos até 1802, mostra influência clara de Haydn e Mozart, mas com traços que já apontam para algo mais agressivo. O exemplo mais óbvio é a Sonata Pathétique, Op. 13, de 1798. O segundo movimento, Adagio cantabile, tem uma linha melódica que parece simples à primeira vista, mas a harmonia por baixo cria tensões que não se resolvem como você esperaria. Isso é típico do que viria depois.
A fase média, ou heroica, começa mais ou menos em 1803 e vai até 1814. É quando ele escreve a Terceira Sinfonia, a Quinta, a Quarta Concerto para Piano. A Surda desde 1802, Beethoven continuou compondo ouvindo através de ossos e vibrações. Isso influencia diretamente a forma como ele pensava a orquestração. Ele não escrevia para os ouvidos convencionais da época. Escrevia para o que ele sentia. O resultado é uma textura orquestral mais densa, com registros graves sendo usados de forma mais prominente do que era comum. A fase tardia, de 1815 até sua morte em 1827, é onde as coisas ficam interessante. As últimas cinco sonatas para piano — Op. 101, 106 Hammerklavier, 109, 110 e 111 — são estruturas que desafiavam até os pianistas mais experientes da época. A Hammerklavier, especialmente, tem quatro movimentos e dura cerca de quarenta e cinco minutos. A seção de fuga do último movimento exige precisão que poucos conseguem executar corretamente em recital.
Uma coisa que pouca gente comenta é o uso de dinâmicas extremas nas partituras originais. Beethoven anotava pppp e ffff com uma frequência que era incomum para o início do século dezenove. Muitos pianistas modernos ignoram essas indicações porque acham que são exagero romântico. Na verdade, os pianos de ação inglesa de Broadwood, que ele usava, conseguiam atingir esses contrastes sem problema. O problema é que os pianos modernos de concerto foram ajustados ao longo dos séculos para soar mais uniformes, o que acaba nivelando essas nuances que ele deixou explicitamente escritas. Eu já li partituras digitais de várias editoras diferentes e a variação nas indicações de dinâmica é enorme. A Bärenreiter costuma ser mais fiel aos manuscritos originais, mas mesmo assim há diferenças. A Henle também é boa, mas eles às vezes padronizam articulações que Beethoven deixou ambíguas propositalmente. Se você está estudando uma obra específica, o ideal é cruzar pelo menos duas edições e verificar nas fontes primárias quando possível. Os esboços que ele deixava nas margens dos manuscritos frequentemente mostram decisões diferentes das que apareceram na versão final.
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Outro ponto que as pessoas costumam perder é a questão da forma sonata na fase média. Beethoven não destruía a forma sonata como alguns dizem. Ele a esticava. Nos desenvolvimentos das sinfonias do período heroico, ele pega um tema de duas ou três notas e o expande de maneira que o desenvolvimento ocupa quase tanto espaço quanto a exposição. A Quinta Sinfonia é o exemplo mais citado, mas a Terceira também faz isso de forma mais sutil. O tema do Scherzo na Terceira é basicamente três acordes que ele manipula durante dezenas de compassos. Quanto às transcrições e arranjos, existe um mercado enorme de versões simplificadas para estudantes. Eu recomendo evitá-las se o objetivo é realmente entender o que ele escreveu. As edições de fac-símile dos manuscritos, disponíveis através da Beethoven-Haus em Bonn, mostram annotações de mão dele que nunca foram reproduzidas nas edições comerciais. Coisas como marcas de respiração, indicações de pedaleio alternado e correções de última hora que revelam como ele trabalhava.
Se você quer baixar partituras gratuitas e legítimas, o site da IMSLP é o lugar certo. Todas as composições de Beethoven estão em domínio público. O problema é que a qualidade das digitalizações varia muito. Algumas são scans diretos de partituras do século dezenove com notação difícil de ler. Outras são revisões modernas baseadas nos manuscritos. Eu costumo usar a edição completa da Bärenreiter como referência principal e complemento com as partituras da IMSLP para ver as diferenças entre versões. Há também os cadernos de esboços. Beethoven era um revisador compulsivo. Os manuscritos mostram que ele reescrevia passagens inteiras dezenas de vezes antes de considerar algo pronto. Os cadernos da Symphonie Eroica, por exemplo, revelam que ele quase abandonou a obra duas vezes durante o processo. Isso é informação valiosa para quem estuda a obra dele com seriedade. Mostra que as composições mais famosas não nasceram prontas, mas foram construídas através de um processo de tentativa e erro visível página por página.
Para músicos que estão se aproximando do repertório beethovenuiano pela primeira vez, comece pelas sonatas mais curtas. A Op. 2 Number 3, a Op. 7 e a Op. 10 Number 1 são tecnicamente acessíveis e dão uma noção clara do estilo dele sem exigir décadas de prática. As sonatas tardias exigem maturidade musical que leva anos para desenvolver. Colocar uma Hammerklavier nas mãos de um estudante que ainda está consolidando a técnica básica é contraproducente. O cérebro dele ainda não consegue processar a complexidade estrutural que essa obra exige. Uma limitação importante a considerar é que nenhuma gravação moderna captura exatamente o som que Beethoven ouvia. Os pianos de época tinham ações mais leves, cordas mais finas e uma ressonância diferente. As salas de concerto daquela época também eram menores e mais reverberantes. Gravações em pianos de época, como as feitas por Robert Levin ou Malcolm Bilson, aproximam mais desse som, mas ainda são interpretações modernas. Não existe versão original disponível.
O número total de composições catalogadas é de setecentas e onze obras segundo a numeração Köchel-Beethoven, mas muitos desses números são fragmentos ou obras perdidas. A coleção completa que realmente interessa para estudo e performance gira em torno de duzentas e cinquenta obras substanciais. Desses, talvez cinquenta sejam executadas com regularidade nos grandes concertos do mundo.