Como Se Orientar Pelo Sol - explique como podemos se orientar pelo Sol? - brainly.com.br
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O método básico que funciona na maior parte das vezes

Para descobrir o sul magnético com o sol, você precisa de um objeto vertical e do chão. Encaixe um graveto de uns 15 centímetros no solo de forma reta. Marque a sombra que ele projetar no início do dia com uma pedra ou palito. Espere cerca de vinte minutos. A sombra vai se deslocar. Marque a nova posição. Trace uma linha reta entre as duas marcas. Essa linha aponta para o leste no primeiro ponto e para o oeste no segundo. A perpendicular a ela indica o sul. O sol nasce no leste e se põe no oeste, então a lógica é simples, mas há detalhes que estragam tudo se você não prestar atenção. Eu já vi gente errando a direção porque usava um graveto torto ou porque a sombra era muito curta para registrar com precisão. O erro aumenta quando o sol está alto perto do meio-dia. Nesse horário, a sombra do graveto encurta tanto que fica quase impossível ver o deslocamento. Isso significa que o método só funciona bem pela manhã cedo ou no final da tarde. Se você tentar por volta do meio-dia solar, a margem de erro pode passar de trinta graus. Não vale a pena.

como se orientar pelo sol sem relógio

Se você tem um relógio analógico, existe um truque que usa a posição do ponteiro das horas. Aponte o ponteiro das horas para o sol. A linha que divide ao meio o ângulo entre esse ponteiro e as 12 horas indica o sul. Isso funciona porque o relógio marca horas artificiais enquanto o sol completa uma volta real em vinte e quatro horas. O ponteiro das horas viaja duas vezes mais rápido, então a metade do ângulo compensa isso matematicamente. O problema é que a maioria das pessoas esquece de ajustar para o horário de verão. Quando o horário legal avança uma hora, tudo sai do lugar. Se não fizer o ajuste mental, você vai pegar o norte como sul e caminhar na direção oposta do que precisa. Eu perdi uma trilha inteira no cerrado por causa disso. Estava usando relógio analógico, achei que ia dar certo, e acabei andando três quilômetros em linha reta para o lado errado porque o sol estava baixo no final da tarde e eu não tinha reparado na compensação. Depois passei a anotar mentalmente se estava no horário de verão antes de qualquer cálculo. Gasta dois segundos e evita horas de caminhada desnecessária.

Uma observação importante: esse método do relógio só dá uma orientação aproximada, algo em torno de cinco a dez graus de margem, dependendo de quão preciso você é ao traçar a linha divisória. Para navegação de precisão, como em terrenos de montanha com neblina, isso não serve. Mas para saber grosso modo se está indo para o norte ou para o sul num caminho de campo, funciona.

O detalhe que ninguém conta sobre latitude

O método do graveto e da sombra funciona em qualquer lugar do mundo, mas a inclinação da linha leste-oeste varia conforme a latitude e a época do ano. Perto do equador, o sol nasce quase exatamente a leste e se põe quase exatamente a oeste apenas nos equinócios, que acontecem por volta de 20 de março e 22 de setembro. Nos outros dias do ano, o nascer e o pôr do sol se deslocam para o nordeste ou sudeste no Hemisfério Norte, e para o noroeste ou sudoeste no Hemisfério Sul. Isso significa que, se você estiver no sul do Brasil em dezembro e usar o rastro do sol como referência rápida sem considerar a variação, seu erro pode chegar a quinze graus. Não é grave em muitas situações, mas é o tipo de coisa que vira problema quando o tempo aperta. No Hemisfério Sul, o sol fica predominantemente ao norte durante o dia. Por isso, a sombra projeta-se para o sul. Se você usar a sombra de um objeto fixo ao meio-dia local, ela apontará para o sul magnético com boa precisão, desde que consiga calcular o horário solar correto e não o horário de relógio. O fuso horário brasileiro é um absurdo que desenharam no papel sem olhar o mapa. O sol passa no meridiano local em momentos completamente diferentes em Manaus e em São Paulo. Usar o relógio de Brasília no Amazonas vai te dar um erro de quase duas horas solares, o que desloca a sombra em dezenas de graus.

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Quando o método simplesmente não funciona

Se está nublado, não tem como. A técnica depende de sombra definida, o que exige sol direto. Nuvens espessas eliminam a sombra. Nevoeiro piora tudo. Chuva também. Nesses casos, o único caminho viável é usar bússola ou GPS. Não tente inventar nada criativo debaixo de uma camada de nuvens stratocumulus, porque o sol pode aparecer por breves segundos e te dar uma leitura errada que soa convincente. Eu já caí nessa. Vi um clarão, fiz uma leitura apressada e confiei nela. Resultado: cheguei a um ponto de encontro que ficava a duzentos metros do lugar certo. A nuvem tinha aberto só o suficiente para enganar. Também não funciona bem em latitudes extremas, perto dos polos. O sol fica tão baixo no horizonte que a sombra se alonga demais e o movimento aparente fica muito lento durante o dia. A precisão cai para quase zero. E no Ártico ou na Antártica, durante o verão polar, o sol não se põe. Você pode marcar sombras, mas elas vão descrever círculos em vez de linhas retas previsíveis, o que quebra toda a lógica do método.

A outra limitação prática é que o graveto tem que ser firme. Se o vento soprando forte inclinar a vara durante o registro, as duas marcas ficam em referenciais diferentes e a linha fica distorcida. Eu já vi ventania de vinte quilômetros por hora em campos abertos do pantanal making the stick lean back and forth. A solução mais simples que encontrei foi enterrar um graveto reto fundo o suficiente para ele não tombá, ou usar uma pedrinha pesada na base se o chão fosse duro. Às vezes eu amarrava um barbante em torno do graveto e do solo para manter a posição fixa. Não é elegante, mas resolve.

versões alternativas e o que elas realmente entregam

Além do graveto, existem outras formas. Uma delas é usar uma estrela luminosa e a constelação da Cruz do Sul no Hemisfério Sul. O eixo imaginário dos dois primeiros astro da cruz aponta para o polo sul celeste. Traçando uma linha a partir daí até o horizonte, você encontra o sul verdadeiro com margem de erro de dois a três graus, desde que o céu esteja limpo e você saiba identificar a constelação. Isso funciona à noite e não depende de sol. Mas requer conhecer as estrelas e um céu sem poluição luminosa. Em cidades grandes, é praticamente impossível usar. Existe ainda a técnica da pedra e do relógio digital, que consiste em alinhar um ponteiro de sombra com a posição do sol medida pela posição do sol em relação às horas do dia. É basicamente o mesmo princípio do relógio analógico, mas adaptado. Na prática, a imprecisão do horário de relógio comparado ao horário solar real costuma gerar erros maiores do que o benefício que a adaptação traz. A não ser que você tenha um relógio atômico sincronizado e saiba o fuso exato do seu meridiano, é melhor confiar no método do graveto mesmo.

Se o objetivo for realmente navegar com segurança, a recomendação honesta é carregar uma bússola barata e um mapa topográfico. Custam menos de cinquenta reais no Brasil e são infinitamente mais confiáveis do que qualquer artifício solar, especialmente em condições adversas. O conhecimento de orientação pelo sol complementa, mas não substitui equipamento básico.

Um resumo prático do que fazer no campo

Escolha um local plano com solo firme. Entre nove e onze da manhã ou entre quatorze e dezasseis horas, finque um graveto reto. Aguarde dez a vinte minutos até que a sombra se mova de forma mensurável. Marque os dois pontos. A linha entre eles indica leste e oeste. A perpendicular aponta para o sul. Verifique se o graveto não se moveu. Se moveu, recomece. Anote mentalmente se o horário de verão está vigente se for usar o relógio. Se estiver muito nublado, desista e use outro método ou equipamento. Mantenha isso em mente quando estiver perdido e precisar de uma referência rápida, mas nunca confie cegamente na primeira leitura. Refaça pelo menos uma vez antes de decidir qual direção seguir.